Daniel Ottoni
@dottoni
25/11/20
16h01

'Sabe quem é esse?'

O dia em que Maradona ignorou Dadá Maravilha e levou 'chamada' de Caniggia

Craque argentino foi 'resgatado' de ônibus durante Copa de 1990 para dar a devida atenção ao ex-centroavante do Galo

Maradona foi um dos responsáveis por eliminar o Brasil na Copa de 1990 — Foto: STAFF AFP
Daniel Ottoni | @dottoni
25/11/20 - 16h01

Foi em um dos dias mais tristes para o futebol brasileiro que Dadá Maravilha teve seu primeiro e único contato com Diego Armando Maradona. O craque argentino morreu nesta terça-feira, dias depois de passar por uma cirurgia na cabeça.

Dadá acabou tendo um breve, mas inesquecível contato com o maior jogador argentino de todos os tempos. Durante a Copa de 1990, quando o Brasil buscava o tetra, a CBF convidou jogadores da campanha do tri para irem até a Itália acompanhar a seleção. Dadá estava entre os presentes que viu de perto a eliminação do Brasil para a Argentina em Turim. O 1 a 0, com gol de Caniggia, veio após jogada de Maradona que deixou marcadores brasileiros para trás no meio-campo.

Após o jogo, Dadá comentou com Jairzinho, o furacão da Copa de 1970. "Sou fã demais desse cara, vou lá falar com ele". O 'Peito de Aço' só não esperava pela atitude de Diego.

"Cheguei na porta do ônibus, mas tive uma grande decepção. Ele não me deu atenção, colocou os pés sobre a cadeira, fingiu que estava escutando música e não me deu atenção. Fiquei todo sem graça. Quando estava saindo, apareceu o Caniggia, que me reconheceu. Começamos a conversar, eu estava quase chorando e falei pra ele o que tinha acontecido, falei que também era fã dele", comenta Dadá.

A reação do autor do gol que eliminou o Brasil foi surpreendente. Caniggia foi dentro do ônibus, puxou Maradona pra fora e perguntou: 'sabe quem é esse? Esse é o cara que mais fez gols em uma única partida, um dos maiores artilheiros do Brasil em todos os tempos, o maior cabeceador do mundo! Você não vai conseguir fazer muita coisa que esse cara fez', afirmou Caniggia.

Diego ficou constrangido e Dadá tratou de amenizar o clima. "Falei que ele era um jogador extraordinário, ele brincou que muita gente falava do Dadá na Argentina, que eu era comparado com Pelé. Falei com ele que isso só podia ser em número de gols, porque no futebol, fiquei anos-luz atrás do Pelé. Deixei claro que estava ali por causa dele, um ídolo que eu tinha no futebol. Pedi um abraço e ficou tudo certo", recorda Dadá.

O ex-craque atleticano lembrou da idolatria de Maradona, comportamento que não aconteceu com Pelé no Brasil. "Ele foi extraordinário, um ídolo no mundo todo, os argentinos o colocam como Deus. Por aqui, o Pelé não chegou a ser tratado desta forma. Era um jogador honesto, não dava pontapé, só apanhava. Deixou o legado de um futebol maravilhoso", completa.
 

Esportivamente

Esportivamente

Daniel Ottoni é repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, do portal Super.FC e da rádio Super. Com experiência de cobertura em Copa do Mundo, Olimpíada e Mundiais de vôlei, tem uma predileção por bastidores e lado B. Por aqui, espaço para os esportes que têm uma religião chamada futebol como concorrente em muitos momentos.

Escreva um comentário
Comentar

Ver todos
Fechar
Log View
Vem ser Premium!
Seja Premium
Salve matérias
Você poderá salvar as matérias para ler quando e onde quiser.
Matérias Premium
Veja as matérias exclusiva para usuários premium.
Notificações
Receba notificações de novas matérias do seu time do coração.
Av. Babita Camargos, 1645 - Contagem Minas Gerais - CEP: 32210-180
+55 (31) 2101-3000