Daniel Ottoni
@dottoni
03/12/20
18h41

Coluna Esportivamente

Rigor x flexibilização: o debate após a polêmica de Minas contra Osasco

Equipe de BH se revoltou com movimentação antecipada da central Mayany, sendo ignorada pela arbitragem; vídeo chegou a ser enviado para CBV

Técnico Nicola Negro chegou a receber cartão vermelho após seguidas reclamações — Foto: Orlando Bento - Minas Tênis Clube
Daniel Ottoni | @dottoni
03/12/20 - 18h41

O duelo entre Itambé Minas e Osasco São Cristóvão Saúde (SP), na última sexta-feira, ficou marcado por uma vitória arrasadora do time paulista, fora de casa, mas também por uma polêmica envolvendo a rotação das jogadoras dentro da quadra. 

Antes, durante e depois do jogo, o rodízio do time de Osasco foi muito criticado por Nicola Negro, técnico do Minas. As reclamações com o segundo árbitro de pouco adiantaram, com a derrota terminando com discussão entre o treinador italiano com a comissão técnica adversária. Nicola chegou a receber um cartão vermelho durante o jogo pelas reclamações.

Segundo a regra, as jogadoras em quadra precisam esperar o saque sair da mão do adversário para fazer a movimentação para sua posição de origem. O Minas reclama que o Osasco teve, seguidas vezes, movimentação antecipada da central Mayany. Durante toda a partida, nenhuma das falhas apontadas foi marcada. 

Após o jogo, circularam imagens e prints mostrando o momento de saques, indicando falha similar do Minas. A coluna Esportivamente fez contato com Alair Lúcio, coordenador de arbitragem da Federação Mineira de Vôlei (FMV). Ele vê como forte e rigorosa a reclamação, indicando que o clube de BH também chegou a cometer a infração em alguns momentos. 

"Revendo os vídeos, podemos notar que em vários lances as duas equipes fazem a antecipação da entrada, o que configura falta dupla se for aplicar com o  rigor que o reclamante quer. Com a evolução tática, adotou-se uma pequena flexibilização na antecipação do deslocamento das jogadoras. Isso é um padrão internacional, basta assistir aos jogos de Campeonato Mundial, Copa do Mundo, Liga das Nações, etc. Defendemos a aplicação conforme está no livro de regras. Porém, assim como em lances de dois toques, condução e outras situações de jogo, existe uma pequena flexibilização em algumas situações tornando o jogo mais dinâmico mantendo a bola voando e privilegiando o espetáculo. Ao mesmo tempo, os excessos nestes deslocamento devem ser coibidos", destaca Alair.

Se aqui cabe uma opinião pessoal, revendo os lances achei que Mayany entra com grande antecipação. Se for pra aplicar a regra de forma rigorosa, o Minas também comete a falha, mas de uma forma muito menos chamativa. A tendência é que a arbitragem comece a ficar mais atenta para este tipo de lance. Toda a polêmica rendeu vídeo de Carol Gattaz nas redes sociais (confira abaixo)

Estudo que serviu de alerta

Antes mesmo do jogo, Nicola fez contato com a arbitragem para alertá-los e, a cada situação que via acontecendo, mais se enfurecia. "Percebi isso estudando para o jogo. Mas era algo que já havia acontecido na partida anterior. Uma coisa é a antecipação que levantadoras costumam fazer, que dura milésimos de segundo. Outra é uma entrada evidente e antecipada, que vai totalmente contra o regulamento. É uma regra clara e não interpretável. De forma educada e tranquila, conversei com os árbitros antes do jogo. A responsabilidade da marcação deste tipo de falta é do segundo árbitro, que preferiu me ignorar", protesta Negro. Neste duelo, a missão de ser o segundo árbitro foi de Guilherme Mendonça, com Ivan Couto sendo o juiz principal. 

"Quem conhece de vôlei, sabe que isso faz o adversário levar vantagem. Existe toda uma estratégia, que parte do saque, passando pelo tipo de bloqueio, ataque e defesa. Quem falar que isso não tem valor, é por conveniência", reforça. 

Reclamação

O Minas enviou um ofício e vídeos para a CBV com os lances em que se viu prejudicado. A reportagem fez contato com a Comissão Brasileira de Árbitros de Vôlei (COBRAV), que informou que "está estudando profundamente o vídeo recebido" e deixando claro que o momento era precoce para qualquer tipo de comentário. Procurado, o time de Osasco preferiu não se manifestar. Ao mesmo tempo em que reconhece a o mérito do adversário, Nicola pede que para situações parecidas sejam evitadas no futuro. 

"Sinto muito pelo que aconteceu e já pedi desculpas pela minha relação. Mas precisamos ter atenção a uma regra básica do esporte. É um grande problema não respeitar o regulamento. Deixo claro que Osasco teve todos os méritos na vitória, jogamos muito abaixo. Nossa reclamação não tem relação com o resultado do jogo", esclarece. 

Esportivamente

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Daniel Ottoni é repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, do portal Super.FC e da rádio Super. Com experiência de cobertura em Copa do Mundo, Olimpíada e Mundiais de vôlei, tem uma predileção por bastidores e lado B. Por aqui, espaço para os esportes que têm uma religião chamada futebol como concorrente em muitos momentos.

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