Lohanna Lima
10/02/20
08h00

Copa do Brasil

Atacante do Campinense supera trauma, volta a jogar após sete anos e mira o Galo

Em 2012, Fábio Júnior esteve em campo na partida entre Al-Ahly x Al-Masry, que terminou com mais de 70 mortos; retorno aos gramados aconteceu nesse domingo pelo Campeonato Paraibano

Fábio Júnior voltou a jogar pelo Campeonato Paraibano Foto: Samy Oliveira/Assessoria do Campinense
Lohanna Lima
10/02/20 - 08h00

A tarde desse domingo, (09), foi de superação para o atacante Fábio Júnior. Aos 37 anos, o jogador voltou a disputar uma partida de futebol após longos sete anos longe dos gramados, na derrota do Campinense para o Atlético-PB, por 1 a 0, pela quarta rodada do Campeonato Paraibano.  Tanto tempo de inatividade teve uma forte razão: o jogador precisou superar o trauma que viveu em 2012, quando atuava pelo Al-Ahly, do Egito.

Em um clássico contra o Al-Masry, pelo campeonato nacional, torcedores dos dois times invadiram o gramado e mais de 70 pessoas morreram após uma confusão generalizada. Traumatizado, Fábio Júnior ficou por mais um ano no Egito após a tragédia, mas resolveu abandonar o futebol, até que em dezembro do ano passado foi convidado a retornar ao clube paraibano, pelo qual foi campeão Estadual em 2008 e jogou a Série B no ano seguinte.

Agora, o atacante que teve passagens por Flamengo, Vasco e pelo Real Madrid B, vive a expectativa de jogar uma competição nacional. O próximo compromisso da equipe é contra o Atlético, na quarta-feira, (12), pela primeira fase da Copa do Brasil. Apesar do longo tempo longe dos gramados, ele garante que a parte física não será problema e que está à disposição do treinador Canindé.

“Foram dois meses trabalhando antes que minha regularização no BID saísse, o que ocorreu na semana passada. O Campinense é um clube que me recebeu muito bem, me deu oportunidade para trabalhar. Estou de volta para tentar trazer alegria ao torcedor como foi no passado. É sempre bom jogar contra grandes clubes, porque eles dão espaço para a gente jogar. O Atlético é grande, mas serão 11 contra 11”, projetou Fábio em contato com o Super FC.

Tragédia

A partida que mexeu tanto com o psicológico do atacante Fábio Júnior ocorreu no dia 1º de fevereiro de 2012 e ficou conhecida como a “Tragédia de Port Said”. Na ocasião, o Al-Ahly saiu na frente no placar com um gol de Fábio Júnior, mas sofreu a virada do Al-Masry por 3 a 1. Ao fim do jogo, torcedores da equipe vencedora invadiram o gramado e entraram em confronto com seguidores do Al-Ahly. Segundo números divulgados pelo governo egípcio, 74 mortes foram confirmadas, sendo a maioria de torcedores do Al-Ahly. Após o massacre, o Campeonato Egípcio ficou suspenso por um ano.

Fábio Júnior era o único brasileiro em campo na partida e, na época, deu diversas entrevistas aos veículos brasileiros relatando o horror das cenas presenciadas, definidas por ele como “cenário de guerra”. Após o jogo, o Al-Ahly comprou passagens para que o jogador retornasse ao Brasil por cerca de 15 dias. O atacante estava há sete meses no Egito e ainda tinha mais de dois anos de contrato para cumprir. Ao retornar ao país por mais um ano, enquanto a competição estava suspensa, ele pediu a liberação do clube e manifestou o desejo de voltar ao Brasil após o trauma. Voltou, mas decidiu se afastar do futebol até a partida desse domingo contra o Atlético-PB.

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