06/12/21
03h00

O renascimento de um craque

Em partidas recentes, voltou a ser o Keno que a torcida se acostumou a reverenciar

06/12/21 - 03h00

Keno era a estrela da companhia da era Sampaoli. No início da temporada, com as novas aquisições do “novo rico” de Minas, passei a afirmar que o Galo tinha – uso o verbo no passado porque contratações foram ocorrendo – quatro craques: Nacho, Hulk, Arana e Keno. Diego Costa aterrissou em grande estilo; quinta pérola do plantel estrelado. Acaso, azar. Keno perdeu boa parte da campanha épica do Atlético. Não por culpa dele, mas questões físicas e de adaptação ao novo formato de Cuca – que mexeu bastante no papel dos pontas, que passaram a afunilar –, apagaram seu brilho. Em partidas recentes, voltou a ser o Keno que a torcida se acostumou a reverenciar. Diante do Furacão, melhor em campo. No cotejo épico que assegurou o título, comandou tudo; fundamental, destruidor; ontem, na festa diante do Bragantino, gol, assistência... Perfeito.

Hulk e Reinaldo

Claro que não cometeria a blasfêmia de comparar o melhor do futebol brasileiro atualmente com o Rei, a majestade, aquele que é, disparado, o maior, o melhor da história do Galo. Mas quem conhece, estuda a história do Atlético, percebe que o super-herói da massa esbanja um atributo que nosso craque eterno carregava como ninguém: notável como ambos exibem uma facilidade quase artística, belíssima, inefável de destruírem goleiros, gelados, sem tremer na hora “h”, finalizando com cavadinhas tão eficientes quanto maravilhosas. Puxando pela memória, abrindo o leque para encontrarmos atletas com qualidades semelhantes, lembro principalmente de Romário.   

“New Mineirão”

Sigo crítico da consolidação das arenas pasteurizadas, símbolos da criminosa elitização, da insípida gentrificação do esporte que outrora era do povo. Por mais que a torcida do Atlético seja maravilhosa, enxergava quem relacionava a emoção recente advinda no “New Mineirão” ao desconhecimento do que vigorava, pelo menos, nos anos 90. Acabaram com o Maracanã. Destruíram o Mineirão. Ao mesmo tempo, me toco tanto com depoimentos de quem desopila tudo nos atuais cotejos do alvinegro em casa que...

Coração

Quem se desmanchou em emoção no Gigante da Pampulha em semanas recentes, por mais que desperte em mim até talvez determinada soberba por ter testemunhado uma época mais romântica e democrática, quebra minha frieza. Me desarma. Toca meu coração. Ganho a convicção de que o Mineirão, hoje, não é palco de um comportamento tão insosso quanto poderia projetar. Sou saudosista. Mas ainda existe e vejo emoção nas cadeiras que abrigam, usualmente, endinheirados. Novos tempos.

Projeção

O dinheiro sempre fez diferença. Na vida. No status. Em tudo. Até de um jeito e em patamares desagradáveis. No futebol, quase sempre mostrou-se fundamental. No ludopédio atual, a grana tornou-se mais fundamental. Mais decisiva. Por essas e outras, não me parece irresponsável vislumbrar um domínio de Galo, Palmeiras e Flamengo em curto e médio prazos. O Corinthians, por mais que esteja perdido nas contas quase como o Cruzeiro, dormiu pobre e acordou rico. Vai saber...

Hulk domina

Perguntar se Hulk é o melhor do Campeonato chega a ser uma afronta. Tão óbvio que se alguém votar em outro precisa ser internado.

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