Bruno Voloch
28/10/21
07h54

A diferença entre opinião, preconceito e discriminação

O papel do Minas no caso Maurício Souza

Aceitar é uma escolha, respeitar é dever de todos

Bruno Voloch
28/10/21 - 07h54

O vôlei com conhecimento e independência jornalística

O blog se sente à vontade para tratar do polêmico tema envolvendo a demissão de Maurício Souza do Minas.

Era importante aguardar o desenrolar dos fatos, incluindo a posição do clube, para abordar a questão com o merecido espaço.

De cara é fundamental dizer que o respeito não vê cor, religião e muito menos orientação sexual.

Maurício discordou da questão de sexualizar heróis, seja ele Superman ou qualquer um do gênero. Na cabeça dele, um processo negativo para influenciar crianças.

Na cabeça dele.

Ponto.

Para muitos, o jogador errou. Um exemplo clássico de homofobia.

Para outros, não ofendeu ninguém. Opinião.

A tal democracia.

Não vamos e não podemos entrar no plano sexual. É obrigação de todos respeitar o próximo independentemente de sua orientação.

A sensação, do lado de fora, é que o Minas, um dos mais tradicionais clubes do Brasil, foi pressionado pelos patrocinadores, e seus dirigentes, acuados, perderam a mão.

Abre-se a partir de agora um precedente perigoso. Não me parece iniciativa própria, algo que seria louvável e significativo para o Minas.

Responder à ofensa com ofensa é lavar a lama com a lama.

O conhecido politicamente certo.

A única certeza é que não havia mais clima para o jogador no clube, especialmente pela má relação com a torcida, maior patrimônio do Minas.

A experiência e os anos de estrada nos ensinam que pensar alguns segundos antes de falar é muito melhor do que perder horas tentando se explicar.

É essencial nesse processo entender a diferença entre opinião, preconceito e discriminação.

Opinião é diferente de discriminação, preconceito e política.

Em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades.

O preconceito é o ato de julgar alguém antes de conhecer o objeto de juízo e acontece das mais variadas formas como origem na cor da pele, na religião, comorbidade, deficiência, na aparência física, no gênero e na sexualidade.

É inaceitável em pleno século 21 qualquer forma de preconceito nas relações humanas. Prejudica, fomenta o ódio e atrasa sensivelmente o desenvolvimento de uma sociedade justa e democrática.

Devemos reprimir todo e qualquer discurso de ódio, apologia a crimes como pedofilia, homofobia, racismo, etc.

Só que toda ação tem uma reação, ainda que em muitos casos desproporcional.

Apesar de socialmente ligados, os termos preconceito e discriminação têm significados diferentes.

O preconceito é o pré-julgamento, a discriminação é o ato de diferenciar, de dar tratamento diferente. A discriminação é a ausência de igualdade.

O triste é constatar que no meio da turbulência aparecem aqueles (jogadores e técnicos) que se consideram os donos da verdade.

O homem não é julgado pelas suas opiniões, mas pelos seus atos.

Só que palavras não são fatos, ação é a única verdade. Saber a hora de calar é sinal de sabedoria.

O Minas precisava responder. Foi obrigado.

E respondeu, afinal são os patrocinadores que pagariam o contrato dele.

É a tal coisa: manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Aqueles que se acham os donos da verdade transformam indiretamente o mundo em uma guerra de egos sem fim, outro enorme problema da sociedade.

E quem disse que o vôlei escapa.

Não mesmo.

Hipoteticamente nossas convicções se tornam incertas e você não é o dono da verdade.

Você é no máximo dono do ‘sim’ e do ‘não’.

Quem acredita ser dono da verdade não possui verdade alguma. E ter opinião própria não significa ser o dono da verdade, o que a maioria confunde.

Fato é que se a gente não concorda com os atos, as atitudes, e as opiniões de uma pessoa, não quer dizer necessariamente que somos contra ela, mas apenas, que temos atos, atitudes e opiniões diferentes.

⁠É aquilo: justificar o seu erro usando o erro de outra pessoa é o maior erro.

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Carioca, formado em jornalismo, 32 anos de atuação na área em diferentes veículos de comunicação como televisão, rádio, jornal e internet.

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