Daniel Ottoni
@dottoni
14/05/21
15h08

Crônica

Um prêmio para o árbitro que colocou em prática tudo que o incomodava no futebol

'Seu' Odair permitia cobranças rápidas e punia quem as impedia, sem titubear. Não foi á toa que foi eleito o melhor do país, com seus jogos tendo mais bola rolando que os demais

Daniel Ottoni | @dottoni
14/05/21 - 15h08

Odair demorou mais de 10 anos pra chegar no mais alto nível da arbitragem do futebol brasileiro. Passou pela várzea do futebol mineiro, quando encarou poucas e boas nos campos de periferias e comunidades, precisando sair 'corrido' em algumas situações e até em carro da Polícia. 

Tudo contribuiu para sua formação para chegar no lugar que mais desejava. Passou pelas Série D, C, B, até apitar jogos do principal campeonato do país.
E foi, somente quando chegou no seu objetivo, que resolveu colocar em prática ideia que tinha desde quando ainda estava nas aulas de arbitragem.

Sabia que seria um risco, mas resolveu apostar na sua intuição, acreditando que seu estilo de comandar uma partida traria importantes contribuições ao futebol. 

A primeira vontade era permitir que faltas fossem cobradas rapidamente. Já tinha autorizado este tipo de cobrança em uma ou outra oportunidade, algo que poucos árbitros também permitiam, dependendo muito da situação.

Mas, com 'seu Odair', quem fosse esperto e percebesse, o quanto antes, o seu estilo, poderia tirar proveito. Foi logo na primeira rodada que seu nome 'caiu' na boca de comentaristas e nas mesas sobre os jogos da rodada. 

Responsável por apitar um dos principais confrontos, ele teve influência direta (e positiva) em quatro dos sete gols.

Logo aos 10min, uma falta perto da área foi cobrada rapidamente. O time adversário parou, achando que o juiz não autorizaria, mas isso não aconteceu. Bola na rede e a reclamação 'comeu solta'. No fim do primeiro tempo, foi a vez do time 'prejudicado' descontar na mesma moeda, fazendo o adversário provar do próprio veneno. 

Os dois times voltaram para o segundo tempo 'calejados' e já sabendo que deveriam aproveitar o estilo liberal de seu 'Odair'. Dois gols de bola parada aconteceram na etapa final, com os responsáveis pela cobrança logo colocando a bola em jogo. A bola rolava muito mais, a partida se tornava mais atrativa para todos. 

Pra completar o perfil inovador do árbitro, ele não pensava duas vezes para amarelar e até expulsar os 'espertinhos' que insistiam em ficar na frente da bola, impedindo a cobrança rápida, fosse em qualquer lugar do campo. 

Distribuía cartões com facilidade, punindo o que achava uma das estratégias mais nefastas do futebol brasileiro. Quem tivesse cartão, logo recebia o vermelho. Na sua estreia, foi uma expulsão pra cada lado.

O que tinha tudo pra ser um jogo de reclamação dos dois times, terminou com os jogadores satisfeitos por ver o critério sendo adotado para ambas as equipes. Bastava ser esperto (no bom sentido) para bater rapidamente as cobranças e não impedir que as cobranças fossem feitas para se ganhar tempo, algo que o árbitro abominava desde os tempos de torcedor.

Morria de raiva como quase todos os árbitros permitiam aquilo, sendo que a vantagem ia para o lado que jogava contra o maior tempo de bola rolando.

Sempre que ia apitar, os times em campo já sabiam como deveriam proceder nas situações. Não foi à toa que, ao final do campeonato, Odair foi eleito o melhor árbitro do campeonato, com seus jogos tendo 20% de bola rolando a mais que seus companheiros, em partidas com mais gols e mais espaço em campo, graças às expulsões dos que insistiam em ficar na frente da bola quando deveriam correr atrás dela. 
 

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Esportivamente

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Daniel Ottoni é repórter de esportes especializados do jornal O Tempo, do portal Super.FC e da rádio Super. Com experiência de cobertura em Copa do Mundo, Olimpíada e Mundiais de vôlei, tem uma predileção por bastidores e lado B. Por aqui, espaço para os esportes que têm uma religião chamada futebol como concorrente em muitos momentos.

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