Cadu Doné
@otempo
17/05/21
03h00

Cadu Doné

Cemitério de jogadores

Daniel Alves afirmou que o Brasil é um cemitério de técnicos e jogadores. Uma declaração inspirada, corajosa e bem embasada

Cadu Doné | @otempo
17/05/21 - 03h00

Em interessantíssima entrevista publicada pelo “The Guardian” no começo deste mês, Daniel Alves – uma das personas mais fascinantes do futebol brasileiro – disse que nosso país é um cemitério para técnicos e jogadores. A declaração inspirada, verdadeira, corajosa e bem embasada tocava em diferentes vieses. O conservadorismo tupiniquim na avaliação de treinadores, por exemplo, foi um dos fundamentos – o brilhante lateral merecidamente convocado para a seleção na última sexta sempre manteve-se em louvável cruzada para defender, mesmo nos momentos mais difíceis, em que tinha certeza de que esta postura o levaria a receber críticas implacáveis, o talento de Fernando Diniz. Larga fatia da mídia e do público cria julgamentos peremptórios a cada semana; a exagerada bipolaridade de opiniões não permanece dentro do reino das saudáveis mudanças.

 

Moendo reputações

Ser agraciado pela oportunidade de integrar o escrete canarinho configura-se um sonho. Paradoxalmente, pela insensatez na hora de construir os discursos que formarão o senso comum, atuar pela seleção brasileira nos últimos anos, em diversos sentidos, tornou-se um fardo – o mesmo que enfrentar um pelotão de fuzilamento. As pelejas da amarelinha geram burburinho que transcende a bolha dos que acompanham regularmente o esporte bretão; estes “não iniciados”, despidos de repertório para examinar, vão apropriando falas lançadas ao vento que invariavelmente destroem profissionais de primeira grandeza sem qualquer consideração pelo já conquistado.

 

Injustiçados

Devido ao descrito fenômeno, pela maneira cruel com a qual descartamos indevidamente diversas figuras da modalidade que mais amamos, virou padrão: há uma série de brasileiros que são respeitadíssimos mundo afora e que, em nossas bandas, de um jeito surreal, sofrem desprezados. Nossa seleção carrega consigo cobrança desmedida; se ela não ganha, o cacoete das pessoas de tentar “achar” uma explicação, culpados por derrotas que simplesmente fazem parte do jogo, resulta na analisada caça às bruxas.

 

Chorão?

Thiago Silva: carreira tão grandiosa quanto regular, irretocável. Um dos melhores zagueiros do planeta da sua geração. Felizmente lembrado por Tite na sua recente lista. Louvado na Europa enquanto defensor exemplar. Sinônimo de refinamento, solidez, força mental para não afinar em decisões. Na sua própria pátria? Rotulado como chorão, condenado por não se oferecer para bater um pênalti numa narrativa tosca, superficial, imprecisa; destino selado por quem nunca viu uma partida dele no PSG.

 

Ironia

Uma espécie de tapa de luvas o fato de que, além do “Monstro” que brilha no Chelsea, outro atleta subestimado pelos compatriotas vá disputar a final da Champions: Fernandinho segue amado por Guardiola, pelos irmãos Gallagher, por toda a torcida do City; na sua terra natal, o volante padece com as piadas infundadas que se apoiam em maniqueístas clichês acerca de apenas dois cotejos da seleção. O “tio do zap” entende mais do que o melhor técnico da história...

Decepcionante

O clássico de ontem foi pobre em termos criativos; peças ofensivas não se destacaram. Os zagueiros levaram a melhor.

Réver

Réver de volante, hoje, não me parece uma opção interessante. Pouca mobilidade, não fornece dinâmica e agilidade ao meio-campo.

 

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