Daniel Ottoni
@dottoni
02/12/20
11h52

Mudança de 180º

Desmaio no trânsito foi 'deixa' para transformação de mineiro rumo aos 7 cumes

Gustavo Ziller deixou rotina estressante para trás para focar em novo projeto, que será tema de mesa redonda do Canal OFF

gustavo ziller montanhismo
Ano de 2020 impediu encerramento do objetivo completo de Ziller — Foto: Guilherme Tarso
palestra gustavo ziller
A transformação e o sucesso da empreitada são mostrados no 7cumes, programa do canal OFF que tem Ziller como protagonista — Foto: Divulgação - canal OFF
ziller acampamento montanhismo
Ziller teve, como inspiração, o prazer, desde pequeno, de caminhar, seja onde for — Foto: Guilherme Tarso
Daniel Ottoni | @dottoni
02/12/20 - 11h52

A rotina estressante de um executivo só fez a ficha do mineiro Gustavo Ziller cair quando ele teve um mal súbito e desmaiou no meio do trânsito de São Paulo. Precisou que o incidente acontecesse para ele perceber a necessidade de uma mudança no seu estilo de vida. A virada de 180º não seria possível sem o apoio de amigos e familiares, que o ajudaram na decisão de criar um projeto para subir os sete cumes mais altos do mundo. 

Ziller teve, como inspiração, o prazer, desde pequeno, de caminhar, seja onde for. Deslocar-se com os pés e por conta própria sempre mexeu com ele de alguma forma. A transformação e o sucesso da sua empreitada são mostrados no 7cumes, programa do canal OFF que tem Ziller como protagonista. O ano atípico de 2020 impediu que ele completasse todo o projeto, faltando apenas duas montanhas para consolidar sua reviravolta. 

Com a presença de figuras que fazem a diferença em diversos segmentos, o canal promove questionamentos e debates na 2ª edição do OFF Conecta, que conta com o conceito 'Tempo é Ritmo'. Ziller será um dos convidados da mesa redonda marcada para acontecer a partir das 14h do dia 8 de dezembro (confira programação completa ao final).

O encontro será virtual e pode ser acessado neste link

Abaixo, entrevista exclusiva com Gustavo Ziller

Quanto tempo atuou como executivo nesta rotina estressante?


Foram sete anos como um executivo clássico. Dois anos na ponte aérea indo pra São Paulo no começo da semana, muitas vezes voltando somente no final da semana e outros cinco anos em São Paulo com minha família. A rotina estressante não foi constante, tiveram bons e maus momentos, mas o equilíbrio não foi legal. 

Qual foi o ponto em que percebeu que precisava de uma mudança?

Já tinha sinais de mudança necessária. O erro principal foi a auto-sabotagem, esperar para algo acontecer. Desmaiei no trânsito em junho de 2012, foi logo depois do meu aniversário de 38 anos. Acordei no hospital e precisei tomar uma decisão. Não se passa por uma experiência como essa sem sair do outro lado da mesma forma. Minha esposa me ajudou no processo de transformação, minha família também foi afetada. 

Como foi esse processo de transformação para 'abrir mão' do que tinha para focar em outros projetos?

Não 'abri mão' de trabalho. Meu estresse não foi não gostar do que fazia. Tinha muito mais a ver com a separação do Gustavo pessoal para o profissional. Eu continuo trabalhando, não tenho independência financeira, busco fazer as coisas que gosto. Abri mão de trabalhar com pessoas que não admiro, o que fiz algumas vezes, assim como trabalhar em projetos sem qualidade por causa de pessoas que não conseguem delegar, fazer o projeto fluir. Abri mão disso, me soltei de algumas coisas, aprendi a falar não. Abri mão das coisas que me tiravam do equilíbrio. 

Teve dúvidas sobre se conseguiria se manter financeiramente ao deixar de ser executivo?

Não tive dúvidas porque sabia que ia conseguir dar volta de 180º, tinha consciência das minhas qualidades e virtudes dentro do mercado, nas coisas que me proponho a fazer principalmente com produção de conteúdo. Foi um processo demorado e duro, tive muita ajuda, a vulnerabilidade aparece nesta hora. Amigos me emprestaram dinheiro, morei com minha sogra por um ano, não tive nenhum problema em deixar isso claro. Era um processo de transformação que as pessoas entendiam, quanto mais transparência, melhor. Sabia que ia levar um tempo para tudo se acertar, a família toda se preparou. Conseguimos passar por tudo isso sem maiores problemas. Hoje está tudo dentro do que a gente esperava. 

