Josias Pereira
@superfcoficial
04/09/19
09h30

Otimismo

Mata-mata é sinônimo de confiança para torcedores do Cruzeiro

Cruzeirenses relembram viradas históricas da Raposa em competições importantes ao longo da história

Josias Pereira | @superfcoficial
04/09/19 - 09h30

Confiança. Essa é a palavra que alimenta a esperança do torcedor cruzeirense hoje. Enfrentar o inferno colorado nesta noite, às 21h30, no Beira-Rio, não será fácil. Afinal de contas, a vantagem está com o Internacional, vitorioso na ida. Mas para quem se acostumou a escrever capítulos de glórias, nada é impossível. Nesta jornada de domínio no torneio nacional não foram poucas as vezes que muitos preteriram a Raposa, mas o time permaneceu de pé, honrando o histórico que possui. E são em exemplos do passado que os celestes se apegam para crer na reviravolta do hexacampeão em terras gaúchas. 

Foi assim na Supercopa de 1991, quando o ainda garoto Sílvio Araújo 'matou aula' no terceiro ano do ensino médio no Estadual Central confiante de que veria o Cruzeiro promover uma épica virada sobre o River Plate, que havia vencido na ida por 2 a 0, e levantaria o primeiro troféu internacional desde a Libertadores de 1976. 

"Todos nós nos ausentamos da escola para ir ao Mineirão. Não tínhamos visto ainda o Cruzeiro ganhar um título internacional porque o último tinha sido na Libertadores 1976 e nós éramos bebês ainda. Aquela Supercopa foi o primeiro título de expressão, a primeira conquista sem ser Campeonato Mineiro, que nós vimos o Cruzeiro ganhar. Naquele dia dos 3 a 0, com um gol do Ademir e dois do Mário Tilico, nós saímos do Mineirão em estado de êxito e é assim que nós estamos acreditando na vitória nesta quarta-feira", conta o hoje advogado, de 45 anos. 

Uma sensação indescritível que o administrador Lack Moy, 37, viveu em 1996, quando embarcou em um ônibus fretado pela Máfia Azul e foi a São Paulo para presenciar o que para muitos era improvável: o Cruzeiro, depois do empate em casa por 1 a 1, derrubar o poderoso Palmeiras da Parmalat dentro do Parque Antártica. 

"A maioria não acreditava na vitória do Cruzeiro, a verdade era essa. A gente saiu em uma terça à noite aqui de BH, chegamos cedo em São Paulo e já percebíamos aquele clima de já ganhou. Chegamos na Parque Antártica para comprar ingressos, mas não tinha porque eles não esperavam cruzeirenses por lá. Depois de muita luta conseguimos comprar e quando fomos para o jogo ainda ouvimos da Polícia que não havia como fazer escolta porque, para eles, o jogo seria de torcida única. Entramos no estádio após muito custo e realmente não tinha divisão, ficamos em um canto próximo ao banco do Cruzeiro. Eram 100 torcedores, no máximo. Começa o jogo e o Palmeiras todo no ataque, logo vem o gol do Luizão. Um banho de água fria. Estádio todo celebrando, já havia festa marcada na Paulista, faixa de campeão. Mas o Cruzeiro foi ganhando ritmo, e no fim do primeiro tempo veio o gol do Roberto Gaúcho. A gente estava vivo. Lembro daquelas defesas memoráveis do Dida, e a gente lá, cantando, vivendo o nosso mundo, contra todo aquele mar de palmeirenses. No final do jogo, a trapalhada do Velloso e o gol do Marcelo Ramos. Ali foi uma emoção tão grande que só quem viveu sabe. A gente não estava importando mais se não existia divisão, se queriam brigar com a gente, foi um sonho ver o Cruzeiro campeão fora de Minas. Ainda voltamos sem paradas, chegamos em BH no outro dia e eu fui direto para a carreata dos campeões no carro do corpo de bombeiros", recorda Lack. 

Cenas que vêm à memória do técnico ambiental Cristiano Claus, 45, que em 2000 deixou até uma certa inimizade de lado para festejar o gol de Giovanni, o tento do 2 a 1 que deu à Raposa o título da Copa do Brasil sobre o São Paulo de Rogério Ceni após iniciar a partida atrás no placar. 

"Quando a bola passou pela barreira, acho que todo o cruzeirense sabia que iria entrar. Aquela talvez tenha sido a emoção mais forte para mim dentro do estádio. Eu estava ao lado de um cara que eu não gostava muito, mas naquela hora a gente se abraçou, comemorou, foi uma sensação inexplicável. O Cruzeiro tem dessas e para hoje o que eu vejo é que dá para buscar o resultado. 1 a 0 é naquele estilo Copa do Brasil. Leva para os pênaltis, é classificação e festa", sacramenta Cristiano. 

Para avançar à final da Copa do Brasil, o Cruzeiro precisa vencer por dois gols de diferença. Um novo 1 a 0, só que favorável à Raposa leva a disputa para os pênaltis.

Escreva um comentário
Comentar
Log View
Vem ser Premium!
Seja Premium
Salve matérias
Você poderá salvar as matérias para ler quando e onde quiser.
Matérias Premium
Veja as matérias exclusiva para usuários premium.
Notificações
Receba notificações de novas matérias do seu time do coração.
Av. Babita Camargos, 1645 - Contagem Minas Gerais - CEP: 32210-180
+55 (31) 2101-3000