Daniel Ottoni
@dottoni
28/06/20
09h00

In memorian

Técnico da seleção de canoagem quer medalhas em Tóquio em homenagem a Morlán

Novo comandante lembra de convívio ao lado do 'fechado' espanhol, que teve 100% de aproveitamento em finais olímpicas como treinador

Lauro comanda a seleção brasileira masculina de canoagem desde 2018 — Foto: Rafael Bello - COB
Daniel Ottoni | @dottoni
28/06/20 - 09h00

O convívio ao lado de uma das maiores lendas da canoagem mundial fez a diferença para Lauro de Souza Jr., técnico da seleção brasileira masculina, assumir, em 2018, a nova função sentindo-se preparado para a missão que lhe foi dada.

Foi neste ano que faleceu o treinador espanhol Jesús Morlán, vítima de câncer e referência da modalidade. Morlán treinou a seleção e foi um dos grandes responsáveis pela evolução de Isaquias Queiroz e Erlon de Souza. Isaquias somou, nos Jogos de 2016, três medalhas (duas pratas, no C-1 1000 e no C-2 1000, e um bronze, no C-1 200), uma delas ao lado de Erlon. Sob o comando do espanhol, o Brasil levou ainda dez pódios em Mundiais. 

"Foi um privilégio ter convivido com ele, moramos juntos por quatro anos e meio. O Jesús foi um dos maiores treinadores da canoagem mundial. Mesmo não estando presente fisicamente com a gente nos últimos dois anos, ele está junto com a nossa equipe. Vamos brigar muito para chegarmos ao pódio por ele na Olimpíada do ano que vem", garante Lauro, que foi auxiliar técnico quando Morlán era o responsável pela equipe entre abril de 2013 e outubro de 2018. 

Convívio restrito

Ele conta sobre a personalidade fechada do treinador, que não dava muita abertura para novos convívios. A rotina do dia-a-dia fez Lauro ficar próximo do espanhol e conhecer um lado que poucos tiveram a oportunidade. "Era uma pessoa muito fechada e tinha muito poucos amigos. Eu posso dizer que fui uma das pouquíssimas pessoas que tiveram a chance de ter essa abertura com ele para dividir todo o conhecimento. Ele mudou a minha vida profissional", conta. 

Nos últimos meses de vida, Morlán parecia estar ciente de que a hora da despedida se aproximava, fazendo questão de trazer Lauro para ainda mais perto do comando da equipe brasileira. 

"Ele estava bem consciente da doença que estava enfrentando, mas confiante e lutando muito. Ele sabia que a qualquer momento poderia acontecer uma fatalidade. Nos últimos dois meses, parecia que ele já estava percebendo que algo não ia bem. Me passou muito mais coisas neste período. Isso já acontecia há algum tempo. O Jesús fazia um tratamento forte de quimioterapia. Muitas vezes ele não conseguia estar presente nos treinos", recorda.

Nas equipes que estiveram sob o seu comando, Morlán esteve em oito finais olímpicas, conseguindo medalhas em todas elas. A meta de Lauro é manter este 100% de aproveitamento em homenagem ao seu mentor.  "Nós vamos trabalhar muito para conquistar duas medalhas em Tóquio. E a gente confirmando essas conquistas, com certeza, elas serão dedicadas ao Jesús", revela. 

Sabendo da metodologia de sucesso do espanhol, Lauro fez poucas mudanças na forma de treinar a equipe, ciente de que se a filosofia fosse mantida, seria mais fácil conseguir tendo bons resultados. "Mantivemos a metodologia vitoriosa, que vem trazendo resultados expressivos nos últimos anos. A equipe já está acostumada com o trabalho. Todos já estavam ambientados com o Morlán e não precisaram fazer maiores mudanças. Isso foi muito importante para todos nós", completa. 

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