Por que a escolha de escalar sete cumes?

Fui 2º tenente do Batalhão de Montanha em São Josão del Rei e ali tive meu primeiro contato com montanhismo. Fazíamos atividades na Serra de São José, que divide com a cidade com Tiradentes. Sempre curti andar, fazendo trabalho físico ou esporte, me deslocar com os pés. Foi neste momento em que falei que precisava fazer alguma atividade que me remetia a esses momentos de felicidade e liberdade. Fui fazer trekking no Nepal na 10ª montanha mais alta do mundo e ali escrevi um livro, que já está esgotado fisicamente mas é possível ser adquirido nas lojas digitais. Ele se chama 'Escalando Sonhos' e o último capítulo é a 1ª temporada dos 7Cumes. O programa é sobre escalar e transformar vidas de pessoas por meio de histórias inspiradoras, este é o grande ponto. 

Projeto conta com apoio de quais empresas e parceiros?

Conto com uma equipe que faz um trabalho incrível, além, é claro do apoio da minha família e amigos. Ninguém escala o Everest sozinho, tem que ter apoio de todos. O canal OFF é meu grande parceiro. Sou embaixador da North Face Brasil, que está comigo desde a segunda montanha. A Spot Brasil (empresa de comunicação satelital) me fornece resgaste necessário, estão comigo desde o início. A DVG está comigo há duas montanhas, eles me ajudam com logística e uma série de coisas. Treino na Five CT em BH, no Pilates Plus, na Rokaz e tenho apoio da Mother Nutrients, que me ajuda com alimentação vegana. 

Quantos cumes já alcançou e quais ainda faltam?

Já fizemos cinco temporadas dos sete cumes. O objetivo não é chegar no cume e sim voltar pra casa para contar história. Já subimos Aconcágua, na Argentina (maior montanha da América do Sul), o Kilimanjaro, na Tanzânia (maior montanha africana), o Elbrus, na Rússia (maior montanha da Europa), o Denali (maior montanha da América do Norte) e o Vinson, na Antártica. Destes, somente do Denali não chegamos ao cume. Ainda faltam Puncak Jaya, na Papua Nova Guiné (maior montanha da Oceania) e o Everest, na fronteira do Tibet com o Nepal (maior montanha da Ásia e do mundo). 

Sente alívio cada vez que lembra da rotina que tem hoje e do que deixou de lado?

Sinto alívio de ter feito uma escolha difícil e ter acreditado nela. Quando a gente faz uma escolha, temos que acreditar, sem ficar pensando no que deixamos pra trás. 

Confira a programação completa no dia do OFF Conecta

14h – Abertura

14h10 – OFF Talk com Monja Coen – “Ficar parado também é ficar em movimento”

14h25 – Papo OFF – “Menos é Mais: Todo mundo pode ser sustentável?” – Em parceria com a área de Valor Social da Globo. Participação de Tasso Azevedo e Raull Santiago. Mediação de Sônia Bridi.

15h10 – Workshop Respira e Se Inspira com Milla Monteiro

15h40 – OFF Talk com Aílton Krenak – “Um convite para o presente”

16h – Papo OFF – “O Verdadeiro Significado da Liberdade” - Participação de Érica Prado, Luana Génot e Claudinha Gonçalves. Mediação de Valéria Almeida.

16h40 – OFF Talk com Fernando Fernandes – “Movimento que busca um autoconhecimento”

17h – Workshop Alimentação Sustentável com Larissa Colombo

17h30 – Papo OFF – “Transformações no esporte” – Participação de Ademar Lucas, Christian Dunker e Gustavo Ziller. Mediação de Valéria Almeida.

18h15 – OFF Talk com Karina Oliani – “Ninguém fica mais de 10 minutos no cume do Everest”

18h35 – Encerramento 

 

Esportivamente

Esportivamente

Daniel Ottoni é repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, do portal Super.FC e da rádio Super. Com experiência de cobertura em Copa do Mundo, Olimpíada e Mundiais de vôlei, tem uma predileção por bastidores e lado B. Por aqui, espaço para os esportes que têm uma religião chamada futebol como concorrente em muitos momentos.

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