Thiago Nogueira
27/04/21
13h29

Gestão esportiva

Galo dá recado ao mercado do futebol e já adota posturas de um clube-empresa

Galo Business Day, realizado na última sexta-feira (23), apresentou a situação financeira do clube e o planejamento para o futuro. Entenda a estrutura de trabalho

Sonhando alto, o Atlético vem adotando práticas de governança em sua administração — Foto: Pedro Souza / Atlético - 24.1.2019
Thiago Nogueira
27/04/21 - 13h29

O Atlético não é um clube-empresa, mas já está agindo como tal. O clube não tem um investidor propriamente dito, que põe dinheiro com o objetivo de auferir lucros, mas conta um time de abnegados, que não se importa em colocar milhões do próprio bolso, mesmo com o alto risco de não sua grana mais.

O Galo Business Day, realizado na última sexta-feira (23), prezou pela transparência na apresentação das informações. O evento também foi plasticamente trabalhado, numa mescla de conteúdo editado – didático e dinâmico, com gráficos – com talk show, comandado pelo novo diretor de comunicação, André Lamounier, que se mostrou familiarizado com assuntos bem específicos.

Vice presidente do conselho deliberativo e um dos 4Rs – o grupo de notáveis que comanda o Galo nos bastidores –, Rafael Menin mostrou que é o líder do projeto administrativo. Ele dita as trabalhos, não só pelos R$ 253 milhões despendidos por sua família em 2020, mas pelo know-how adquirido na gestão da MRV, a maior construtora da América Latina.

Rafael Menin descreveu e comentou os cinco blocos temáticos que permearam a apresentação, sobre a equipe de trabalho, a indústria do futebol, as finanças alvinegras, o projeto em si e os planos para o futebol.

O evento teve mais de duas horas de apresentação mais uma hora de entrevista coletiva virtual, acompanhada inclusive por colegas do Rio e de São Paulo. Menin não esteve disponível para as perguntas dos jornalistas, direcionadas, em sua maioria, para o CEO Plínio Signorini e para o CFO Paulo Braz, cargos de nomenclatura importada do mundo corporativo que significam chief executive officer e chief financial officer, respectivamente, ou diretor executivo e diretor financeiro.

Proposta em debate

A transformação de clubes em empresa é uma alternativa para os times brasileiros desatolarem de um buraco que se meteram há décadas. O projeto de lei que cria a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é discutido no Senado e pode virar lei nos próximos meses. O Atlético ainda não decidiu se seguirá esse caminho.

A migração, de toda forma, não é obrigatória. E nem há uma certeza de que ela será ou não mais benéfica. Há muita a se pesar, principalmente, com relação ao pagamento de impostos (uma empresa paga bem mais do que uma entidade sem fins lucrativos).

O que se sabe é que uma casa mais organizada, com princípios de governança e controle de gastos, deixa os olhos de um investidor bem mais vidrados do que um clube associativo que, de três em três anos, pode virar de cabeça para baixo com a escolha de um novo presidente, que desembarca no cargo por decisões políticas.

Atual presidente, Sérgio Coelho foi escolhido a dedo pelo grupo diretivo, em substituição a Sérgio Sette Câmara, que teria direito à reeleição mas, mesmo tendo plantado a semente de uma gestão mais profissional, acabou preterido.

A postura de Sergio Coelho no Galo Business Day mostra uma tendência. Ele ouviu mais do que falou, sentado ao lado de outros membros do órgão colegiado: Ricardo Guimarães, que tem R$ 105 milhões em créditos a receber do clube, Renato Salvador, que lida mais com decisões técnicas e contratações de atletas,  José Murilo Procópio, advogado, vice-presidente e encarregado de assuntos jurídicos, e Castellar Guimarães, que faz a ponte com o conselho deliberativo. Figura central dos bastidores alvinegro, Rubens Menin não participou do evento.

O encontro foi transmitido remotamente para todos os conselheiros e demais convidados, incluindo o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e o secretário geral da entidade, Walter Feldman. Presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Adriano Aro também compôs a plateia.

O Atlético tem planos audaciosos de conquistas nacionais e internacionais, mesmo com uma dívida de 1,2 bilhão. Um terço do que ele deve é chamado de não oneroso, por não conter juros. Trata se justamente do dinheiro aportado pelos mecenas. O projeto é formar um time forte que, aliado à inauguração da Arena MRV, possa fazer com que o clube caminhe com as próprias pernas nos próximos anos. É um plano. Só o tempo dirá se funcionou.

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Chuteiras e Gravatas

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Thiago Nogueira é repórter do Super FC e escreve sobre política, finanças, direito, marketing, patrocínios, televisão, games e tudo o que movimenta os bastidores do futebol.

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