Cadu Doné
@otempo
23/02/21
06h00

Cadu Doné

Como aproveitar Nacho?

No River, Nacho sempre contribuiu tanto pela direita quanto pela esquerda e, pela versatilidade, o novo treinador atleticano pode encontrar o melhor lugar para usar o meia argentino

Nacho Fernández é a maior contatação do Atlético para esta temporada — Foto: Twitter Reprodução
Cadu Doné | @otempo
23/02/21 - 06h00

Em um River pautado pela incessante movimentação tática, por trocas constantes de posição entre os jogadores do meio para frente, assaz sofisticado, estrategicamente, Nacho já executou as mais diversas funções. No escrete de Gallardo, o novo armador atleticano sempre mostrara desenvoltura para contribuir, com contundência, tanto caindo pela direita, quanto pela esquerda – mas em geral, não funcionava, prioritariamente, como um ponta, um típico “homem de beirada”. Tendo em vista a versatilidade, a completude do jogo da badalada contratação alvinegra, revela-se complexo cravar, de antemão, qual se provaria a maneira mais apropriada de encaixá-lo na equipe. Vai depender da proposta do treinador, do seu sistema de predileção. Estamos falando de uma peça extremamente flexível; que não padece por uma espécie de limitação de horizonte a qual, por si só, já acaba delimitando qual haveria de ser seu aproveitamento em campo. Independentemente de onde e como o argentino atuará, um dos seus predicados me parece especialmente promissor levando-se em conta os defeitos que o Galo apresentou na temporada: em diversos momentos, o conjunto comandado por Sampaoli ficou marcado pela posse excessivamente lateral, pouco efetiva; Nacho carrega como uma de suas principais características o pendor para acelerar as ações, verticalizar a construção, arriscar passes profundos, diferentes. 

Novo treinador do Galo

Renato Gaúcho é um dos cotados para assumir o Atlético. Portaluppi é associado ao estilo de competente gestor de vestiário. Na mania que vigora no futebol de separar técnicos como que em prateleiras, de modo um tanto engessado, o atual tricolor ganha o rótulo de “boleiro”, de profissional talhado para lidar com estrelas. Nesta esteira, não costuma surgir em listas de exímios estrategistas. Mas lembremos: na passagem pelo Grêmio, Renato quase sempre edificou times que convenciam dos pontos de vista tático, estético e desempenho; os conjuntos que foi montando invariavelmente se afastaram do estereótipo de esquadrão pobre em termos criativos.  

O melhor dirigente

Marcus Salum fará falta ao América. Foi o melhor dirigente que pude acompanhar de perto. Consegue unir todos os predicados que imaginamos como necessários para alguém ter um cargo de gestão no futebol: entende de bola, do que acontece em campo; é hábil para administrar as finanças; compreende, como poucos, meandros complexos, aspectos mais técnicos que figuram na órbita do esporte – por exemplo, as variáveis que integram as negociações por direitos de TV... Deixará saudades!

Gênio em trabalho

Hoje entra em campo o melhor time do mundo – Manchester City –, comandado pelo mais genial técnico de todos os tempos – Guardiola. Na vitória sobre o Arsenal os azuis desfilaram com sua usual maleabilidade tática. Entre as incontáveis transformações de sistema que ia revelando ao longo da partida, variou entre um 4-3-3 com Sterling como “falso 9” e um 4-2-4 com De Bruyne ladeado por Bernardo Silva numa dupla de ataque que pressionava a saída de bola inimiga de modo bem avançado.

Sampaoli

Ao contrário do que muitos querem pregar, a trajetória de Sampaoli no Galo não há de classificar-se como decepcionante. Durante boa parte do seu trabalho o argentino conseguiu implantar sua filosofia de forma consistente, contribuindo para posicionar a equipe na luta pelo título. Erros aconteceram. Mas nos afastemos do verdadeiro esporte nacional: o vício para apontar heróis acima de qualquer suspeita, e vilões indignos da mais ínfima benevolência.

Coadjuvante?

Às vezes pouco badalado, Gerson segue brilhando no Flamengo; é candidatíssimo ao prêmio de melhor jogador da Série A. 

Rebaixamento

A banalização das quedas do Vasco deve devastar a fomentação da marca – e mudar a divisão de forças no futebol brasileiro.

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