25/08/20
11h37

Passando dos limites

Cartola FC pede respeito após onda de ofensas a jogadores nas redes sociais

Fantasy game dá pontos a atletas de acordo com desempenho em partidas do Campeonato Brasileiro; exagero de usuários nas cobranças preocupa criadores do jogo

Arte criada pelo Cartola FC para pedir respeito aos jogadores em campo — Foto: Reprodução/Cartola FC
25/08/20 - 11h37

Nessa segunda-feira (24), os perfis oficiais do fantasy game Cartola FC publicou uma mensagem aos cartoleiros pedindo respeito aos jogadores. "Galera, invadir rede social para ofender jogador por causa do Cartola FC é a maior bola fora. Nosso game tem diversão, zoação e, às vezes, irritação também. Faz parte! Mas sempre com RESPEITO E EDUCAÇÃO ACIMA DE TUDO. Não entre nessa!"

O papo é sério. Em tempos de intolerância e do crescimento do número de haters nas redes sociais, o maior jogo virtual do futebol brasileiro, um produto do Grupo Globo, se vê obrigado a fazer campanha de conscientização para não colocar a brincadeira em cheque.

 

O game está em sua 16ª temporada, mas os exageros na quantidade de cobranças e ofensas neste ano têm incomodado os jogadores da vida real. O atacante Jô, do Corinthians, é um deles.

"Agradeço a todos pelo apoio e pela torcida. Sou muito grato mesmo. Agora, sobre o Cartola, eu não entro para fazer pontos. Eu entro para jogar e fazer o melhor para a minha equipe. Então, peço respeito nessa questão. Aceito qualquer tipo de crítica, mas quero respeito, pois estou sempre dando o meu melhor", publicou o jogadores, em suas redes sociais, na semana passada.

Há uma elemento que ajuda a explicar o comportamento de certos cartoleiros. O jogo é alimentado por milhares de apostas paralelas, que não tem qualquer relação com os donos da plataforma em si. Mas muitos viciados do game participam de ligas com apostas em dinheiro, algumas entre grupo de amigos, mas outras com inscrições bem salgadas e prêmios que vão de carros a cifras que chegam na casa do milhão.

Para quem não conhece, o Cartola é uma disputa de times fictícios montados pelos usuários com cartoletas – a moeda do jogo. A cada rodada do Campeonato Brasileiro, o cartoleiro escala sua equipe com 11 atletas de linha e o treinador dentre a lista de opções dos elencos dos 20 diferentes times da Série A. Depois, é só esperar o desempenho de cada um na rodada e ver quantos pontos vai conseguir. Por exemplo, se o jogador faz um gol, ele soma oito pontos, se o goleiro defender um pênalti, garante sete pontos.

O Cartola FC é um sucesso, uma importante fonte de receita para a Globo. O Cartola permite a participação de graça, mas só é possível participar de uma liga. Para ter condições de entrar em mais de uma disputa e ter outras regalias, é preciso ser Cartola Pro, pagando R$ 49,90/ano (quem foi Pro em 2019, paga R$ 39,90). Segundo o UOL, a emissora conseguiu arrecadar R$ 14 milhões com assinantes em 2020.

Quem costuma acompanhar a transmissão das partidas do Brasileirão na Globo, SporTV ou Premiere, nota a todo o momento os narradores e comentaristas fazendo referências ao Cartola, uma forma de propaganda para o game. O Cartola tem influenciado até a forma de ver a partida ou torcer por este ou aquele time, afinal, se o jogador que está no meu time do Cartola fizer um gol ou der uma assistência, vou ganhar pontos.

Chuteiras e Gravatas

Chuteiras e Gravatas

Thiago Nogueira é repórter do Super FC e escreve sobre política, finanças, direito, marketing, patrocínios, televisão, games e tudo o que movimenta os bastidores do futebol.

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