Daniel Ottoni
@superfcoficial
02/08/19
09h00

Ex-'vida loka'

Hannibal deixa vida de crime para trás e foca em invencibilidade no UFC

Lutador criado em Uberlândia teve envolvimento constante com crimes como tráfico de drogas e roubos de carga à mão armada

Hannibal viu adversário ser alterado de última hora — Foto: UFC - Divulgação
Daniel Ottoni | @superfcoficial
02/08/19 - 09h00

O passado dentro da vida do crime ficou pra trás para Cláudio Hannibal, lutador brasileiro de MMA que encara, neste sábado, o norte-americano Cole Williams no UFC Newark. O máscara usada pelo atleta, nascido em Rondonópolis (MT), mas que cresceu na mineira Uberlândia, tem relação direta com os incidentes da sua juventude, que são lembrados até hoje sem nenhum tipo de vergonha ou constrangimento. 

Quando morava em Minas Gerais, em uma residência próxima à BR-365, que liga o Estado a São Paulo, Cláudio teve envolvimento constante com crimes como tráfico de drogas e roubos de carga à mão armada. O fato do pai ter lhe ensinado a manusear uma arma com apenas 10 anos teve influência para um caminho que poderia se tornar sem volta. Entre os 14 e 20 anos, sua rotina era bem diferente da atual. A passagem pela prisão e os conselhos dos detentos e do juiz responsável pelo seu caso o fizeram abrir os olhos para seu potencial. 

"Tudo mudou quando eu fui privado da minha liberdade. Eu conheci vários criminosos mais velhos e um deles falou ‘É isso que você quer para sua vida? Você é campeão brasileiro, sai dessa’. O juiz que me julgou também me deu uma oportunidade porque sabia que eu era uma atleta, mas disse que não queria me ver ali nunca mais. Depois, quando eu fui lutar fora do Brasil, ele me deu a liberação do passaporte. Foram pessoas que me ajudaram, mudaram a minha cabeça. Eu saí da prisão com a ideia de que não voltar ali nunca mais e focar totalmente no esporte", relembra o atleta de 36 anos. 

Mesmo reconhecendo os erros, Hannibal acredita que tudo tem um motivo para acontecer. O destino fez com que ele precisasse passar por situações indesejadas para dar a volta por cima. "Acho que eu tive que passar por aquilo. Aprendi muita coisa e já sou um ser humano melhor. Todo mundo comete erros. Eu não tenho vergonha de falar do meu passado, mas é burrice continuar cometendo erros. Tirei lições de tudo que aconteceu. Estes episódios me trouxeram até onde estou hoje", avalia.

Invicto no UFC (cartel profissional de 13 vitórias e uma derrota), ele não se apega ao bom retrospecto, ciente de que é preciso merecer para seguir dentro da organização. "Essa sensação de invenciblidade não é nada. As vitórias do passado não garantem nada no futuro. Cada camp é uma nova história. Isso não toma minha cabeça. Meu foco é na minha performance e no meu treinamento a cada luta. Eu não me deixo levar por essa história de invencibilidade", afirma. 

Sua luta inicial estava marcada para encarar o russo Ramazan Emeev, que acabou sendo substituído. A mudança não incomoda o brasileiro, que mostra a confiança necessária para passar de cima do qe for preciso para chegar ainda mais longe. "Acho que são coisas do esporte, acontecem. Eu nunca tinha passado por isso, mas eu tenho uma preparação de uma vida inteira sempre treinando, então para mim nada mudou. Se o adversário mudar de novo, eu vou estar pronto também. O estilo desse oponente é parecido com o russo, então não mudou muita coisa na preparação. Estamos com a mesma estratégia de luta", analisa. 

 

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