Cadu Doné
30/04/21
03h00

Cadu Doné

O “9” do Galo

Vargas nunca foi um grande artilheiro. Sua trajetória revela-se peculiar

Cadu Doné
30/04/21 - 03h00

O “9” do Galo

Vargas nunca foi um grande artilheiro. Sua trajetória revela-se peculiar: ao contrário dos astros que não rendem pelas suas seleções no nível responsável por levá-los para lá – um fenômeno comum –, sempre transmitiu mais confiança com a camisa do Chile do que com as dos clubes que envergou. Enquanto atleta que não possui, entre suas principais valências, a presença de área, o cabeceio, a vitória no embate físico contra zagueiros altos e fortes, e a finalização – em suma, o cardápio usual de um goleador clássico –, suas qualidades costumam residir em características que associamos aos “noves” que saem mais da área, flutuam entre as costas dos volantes e um tanto afastados dos defensores inimigos, auxiliando na preparação das jogadas. Mas afinal, nestes que seriam os pontos fortes do seu repertório, o pupilo de Sampaoli tem se justificado?  


Nem um, nem outro

Eis o problema central: Vargas, além de andar perdendo gols em quantidades industriais – até que contra o América de Cali isso não aconteceu; ele “só” ficou sumido do jogo mesmo... –, o que poderia relativizar-se devido à decantada leveza, ao suposto dinamismo que carregaria para agregar na criação, não vem convencendo nem especificamente no que haveria de se materializar como especialidade da casa. Não enxergamos, para valer, com o mínimo de regularidade, o bicampeão da Copa América com o manto rojo impressionar por arrancadas, dribles, atacar os espaços conduzindo a redonda, servindo os companheiros com maestria; nem nos tempos de Sampaoli.  


Hulk: dois em um?

O segundo tempo de Hulk na terça talvez se prove um bom presságio para o que sugerimos aqui em coluna recente: cabia testar a badalada contratação num labor mais avançado e centralizado – com Savarino pela direita. Confirmado o sucesso nesta empreitada, com este desenho, o Galo resolverá dois dilemas com uma tacada: encontraria o melhor habitat para espremer o máximo de talento de um dos seus grandes nomes, e solucionaria a carência de centroavante que ecoava qual uma preocupação na temporada.


Retranca brava

Na quarta, ao empatar com o La Guaira em 0 a 0, no Paraguai, o Cerro Porteño superou o número de levantamentos na área realizados pelo Galo diante do mesmo adversário venezuelano, na primeira rodada da Libertadores. O conjunto da terra de Maduro, assim como na estreia, “estacionou o ônibus” na entrada da defesa, adotando com ardor e concentração impressionantes, louvável obstinação, sua ideia de simplesmente “cancelar” o jogo – obviamente, o estilo torna o espetáculo ruim de se assistir.


Erro de Cuca?

Vendo o próximo adversário do Atlético pela competição continental penar para furar o bloqueio de um fraco rival, sem desconsiderar que o elenco mineiro é superior ao paraguaio, passando longe de eximir a pobreza de recursos coletivos exibida pelo alvinegro na Venezuela, pergunto: não precisaríamos, ao menos em alguma medida, contextualizar os méritos do inimigo ao se trancar de modo a “forçar” o chuveirinho alheio? No Brasil, prefere-se os clichês; populismo...

 
Éverson

Intrigante a perseguição inesgotável contra o ótimo goleiro Éverson. Sampaoli sofreu com isso, Cuca padece com mal similar...

 
Solução?

Muito vinha se alardeando sobre a suposta necessidade de contratar um companheiro para Alonso. Hoje este cara é Igor Rabello.

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