Wallace Graciano
@SuperFC
16/01/18
08h09

AGENTES

O outro lado da atuação dos empresários no futebol

A área ainda é cercada de mistérios e estereótipos, por isso, consultamos alguns profissionais para explicar como eles atuam

Um encontro antes das negociações — Foto: Divulgação/Taciano Pimenta
Wallace Graciano | @SuperFC
16/01/18 - 08h09

Basta as janelas de transferência do futebol terem início que um personagem um tanto obscuro no meio entrar em cena e virar “herói” ou “vilão” para torcedores, clubes e até jogadores. Tão questionados, os empresários aparecem com afinco no período de negociações, pois são eles os grandes responsáveis pela chegada ou saída de um atleta. A área ainda é cercada de mistérios e estereótipos, por isso, consultamos alguns profissionais para explicar como eles atuam.

Trabalhando desde 2004 como agente de atletas, Taciano Pimenta vê como “normal” essa aura que cerca os agentes. Porém, ele explica que sua atuação vai bem além de tirar ou trazer um atleta para um clube de futebol, como por exemplo, a captação e o desenvolvimento do atleta.

“Sempre tivemos essa fama ruim, e foi uma preocupação minha desde o início que entrei no futebol. A primeira ação foi nos associar a uma instituição séria. Fizemos um contrato com a Fundep (Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa), da UFMG, para desenvolver um projeto de detecção de talentos, isso em 2004. Com isso, fizemos um contrato com a ciência e tivemos bons resultados. A UFMG deu a credibilidade em um processo que ainda era inicial. Hoje, todos os clubes tem a ciência e universidade por trás, o que só prova que saímos na frente e ajudamos no desenvolvimento desses atletas”, aponta Taciano, empresário de cerca de 25 jogadores, entre eles Douglas Coutinho (Atlético-PR) e Caio Emerson (Granada).

O agente completa explicando que a própria ilusão criada nas transferências é um entrave. “É um trabalho muito minucioso, que requer uma equipe preparada e atenta ao mercado e que consiga fazer um bom network entre clubes, atletas e outros representantes de atletas. Além disso, esse é um mercado ‘prostituído’, por assim dizer: Alguns atletas se vendem por muito pouco acreditando em tudo que falam pra ele. Vendem um mundo de ilusão, e colocar que nem sempre isso acontece na cabeça de um jovem, é bem complicado”, completa Taciano.

Agente do jovem Richarlison, ex-América, Renato Velasco vê o mercado “prostituído” como principal responsável pela fama que os empresários receberam.

“Ficou a fama que nós que atrapalhamos a evolução do futebol, e vejo isso totalmente ao contrário. Somos nós que fomentamos o futebol. Somos nós que investimos em adolescentes que sonham em ser atleta, que os ajudamos, que estamos sempre presentes. E quando esses atletas são dispensados pelos clubes, nós é que somos o suporte para eles. Na atuação, não é tão simples. Você precisa fazer um estudo do mercado, para ver se o atleta se encaixa naquele campeonato que determinado time vai disputar, se o plantel de atletas permite isso, tudo para que todos se beneficiem com o negócio”, explica Velasco.

FOTO: Arquivo Pessoal
Velasco
Velasco durante uma partida do Watford, onde joga Richarlison

A própria transferência do jovem Richarlison é usada por Velasco para exemplificar a atuação. “Vou te dar como exemplo o Richarlison. Houveram algumas propostas de clubes brasileiros e da Europa para ele, mas após um detalhado estudo do time do Watford, do campeonato, da projeção que o clube daria pra ele, optamos por sua transferência para lá. E não nos arrependemos pela escolha”, comemora Velasco, que vê Richarlison ser apontado como um destaques desta primeira temporada do futebol inglês.

Investidores

Na última semana, uma possível participação de fundos de investimento na contratação de reforços para o Cruzeiro trouxe de volta aos holofotes a participação de empresários no meio do futebol. Segundo a normativa da Fifa do final de 2015, que entrou em vigor em maio de 2015, e é acatada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é vedada a participação de grupos de empresariais nos direitos econômicos dos atletas, que podem acarretar de multas até o rebaixamento das equipes. E para os agentes, essa normativa trouxe ainda mais equilíbrio ao mercado.

“O que temos agora é que ficou um mercado selecionado. Tínhamos alguns ‘pseudo-empresários’ se aproveitando disso, o que dificultava muito. Com essa normativa, os clubes se organizaram, criaram uma associação, tem um acordo de cavalheiros, que um não assedia o trabalho do outro, o que ajuda para quem trabalha descobrindo o atleta, captando nesses torneios menores. E quando você pega o atleta e traz para um clube, dificilmente ele sai por assédio. Claro que diminuiu o capital, mas vejo pelo lado positivo, pois ficaram só as empresas sérias, sem aventureiros, o que faz o trabalho ficar mais sólido”, avalia Taciano.

Segundo a normativa, “nenhum clube ou jogador poderá celebrar um contrato com um terceiro por meio do qual este terceiro obtenha o direito de participar, parcial ou integralmente de um valor de transferência".

O que diz o Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol

Art. 66 – Em obediência aos artigos 18bis e 18ter do Regulamento sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores da FIFA, nenhum clube ou jogador poderá celebrar um contrato com um terceiro por meio do qual este terceiro obtenha o direito de participar, parcial ou integralmente de um valor de transferência pagável em razão da futura transferência dos direitos de registro de um atleta de um clube para outro, ou pelo qual se ceda quaisquer direitos em relação a uma futura transferência ou valor de transferência.

§ 1º – Para efeito deste artigo, entende-se como terceiro quaisquer outras partes que não sejam os dois (2) clubes participantes da transferência do atleta ou qualquer outro clube ao qual o atleta tenha sido registrado anteriormente.

§ 2º – A vedação prevista no caput deste artigo entra em vigor em 1º de maio de 2015.

§ 3º – Os contratos dessa natureza que tenham sido celebrados no período entre 1º de janeiro e 30 de abril de 2015 só poderão ter validade máxima de um (1) ano, vedada qualquer mutação, extensão ou prorrogação, seja a que título for.

§ 4º – Os contratos abrangidos pelo caput deste artigo, se já existentes a partir da entrada em vigência do respectivo dispositivo vedatório, continuarão em vigor até o seu prazo original de encerramento, não podendo ser, em nenhuma hipótese, modificados, prorrogados ou estendidos.

§ 5º – Até o dia 30 abril de 2015, todos os contratos existentes e abrangidos pelas hipóteses constantes deste artigo devem ser registrados perante o Departamento de Registro e Transferência da CBF.

§ 6º – A obrigação referida no parágrafo anterior impõe a todos os clubes e atletas que tenham, a qualquer 24 tempo, firmado estes tipos de contrato envolvendo potenciais direitos de terceiro remetê-los para a CBF em arquivo digital visando o seu registro na íntegra, inclusive com os anexos ou aditivos, além de especificar, pelo menos, os detalhes identificadores do terceiro envolvido, o nome completo do jogador e o prazo de validade do respectivo contrato.

§ 7º – É de competência do Comitê Disciplinar da FIFA, dos Tribunais de Justiça Desportiva e do Superior Tribunal de Justiça Desportiva impor medidas disciplinares aos clubes e/ou atletas que infrinjam as prescrições cogentes previstas neste artigo.

 

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