Daniel Ottoni
@dottoni
03/01/22
10h53

Sem limites

Escalada: jovem de 11 anos chama atenção ao superar vias em rochas mineiras

Raul de Morais se afirma como um dos maiores talentos do país, conseguindo superar barreiras ainda não alcançadas por escaladores bem mais experientes

raul morais escalador
Raul já realiza trabalho em conjunto com a ABEE — Foto: Felipe Sisan
raul morais escalador
Raul começou a escalar com apenas dois anos de idade — Foto: Divulgação
Daniel Ottoni | @dottoni
03/01/22 - 10h53

Com apenas 11 anos de idade, o jovem Raul de Morais chama atenção do mundo da escalada brasileira. Os seguidos feitos em vias que seguem intransponíveis para muitos amantes bem mais velhos da modalidade mostram o potencial do curitibano, que começou no mundo das agarras com apenas dois anos. Nos Jogos de Tóquio, em 2021, a escalada esteve presente na Olimpíada pela primeira vez na história. 

Aproveitando o muro de escalada dentro de casa, construído pelo pai, Murilo Nedochetko, também escalador, ele nem quis saber do pequeno brinquedo que o pai havia projetado para ele, já se desenvolvendo no muro que o próprio pai usava.  

"Ele preferia se pendurar no muro inclinado, de grau negativo, sempre se mostrou muito mais interessado a isso. Nunca coloquei muita expectativa no que ele poderia fazer, mesmo com ele conseguindo coisas que eram consideradas superiores pra alguém do seu tamanho. Fica claro pra mim que ele faz porque gosta, escala por amor. Muitos me dão os parabéns, mas eu estou apenas próximo, os méritos são todos dele", comenta o pai.

O começo de tudo veio por influência direta de uma conhecida, que deu a dica sobre os feitos que Raul poderia alcançar se as pedras certas fossem colocadas no seu caminho.

"Quando ele tinha cinco anos, uma amiga escaladora disse que ele tinha um posicionamento e consciência incríveis e que precisávamos criar para a ele a oportunidade de fazer isso a sério. Em 2017, quando ele tinha seis anos, foi possível inscrevê-lo em um campeonato brasileiro infantil. Fizemos isso e ele trouxe o ouro para casa", lembra a mãe, Luciana de Morais.

Nomes que são referências da escalada brasileira rasgam elogios ao jovem, sabendo que estamos diante de um potencial que tem muito mais, ainda, para ser explorado e derrubar novas barreiras. 

"Ele, recentemente, começou a mostrar gosto pela dificuldade. Nas vias que tem encadenadado já mostrou que está bem longe do seu limite, fez o primeiro 9b em poucas tentativas. Ainda não sabemos seu potencial atual, mas hoje ele conseguiria fazer vias bem mais difíceis do que já fez", comenta José Luís Kavamura, um dos grandes nomes da escalada brasileira. 

"No futuro, com tamanho, experiência, e mais força e coordenação, ele tem tudo para se superar. As novas gerações têm tudo para ir além em relação às anteriores. Cada vez mais setores de escalada estão estabelecidos, temos novos ginásios que surgiram nos últimos tempos, o conhecimento de escalada e treinamento que vêm sendo desenvolvidos. Eu gosto da idéia de poder ser espectador dessas crianças que conseguem fazer o que nós não conseguimos", completa. 

Crescimento

O talento de Raul chamou atenção da Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE), que o integrou em suas atividades desde outubro de 2021, com os treinos contribuindo para acelerar a evolução do pequeno. 

"Estou tendo a chance de competir e treinar com atletas mais fortes, isso me inspira pra me superar e ir além. Meus sonhos são ir pra Olimpíada e finalizar a Logan, a via mais difícil do Brasil na atualidade", comenta Raul, demonstrando uma maturidade diferenciada para alguém da sua idade. 

Entre as conquistas de Raul, estão o de campeão brasileiro de dificuldade em 2017 na categoria infantil e o de campeão brasileiro de boulder e dificuldade em 2018 na mesma categoria. Quando competiu com atletas dois anos mais velhos, foi vice-campeão brasileiro de boulder e terceiro lugar no Brasileiro de dificuldade na categoria juvenil C.

No topo das vias brasileiras

Minas Gerais tem participação importante no crescimento do menino, que aproveita as viagens para a terra da mãe para explorar novos locais que contam com presença frequente de escaladores, a exemplo de Milho Verde e Serra do Cipó. 

"O Estado sempre esteve entre os melhores do Brasil para a escalada em rocha. Desde 1999 tenho frequentado a Serra do Cipó e arredores. E sempre aparecem novas áreas. Com a qualidade e quantidade de rocha da região, a hospitalidade da comunidade local e a motivação dos equipadores de vias, não param de aparecer novos setores. Foi num desses que o Raul fez seu primeiro V8, e lá esperam muitos outros desafios. Quem sabe ele não criará novos desafias para as gerações depois dele?", indaga Kavamura. 

Vias superadas por Raul de Morais

9b - Seu Lilo e Boca Mordendo, ambas em Corupá, SC
9a - Premonição, Caxias do Sul
8c - Durepox, Caxias do Sul
8b - Badalhoca e Exclonai, ambas em Corupá
8a - Queimando Tudo, Serra do Cipó 

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Esportivamente

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Daniel Ottoni é repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, do portal Super.FC e da rádio Super. Com experiência de cobertura em Copa do Mundo, Olimpíada e Mundiais de vôlei, tem uma predileção por bastidores e lado B. Por aqui, espaço para os esportes que têm uma religião chamada futebol como concorrente em muitos momentos.

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