Bruno Voloch
13/04/21
10h02

'Estamos atrasados em relação ao mundo'

Thaísa: 'Não esperava me tornar a melhor do Brasil'.

'Tem que ter peito para negar, mas estou consciente. Não seria justo tirar espaço de uma atleta 100% fisicamente para Olimpíada'.

Bruno Voloch
13/04/21 - 10h02

De Segunda com Thaísa rendeu.

E como.

Uma hora e meia de conversa no instagram através do @brunovolochoficial.

Disposta, sorridente e sempre muito sincera, marca registrada, Thaísa falou sobre todos os temas.

O blog reproduz os trechos principais da entrevista:

Corpo:

‘Hoje estou relaxada, sem fazer nada. Descansando o corpo e principalmente o joelho. Dói tudo. As pessoas não tem noção do esforço. Meu joelho só foi  desinchar ontem, quase uma semana após as finais. Eu treinava dia sim, dia não em Saquarema. Não foi fácil, mas com o passar do tempo a gente conhece os nossos limites e até onde podemos ir’.

Título:

‘Sentimento de merecimento. Confesso que deu um frio na barriga nos apagões que tivemos, mas a união fez a diferença. Nosso time se ajudava. Quando alguém estava em dificuldades, sempre existia um ombro para se apoiar. Cobrança na hora certa e na medida exata’.

Nova Thaísa:

‘Diria que ela aprendeu muito com os problemas e dificuldades da vida, não só a lesão, mas escolher as amizades, relacionamentos, além de se formar em coach e ter um acompanhamento. Hoje ela é uma pessoa mais calma, escuta muito mais e próxima das companheiras’.

Nicola Negro:

‘Diferente.  É um técnico fod... Ele disse que queria no time, acreditou em mim, incentiva, nos dá abertura e vê o lado humano da situação. É muito estudioso e bonzinho, mudou a cara do time, trouxe um vôlei europeu, jogando  rápido e com velocidade’.

Por que o Minas?

‘Estrutura, carinho, acolhimento e entrosamento. Isso tudo pesou. Estar com um técnico acima da média. Jogar no Eczacibasi foi uma grande oportunidade com a Maja, Boskovic, Adams, Larson, Kosheleva, mas fui na ocasião por falta de opção no Brasil. Digo que enquanto  puder jogar no Brasil, aqui vou ficar’.

Melhor do Brasil:

‘Não esperava me tornar a melhor jogadora do Brasil e isso aconteceu com muito trabalho, querer demais, não se acomodar nunca e o trabalho com o coach ajudou bastante’.

Seleção:

‘Tem que ter muito peito para negar uma convocação, mas estou 100% consciente do que eu fiz.  Não posso passar dos meus limites e preciso entender meu corpo, quando cheguei em casa após a final estava com muita dor muscular. Poderia chegar um momento da Olimpíada que não  pudesse render ou jogar e ficar fora. E aí? Então, não acho justo tirar espaço de uma pessoa que tá fisicamente bem. Honestamente não sei se o meu joelho aguentaria. E seleção a gente precisa se doar, estar 100%. Fico muito puta quando vejo jogadora não dando o máximo que podem, enquanto outras ralam dia e noite’.

(Thaísa não quis citar nomes)

Relação com Zé Roberto:

‘Zé disse que ficou muito triste, disse que contava comigo e partiu o coração dele. Mas o Brasil terá a Carol Gattaz. Ela merece muito a convocação dela, é o sonho dela q ela tá realizando, e ela fez por merecer. Treinou, lutou, jogando muito bem, uma menina que está se cuidando muito, alimentação, malhar, cuidar do corpo, descanso, uma atleta completa.

Gattaz:

‘Ela merece muito a convocação dela. É o sonho dela que ela está realizando e sinceramente  fez por merecer. Treinou, lutou, jogando muito bem, uma menina que está se cuidando demais, alimentação, malhando, cuidando do corpo, descanso, ou seja, uma atleta completa’.

Macris:

Macris é craque de bola, mudou e melhorou muito durante essa temporada, evolui demais. Muito grata pela parceria, evoluímos juntas. Ela é dedicada e diferenciada’.

Megan e Cuttino:

‘A Megan sempre muito sorridente, tentando, divertida, aos poucos evoluiu, e o time muito paciente e ao lado dela. Cuttino tem muito potencial e precisamos ficar sempre ao lado dela. Todo o time teve muita parceria e tranquilidade com elas’.

CBV:

‘Eu sou oposição da atual gestão da CBV. Não concordo com muita coisa e com o atual presidente. Discordo de filosofia, tratamento e fica evidente a falta de profissionalismo. É   muito amadorismo’.

Ana Cristina:

‘Não me cabe julgar as opções da família. Se optaram pela Europa, a gente tem que respeitar. Acho que ela tem potencial, margem de crescimento e se fosse o técnico levaria para a Olimpíada’.

Renovação:

‘Não importa a idade. Não é a Ana. Quanto mais jovem assumir a responsabilidade, melhor. Temos vários exemplos no mundo de meninas com 16.17, 18 anos jogando na seleção adulta e sendo cobradas. Por que aqui seria diferente? Irão errar e aprender com os erros. Mas para isso precisam estar em quadra, batendo e apanhando, sem passar a mão na cabeça. Amadurecer na marra’.

Vacina para os atletas:

‘Se o governo tivesse comprado as vacinas corretamente no momento apropriado,  não estaríamos na situação que estamos hoje. Estamos atrasados em relação ao mundo’.

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Carioca, formado em jornalismo, 32 anos de atuação na área em diferentes veículos de comunicação como televisão, rádio, jornal e internet.

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