Josias Pereira
@josiaspereira
09/05/21
07h00

Para sempre grato

Promessa do América, Carlos Alberto tem na mãe o exemplo de quem nunca desistiu

Aos 11 anos, atacante perdeu o pai e foi com o apoio da mãe, Maria da Conceição, que ele superou as incertezas para seguir no mundo da bola

Carlos Alberto ao lado da mãe, Maria da Conceição, sua companheira de todas as horas — Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução
Josias Pereira | @josiaspereira
09/05/21 - 07h00

Ser mãe é um ato contínuo de desprendimento incapaz de se explicar. Apenas se sente. No esporte, estas figuras únicas têm um importante papel na formação dos atletas. Na última Copa do Mundo, seis dos 11 titulares da seleção brasileira cresceram distantes dos pais biológicos, sendo criados pelas mães, guerreiras que tiveram que se desdobrar entre os trabalhos para sustento da casa, a rotina de treinos e jogos dos filhos para vê-los chegar ao ápice do mundo da bola.

Seja na seleção, nos clubes ou por todo o país, as histórias se repetem. No Brasil há mais de 11 milhões de mulheres que são mães solteiras. Personagens como a paraibana Maria da Conceição, 50 anos, mãe do jovem atacante Carlos Alberto, do América, de apenas 19 anos. 

Quando o garoto tinha 11 anos, seu pai, Carlos Alberto Gomes da Silva, faleceu. Maria da Conceição teve então que assumir o protagonismo que tantas mães pelo país o fazem, seja pela viuvez, como o caso dela, ou então pelo próprio abandono. 

Trabalhando como recepcionista e contando também com a ajuda de parentes, Maria da Conceição sempre trouxe para casa o sustento e deu a Carlos Alberto todas as condições para que ele nunca parasse de sonhar. 

“Minha mãe é tudo para mim. Por tudo que ela fez por mim, eu só tenho que agradecer e espero continuar fazendo de tudo para que ela tenha ainda mais orgulho de mim”, disse uma das promessas do Coelho. 

Longe de casa

Carlos Alberto começou a carreira no futsal e migrou para os gramados aos 12 anos, participando de projetos sociais em João Pessoa. Foram várias as vezes que o menino teve que fazer alguns sacrifícios, como salvar o dinheiro do lanche para poder ir aos treinamentos. Mas todo o esforço começou a ser recompensado quando, em 2016, ele deixou a proteção de casa por uma chance na base do Flamengo. 

Quase abandonou o futebol

A distância fortaleceu ainda mais o sentimento do atleta com sua mãe. Maria da Conceição é o porto seguro de Carlos Alberto. Aos 15 anos, o jogador foi dispensado da base do Flamengo e viveu o momento mais difícil da carreira. Mas, quando as incertezas bateram à porta, sua mãe estava ali para ajudá-lo a seguir na luta pelo objetivo de uma vida. 

“Foi um momento difícil. Minha mãe foi fundamental para me ajudar naquele momento. Eu pensei em desistir. Já tinha na cabeça que iria estudar e deixaria o futebol de lado. Mas minha mãe confiava no meu potencial e aquilo me deu muita força”, declarou Carlos Alberto, em entrevista ao Super.FC

“Quando parecia que não tinha mais possibilidades, meu empresário me ligou falando de uma oportunidade no América. Minha mãe logo apoiou e eu decidi vir para cá, disposto a fazer daquela oportunidade a minha chance. Cheguei aqui em abril de 2018 e nunca mais deixei o América”, acrescentou. 

Um talento do Brasil

 

Na base americana até chegar ao time profissional, Carlos Alberto vem acumulando boas performances Com 16 gols nas últimas três temporadas, ele chamou a atenção de Jardine da seleção brasileira sub-20. Esteve presente nas últimas convocações da equipe e se destacou com gol nos amistosos preparatórios para o Sul-Americano. O torneio internacional, no entanto, foi adiado devido à pandemia do novo coronavírus. No ano passado, ele já havia tido a experiência de passar pelo profissional, mas neste ano foi totalmente integrado e desponta como uma das apostas do time alviverde, que mantém uma tradição de produzir grandes atacantes para o futebol brasileiro, como Fred e Richarlison. 

Nunca esqueça sua origem

A dona Maria da Conceição vive hoje com Carlos Alberto em Belo Horizonte, mas sempre faz aquele caminho para João Pessoa, abastecendo a casa com coisas que não podem faltar na mesa do bom paraibano. 

“Ela tem que trazer o meu cuscuz e a tapioca, que não podem faltar jamais. Sempre peço para ela. É algo que, mesmo morando aqui, em Belo Horizonte, eu sempre faço questão, é para lembrar de casa. Continuo paraibano”, reforçou. 

Um filho com propósitos

O filho da Maria da Conceição é um garoto que segue em busca da glória, como tantos no futebol brasileiro. Cada passo é uma vitória. E Carlos Alberto tem a certeza de que sempre, não importa a circunstância, ele terá na vida uma torcedora em especial, a sua mãe. “Por todos os sacrifícios e dificuldades, ela sempre será tudo para mim”, salienta o atleta americano, que sob o comando de Lisca busca neste domingo chegar à decisão do Campeonato Mineiro. 

Dona Maria da Conceição criou um filho que sabe o que quer. “Por onde passar, quero deixar meu legado. Mostrar a todos este Carlos batalhador, que sonha e vai em busca de seus objetivos. Quero ser sempre uma pessoa melhor que ontem e defender o América”, concluiu.

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