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Ghiggia foi um dos poucos a conseguir calar o templo do futebol
Foto: Arquivo/Maracanã
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Wallace Graciano
16/05/18 - 00h01

“Apenas três pessoas calaram o Maracanã: o Papa João Paulo II, Frank Sinatra e eu". A frase emblemática de Alcides Ghiggia traduz o tamanho de seu feito para a história do futebol. Ponta-direita eficiente, entrou para o panteão dos monstros sagrados do esporte por ter anotado o gol que deixou o estádio em silêncio e deu ao Uruguai o bicampeonato da Copa do Mundo, na vitória de 2 a 1 sobre a seleção brasileira, no jogo que ficou conhecido como o “Maracanazo”.

Curiosamente, a participação de Ghiggia naquele torneio sequer era certa. O baixinho jogador do Peñarol só estreou com a camisa da “Celeste” dois meses antes da competição. Foi o bastante para convencer Juan Lopez a levá-lo ao Brasil.

Em terras tupiniquins, viu o Uruguai dar a sorte de encarar apenas a Bolívia em seu grupo, uma vez que França, Turquia e Índia desistiram de disputar a competição. Assim, ganhou espaço entre os titulares e conseguiu mostrar seu valor, anotando o gol derradeiro da goleada por 8 a 0 sobre o país andino.

Apesar de pouco experiente, Ghiggia voltou a brilhar na estreia do quadrangular final ao abrir o placar contra a Espanha, em jogo que terminou empatado em 2 a 2. No duelo seguinte, contra a Suécia, o baixinho anotou o gol que igulaou o confronto em 1 a 1. O Uruguai ganharia aquela partida por 3 a 2, com gol de Míguez aos 40 minutos do segundo tempo. 

Havia mais um desafio, contra o Brasil, no Macaranã, em confronto que valia a taça. Os donos da casa eram os grandes favoritos. Além de decidir em seus domínios, a seleção tupiniquim vinha de duas goleadas sobre a Suécia (7 a 1) e Espanha (6 a 1), precisando apenas de um empate para conquistar o caneco. Não à toa, os jornais daquele 16 de julho já saudavam os futuros campeões mundiais. Ledo engano.

O que se viu no Maracanã foi um jogo combativo, com altos e baixos para os dois lados. No início do segundo tempo, o gol de Friaça, aos 2 min, chegou a dar a certeza aos quase 200 mil espectadores de que o título viria ao final daquela etapa. Porém, Ghiggia mostrou que não era um mero coadjuvante do espetáculo. Aos 21 min, arrancou por quase 40 metros, chegando à linha de fundo e cruzando para Schiaffino empatar o jogo.

Ainda assim, o empate não era suficiente para que o título fosse para o lado oriental do Rio da Prata. Mas Ghiggia resplandeceu aos 34 min, quando recebeu lançamento de Perez, correu em direção à entrada canhota da área defendida por Barbosa e, em vez de cruzar, como outrora, chutou direto ao gol, vencendo o paredão brasileiro – que ficou marcado por aquele tento. O Maracanã estava em silêncio. O Brasil conhecia o “Maracanazo”, sua mais dolorosa derrota na história.

Apesar de ter virado um “monstro sagrado” no Uruguai, Ghiggia sempre tentou tratar com parcimônia seu feito, sabendo que a alegria que causara em seu país era equivalente à dor que trouxera ao Brasil. Inclusive, disse a Barbosa que se soubesse que aquele gol traria tanto tormento ao goleiro, jamais teria marcado. 

Curiosamente, Ghiggia morreu exatos 65 anos depois daquele jogo. Já era imortal.

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Faltam 29 dias para a Copa: Ghiggia, o carrasco do Maracanazo
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