Daniel Ottoni
@Supernoticiafm
24/03/19
08h19

Entrevista exclusiva

Leandrinho lembra da infância em SP: fome, trabalho na feira e 'sonho'

Ala do Minas Tênis Clube deu entrevista exclusiva ao Super FC e abriu o jogo sobre momentos da carreira

Daniel Ottoni | @Supernoticiafm
24/03/19 - 08h19

A trajetória pode parecer clichê e batida, principalmente pra quem não sofreu na pele uma realidade das ruas. O ala/armador Leandrinho, do Life Fitness Minas, teve as maiores dificuldades que já passou justamente nos primeiros anos de vida. "A minha infância eu estou tendo agora, com minha filha, podendo levá-la pra jogar um fliperama, por exemplo. Quando era criança, não tinha o que comer. Eu tive 'moleza', se assim pode-se dizer, porque era o mais novo. Tinha quatro irmãos mais velhos, que deixavam de comer para eu me alimentar. Hoje isso ficou pra trás, graças a Deus", conta o jogador, hoje com 36 anos, tendo deixado pra trás barreiras que pareciam intransponíveis. 

"A situação era complicada demais, eu via aquilo e não sabia o que fazer, mesmo tão pequeno. Prometi pra minha mãe que melhoraria a vida dela assim que pudesse. Sabia que ia precisar treinar e me dedicar demais. Ela não me deixava sair na rua, eu só pensava em tirar a gente dali", lembra. O pai, que fez carreira no boxe, mas acabou sofrendo danos anos depois com as pancadas que sofrera na cabeça, também teve sua importância nas idas e voltas dos treinos de basquete, quando fazia suas primeiras cestas. 

O dinheiro, escasso e contado, ia todo pra mãe assim que entrava. "Lembro de trabalhar na feira com três anos de idade, mal sabia falar. Ajudava o pessoal a levar compras para os carros, ganhava uma gorjeta e dava tudo pra minha mãe. Vez ou outra, ela me dava moedas, eu ia pra loja de doces e me esbaldava. Ali era o melhor dia do mundo pra mim", recorda. Mais tarde, com seis ou sete anos, Leandrinho conseguiu benefícios graças ao esporte da bola laranja. 

"Eu tinha uma bolsa escolar, uma cesta básica e dinheiro pro transporte. Essa grana servia pra comprar comida", completa. A situação ganhou outro panorama quando Leandrinho chegou à NBA. "A primeira coisa que fiz foi tirar ela de onde morávamos. Era o sonho de dar um lugar melhor pra ela e consegui fazer isso. Hoje, ela e meu pai não estão mais presentes, mas meus irmãos estão e todos estão estabilizados na vida", alegra-se.

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