Recuperar Senha
Fechar
Entrar
f
Além da torcida de milhões de torcedores, os jogadores comandados por Tite ganham a matemática como aliada para conquistar a taça
Foto: Lucas Figueiredo/MowaPress - 10.8.2016
Enviar por e-mail
Imprimir
Bruno Mateus
17/05/18 - 03h00

Se levarmos em consideração o histórico vencedor, a tradição e a força da camisa amarela, apontar a seleção brasileira como favorita a qualquer competição não é lá um palpite que fuja do senso comum. Agora, o esquadrão comandado por Tite parece ter também números, cálculos e estatísticas como aliados. Às vésperas da Copa do Mundo da Rússia, um estudo desenvolvido pela Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (FGV EMAp) apontou a seleção brasileira como a grande favorita para vencer a competição.

O levantamento, coordenado pelo doutor em matemática Moacyr Alvim juntamente com o professor Paulo Cezar Carvalho, observou os gols marcados e sofridos em cada partida das 207 seleções filiadas à Fifa nos últimos quatro anos. Especificamente para o Mundial, os estudos começaram em janeiro deste ano e também levaram em conta os dados de força de ataque e de defesa de cada equipe.

Na lista das favoritas, a Espanha aparece em segundo lugar, com 13% de chance de chegar ao título, seguida pela atual campeã, a Alemanha, com 11%. Ainda segundo as estatísticas, as tradicionais França, Argentina e Inglaterra não aparecem bem cotadas. “É importante chamar atenção para o seguinte: quando falamos que o Brasil é favorito, dá a impressão de que a seleção vai ganhar a Copa. Não é verdade. Se a chance de ela ganhar é de 21%, a de não ganhar é de 79%”, observa Alvim. “A intenção não é prever, é levantar um estudo. Não estamos preocupados em ganhar um bolão, é um estudo acadêmico”, completa.

Gilcione Nonato Costa, professor do departamento de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estuda o futebol sob a perspectiva matemática desde 2005. Para o Mundial da Rússia, ele e um grupo da universidade também realizaram um panorama e mapearam possíveis resultados. “Levamos em conta o retrospecto dos times no ranking da Fifa. O que me chamou atenção é que a Espanha (que ocupa a sexta posição no ranking) tem uma grande probabilidade de chegar à final, se tudo correr dentro da normalidade. A seleção brasileira também tem, mas ela corre o risco de enfrentar a Alemanha já nas oitavas, isso é bem real”, comenta. 

Embora existam estudos que apontem resultados, seleções favoritas e até possíveis campeões, o professor afirma que eles trabalham com probabilidades, e não previsões. Segundo Nonato Costa, o futebol é dos poucos esportes em que o time mais fraco pode vencer porque o gol é um evento raro se comparado a uma cesta de basquete ou a um ponto no voleibol. E, quando se trata de uma Copa do Mundo, o imponderável tão falado por Nelson Rodrigues pode entrar em campo para contradizer as análises. 

“A Copa é um evento especial. Se fosse um campeonato de pontos corridos, seria mais previsível. Em um mata-mata, a chance de uma surpresa acontecer é maior. Um erro pode ser fatal e determina o futuro na competição. E ainda tem o fator sorte, a famosa zebra”, conclui.

 

Maioria dos gols da equipe de Tite saem no segundo tempo

São Paulo. O torcedor brasileiro que resolver desistir de ver a seleção na Copa do Mundo se o time for mal na primeira etapa de um jogo correrá o risco de perder o melhor da festa. Isso porque o Brasil do técnico Tite é uma equipe que marca a maioria de seus gols e chega às vitórias no segundo tempo. Essa é uma característica existente desde a estreia do treinador e que pôde ser observada na maior parte das 19 partidas sob seu comando.

Em 12 jogos sob a batuta do treinador, foram 30 gols no torneio classificatório, 19 deles anotados no segundo tempo, equivalentes a 63% do total.

A tendência de movimentar o placar na etapa final agrada ao treinador pelo fato de o time, mesmo em dificuldade, manter a concentração, a paciência e a determinação em buscar sempre a vitória. 

O bom rendimento no segundo tempo também se explica por fatores como juventude e preparo físico. A média de idade da equipe que será provavelmente titular no Mundial da Rússia é de 27 anos.

Minientrevista

Moacyr Alvim

Professor da FGV

Quais foram os critérios usados para desenvolver esse estudo?

O que a gente faz é coletar os placares dos jogos das seleções nos últimos quatro anos, mesmo critério que a Fifa utiliza para fazer o ranking. Usamos os dados para estimar a força de ataque e defesa de cada seleção. De posse desses dados, assimilamos quais seriam os placares dos confrontos. Então fazemos um milhão de simulações. Nesse um milhão, chegou-se ao Brasil como campeão 213.000 vezes, aproximadamente em 21%.

Não é curioso que se faça um estudo matemático em um esporte que pode ser tão imprevisível como o futebol?

É verdade. Começamos esse estudo por interesse pela Copa do Mundo mesmo, mas vimos que era uma oportunidade de atrair alunos, é um tema que gera interesse. Tem bastante matemática no futebol.

Quem poderá alcançar bons resultados e surpreender nesta Copa? E a decepção?

Marrocos e Irã podem surpreender o público que não acompanha essa matemática, mas elas tiveram um desempenho regular nos últimos quatro anos. A Bélgica, por exemplo, ocupa a quinta posição no ranking da Fifa, mas a chance de ganhar a Copa é pequena, apenas 4%. 

avatar
Li e aceito os termos de utilização
Cadastre-se para poder comentar
Fechar

Matemática

Números podem deixar torcedor brasileiro animado na Copa do Mundo
Caracteres restantes: 300
* Estes campos são de preenchimento obrigatório