Cadu Doné
19/07/21
03h00

Cadu Doné

Cuca: mudando os jogos

Nas duas últimas rodadas do Brasileiro, Cuca fez substituições decisivas

Cadu Doné
19/07/21 - 03h00

Cuca: mudando os jogos

Sempre quando um time não agrada em partes significativas de um jogo e cresce no segundo tempo após intervenções do treinador, fica aquela dúvida: existiu erro na escalação, na execução da estratégia no começo da partida – e o comandante nada fez além de corrigir esses equívocos –, ou simplesmente brilhou a estrela do “professor”, que teve capacidade para ler as circunstâncias e intervir no confronto? Nas duas últimas rodadas do Brasileiro, Cuca fez substituições decisivas ao longo dos cotejos. Diante do América, Hulk e Borrero construíram o tento da vitória instantes depois de pisarem no campo, de entrarem na etapa final. No triunfo sobre o Corinthians no sábado, o alvinegro de Minas despertou absurdamente na volta do intervalo e fez jus ao imenso resultado. A ingerência de Cuca provou-se indelével e não se limitou à troca de nomes.

Grandes sacadas

Sem Keno, Marrony e com Savarino poupado, o Galo sofreu com a carência de opções para fazer a função de ponta típico, de atacante de lado vertical, veloz, driblador. Em Itaquera, as duas peças ofensivas que iniciaram a peleja ocupando os flancos, Hyoran pela esquerda, e Zaracho pela direita, são meio-campistas de origem. Como tais, ambos exibem a tendência de, mesmo abertos, afunilarem na fase ofensiva. Se isso acontecia, quem garantia a amplitude do escrete no momento de agredir? Os laterais, Dodô e Mariano. Uma das grandes sacadas de Cuca para a metade derradeira em São Paulo: trazer Zaracho para o centro, e deslocar Hulk para a direita.

Ótima notícia  

Hulk tem sido o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro. Mesmo com o ligeiro jejum de gols que vivia até as pérolas que destruíram o Timão, a maré como centroavante seguia impecável (participações frequentes em lances incisivos, assistências, dribles...). Representativa a constatação de que, além do encaixe perfeito como “9”, o super-herói da massa permanece afiado para render em sua posição clássica: meia-atacante aberto pela direita. A completude do seu repertório impressiona.

Já do outro lado...

Se Cuca interferiu positivamente no triunfo do Atlético, interpretando com maestria as situações que o duelo impunha, o vexame do Cruzeiro frente ao Avaí passou pelas bobagens perpetradas por Mozart. Colocar um volante na zaga, em si, não é problema. Inadequado é apostar em Cabral como um dos beques mais próximos ao lado numa linha de três – o argentino não goza da velocidade necessária para cobrir os espaços do modo que se revela compatível a esse labor, não tem físico para sair à caça.

Desastre celeste

A Raposa, que já não jogava bem, se transformou num arremedo de equipe, num bando em campo com as alterações atrapalhadas do seu treinador. Com Rômulo no meio, Cabral na zaga e Felipe Augusto na lateral, o poder de marcação era zero; a agilidade, nula. O convite para os contra-ataques estava entregue. O oponente nadava de braçadas em meio ao latifúndio concedido pelos celestes. A aposta em Claudinho também naufragou. Poucas vezes vi um técnico mexer tão mal.

Impossível

Com tempo para treinar, Mozart conseguiu o que soava impossível: piorar um conjunto que já não apresentava absolutamente nada.

Recuperação

Dylan Borrero, mais uma vez, entrou bem. Cedo para comemorar, mas são fortes os indícios de que Cuca recuperou esse jogador. 

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