Cadu Doné
22/11/21
03h00

Cadu Doné

Cuca e os profetas do acontecido

Com sete jogadores excepcionais para escalar do meio para frente, e apenas seis vagas, Cuca teria a difícil tarefa de colocar um no banco

Cadu Doné
22/11/21 - 03h00

Nos dias antes da vitória do Galo sobre o Juventude, bom debate surgiu: com sete jogadores excepcionais para escalar do meio para frente, e apenas seis vagas, Cuca teria a difícil tarefa de colocar um no banco – claro que, pela excelência das peças disponíveis, estamos diante do famoso clichê: a dúvida que qualquer comandante deseja possuir. Apesar de a arenga, conforme mencionei, desvelar-se estimulante, sentia o velho pendor da medíocre imprensa esportiva: para os defensores de Nacho, por exemplo, detectava-se em muitos aquela sanha, um sorrateiro ímpeto para que, se ele não atuasse, e o resultado não fosse positivo, o enfadonho “Hate To Say I Told You So” – nome de uma música somente ok da mediana The Hives – fizesse o limitado arauto encher o peito e nos “brindar com seus poderes premonitórios”. O jogo começou e a ânsia pelo acerto...

As redes sociais...
A bizarrice das redes sociais nos presenteia com o auge da ignorância humana. Argentino no banco. Poucos minutos sem ele; naturalmente, o Atlético não tinha marcado. Aos 35 da etapa inicial, o acaso beneficiou o craque ex-River. Cuca acertou ao eleger um meia para o posto de um zagueiro contundido. Coragem e inteligência louváveis. O alvinegro martelou. Pelos critérios volume, chances de gol, fazia jus à abertura do placar. Pênalti inexistente assinalado – e para mim nenhum dos reclamados na etapa inicial haveriam de levar a redonda para a marca da cal. Porteira escancarada. E nosso profeta do acontecido: tá vendo?! Nacho entrou!

Humildade para dizer não sei
Allan inquestionável. Jair em fase iluminada. Zaracho tão consistente quanto brilhante. Hulk absoluto. Keno recuperando a forma. Diego Costa entregando. E Nacho voltando de contusão. O que fazer? Quem tirar? Simplesmente tenho dúvidas. Não caberia o carimbo de certo ou errado. Qualquer decisão do treinador se configuraria mais do que plausível. Prevalece tácita, sorrateira, uma máxima na maltratada mídia esportiva para não se ficar “em cima do muro”. Eu amo a dúvida. Tenho poucas certezas.

Em cima do muro
O método de Descartes cultiva a dúvida. Sua estratégia é decupar as proposições o máximo possível para depois de longo processo extrair algo válido. Repito: adoro as perguntas. Duvido até da ode à dúvida de Descartes. O francês, de certa maneira, acerta o alvo em cheio; mas por estradas tortas. E como já disse aqui em outras oportunidades: não é só o fim que vale. Costumeiramente a beleza e os méritos estão na construção. Talvez despejar verdades e se perder na conclusão seja melhor.

Subestimando a rivalidade
Adversário do Galo amanhã, o Palmeiras vem de três derrotas. Abel abandonou o Nacional há tempo. Questionável. Compreensível poupar em alguns cotejos antes da decisão de sábado. Na medida em que iria preservar em diversas ocasiões, e não em todas, dava para fazer planejamento em que, diante do São Paulo, o Verdão entrasse com escrete no mínimo próximo do ideal. Rebaixar o tricolor seria importante para sua gente. E isso não anularia o foco total na Libertadores.

É campeão
Criar celeuma pelo grito de “é campeão” que ressoou no Mineirão é desonestidade ou limitação intelectual. Não houve soberba.

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