THIAGO PRATA
@SUPER_FC
25/05/16
14h43

FIM DO CASAMENTO

Cruzeiro quer romper com Minas Arena, mas espera continuar no Mineirão

Raposa se diz prejudicado com acordo com a empresa que administra o Gigante da Pampulha e quer utilizar o estádio nos moldes do Atlético

Cruzeiro e Minas Arena entraram em atrito após ações dos dois lados — Foto: Foto: Douglas Magno
THIAGO PRATA | @SUPER_FC
25/05/16 - 14h43

O contrato envolvendo Minas Arena e Cruzeiro foi envolto de polêmicas, atritos e ações judiciais. E um novo capítulo desta saga, iniciado nesta quarta-feira, pode resultar no fim da parceria entre as duas partes.

A diretoria da Raposa quer a rescisão do vínculo de fidelidade que possui com a empresa e que duraria 25 anos. O pedido foi protocolado na 32ª Vara Cível de Belo Horizonte. De acordo com o advogado do Cruzeiro Felipe Cândido, a Minas Arena descumpriu cláusulas do contrato firmado com os celestes. A agremiação exige uma indenização, mas espera continuar a mandar suas partidas no Gigante da Pampulha, nos moldes do arquirrival Atlético.

“O Cruzeiro quer o rompimento do contrato. Em três anos de relacionamento, não houve o cumprimento de algumas cláusulas. A Minas Arena deve R$ 25 milhões ao Cruzeiro. Em três anos de contrato, a empresa não teve o menor interesse nem a vocação de fazer uma parceria saudável com o clube. A Minas Arena age de forma desleal, sempre tentando benefícios financeiros nas costas do Cruzeiro. E para a diretoria do clube, era impossível manter este contrato”, relatou Felipe Cândido.

Muitos fatores fizeram com que a Raposa tomasse essa decisão. E esta surge também como uma forma de rebater o processo movido pela Minas Arena, que exige que o Cruzeiro está devendo à empresa um valor em torno de R$ 9 milhões.

“Com relação ao descumprimento contratual, o Cruzeiro tinha a prioridade de mandar suas partidas no estádio. Mas em datas reagendadas, em função de eventos que aconteceram ali, o clube deveria ser ressarcido com R$ 2,5 milhões por jogo. Isso não aconteceu. Houve quatro remarcações e o Cruzeiro não recebeu os R$ 10 milhões que deveria”, disse Felipe.

“Outros fatos aconteceram. Houve jogos em que a Minas Arena vendeu ingressos com valores inferiores aos que foram estabelecidos, indisponibilidade de vagas destinadas ao Cruzeiro no estacionamento do estádio e também o fato que ocorreu na final do Mineiro de 2013. Naquela oportunidade, a Minas Arena tocou o hino do nosso maior rival, mesmo com o mando de campo sendo do Cruzeiro. Tudo isso levou o Cruzeiro a tomar esta decisão”, completou.

No entanto, a diretoria celeste tem o intuito de continuar a mandar partidas no estádio, sem qualquer tipo de vínculo, assim como o Atlético o fez em outras ocasiões. Como na final da Libertadores de 2013, em que o Galo não pagou nada para atuar lá, em função de decisão unilateral do Governo do Estado.

“O Cruzeiro estabeleceu um contrato em 2013, um contrato que não tem mais condições de ser mantido. O clube quer utilizar o Mineirão em jogos da mesma forma que o nosso rival, o Atlético. Existem 66 datas para jogos no Mineirão. E o Cruzeiro quer continuar utilizando o estádio nas datas que puder. E ter direito de vender 54.500 ingressos por partida.”, afirmou o advogado.

Informações de bastidores dão conta de que o clube estrelado pode também mandar partidas para o Independência. Mas a agremiação não confirma isso.

“O Cruzeiro não tem como informar isso ainda, mas faz questão de continuar a utilizar o Mineirão. O fim do contrato de fidelidade não implica na possibilidade de o Cruzeiro não utilizar o Mineirão. O clube quer utilizar normalmente o estádio”, comentou.

Em janeiro deste ano, o presidente da Raposa, Gilvan de Pino Tavares, vinha usando um discurso de cordialidade com a Minas Arena, que acionou a Justiça para cobrar cerca de R$ 9 milhões.

“Nosso relacionamento nunca esteve desgastado. Acertamos com a Minas Arena para vendermos as cadeiras que ficavam vazias. E aquele valor (da dívida que o Cruzeiro possui, segundo a Minas Arena), no entendimento do jurídico, não é devido”, afirmou. (Com Thiago Nogueira)

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