Cadu Doné
13/09/21
03h00

Cadu Doné

Galo iluminado

Vitória gigantesca do Galo. E emblemática para quebrar estereótipos

Cadu Doné
13/09/21 - 03h00

Vitória gigantesca do Galo. E emblemática para quebrar estereótipos. O primeiro tempo foi bom. Não excepcional. Pautou-se por um controle da posse, por um estilo propositivo, por uma imposição por meio da troca de passes extremamente cristalina. Cucabol? Chutões? Estilo estritamente reativo, ancorado nas transições? Ausência de sofisticação do comandante para desnudar variações, para buscar ofensividade mesmo numa partida difícil, fora de casa? Tudo meticulosamente o oposto disso. Na etapa final, como vem sendo absurdamente comum, o treinador tira coelhos da cartola, transforma o embate, corrige os defeitos e abocanha o triunfo. Garantia de títulos não existe. Adversários complicados se espalham – Flamengo e Palmeiras, principalmente. Não vejo hoje o alvinegro sucumbindo por deméritos próprios. Se perder, será por qualidade alheia.

Injustiça
O Atlético, em Fortaleza, optou, sim, por uma escalação mais precavida do que aquela que vigorava nos últimos tempos. Há, contudo, uma armadilha: normalmente, quando algo eleva-se a um patamar muito alto e em certa medida, digamos, além do esperado, ao voltar para um grau mais corriqueiro, parece se enquadrar numa coisa ruim, exatamente oposta à anterior. O Galo vinha atuando com Allan de primeiro volante e Zaracho de segundo homem. Coragem pura. Somente uma peça prioritariamente de marcação. E olhe lá. Dar chance para Jair, ter dois “marcadores” pelo centro, e conceder mais liberdade ao criativo Zaracho é escolha absolutamente trivial.

Crescimento
Alguns nomes outrora trepidantes, num passado recente questionados, andam melhorando. Vargas se enquadra nesse rol. Tanto no cotejo diante do Bragantino quanto na vitória de ontem, o chileno foi substituído quando estava bem. As escolhas por alterações ao longo dos duelos transcendem a apreciação do nível do atleta naquele instante. Existem ideias, comunhão de estilos. Em ambas as situações, o que fora cornetado como deslize de Cuca materializou-se em mais um acerto do treinador alvinegro.

Destaque
Zaracho, novamente, na exuberante tarde de domingo, foi o melhor em campo. O argentino já nos forneceu provas suficientes da completude do seu jogo, da sua notável versatilidade. Óbvio que ele pode executar labor pelos flancos. Sigo com a impressão de que os melhores atributos da pérola lapidada no Racing desabrocham, sobretudo, desfilando pelo centro. Segundo volante, armador que se movimenta por trás do nove, e até ponta que afunila com muita frequência: prender-se pelas laterais, não dá.

Cautela
Houve contragolpe na etapa derradeira no qual Diego Costa, um pouco à frente do meio-campo, recebera passe com um latifúndio à sua frente, evidente espaço para, como uma locomotiva, conduzir à bola e parar “dentro do gol”. O craque atleticano, que não é um mero definidor conforme muitos pensam, hesitou, não atacou o espaço, esperou um companheiro chegar para tocar de calcanhar. Nenhuma celeuma, nada de polêmica. Sintoma de que o físico ainda precisa evoluir.

Receita
Cuca, Sérgio Coelho, Rafael Menin: muita gente boa para dar errado. O Galo ainda conta com ótimo departamento de estatísticas.

Respeito
David Luiz: acréscimo estupendo ao elenco do Flamengo; corrige a principal lacuna do plantel. O rubro-negro segue fortíssimo.

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