Thiago Nogueira
@otempo
29/07/21
17h58

Dura realidade

Projeto de ginástica e judô em BH com 500 alunos vive dificuldade de patrocínios

Com priorização do futebol, outras modalidades ficam relegadas ao esquecimento fora dos períodos olímpicos. Projeto criado em 2016 tem o apoio dos pais para sobreviver

Praticantes de ginástica na unidade do Buritis do projeto Amigos do Esporte
Praticantes de ginástica na unidade do Buritis do projeto Amigos do Esporte — Foto: João Flávio Baêta/Divulgação
Garotada já participou de competição de judô no Mineirinho
Garotada já participou de competição de judô no Mineirinho — Foto: Maria Fernanda Monducci/Divulgação
Thiago Nogueira | @otempo
29/07/21 - 17h58

Rebeca Andrade conquistou, nesta quinta-feira (29), a inédita medalha de prata nas Olimpíadas de Tóquio. Aos 22 anos, ela é a primeira brasileira a medalhar na ginástica artística, terminando a competição individual geral em segundo lugar. No mesmo dia, Mayra Aguiar, do judô, conquistou seu terceiro bronze em Jogos Olímpicos, a primeira mulher a somar três medalhas em esportes individuais.

Em Belo Horizonte, a 18 mil km da cidade olímpica, um projeto social e educacional, que ensina ginástica e judô, se desdobra em busca de recursos e de reconhecimento. O Centro de Treinamento Amigos do Esporte conta com ginásios nos bairros Padre Eustáquio e Buritis, além de uma unidade na Pampulha.

Apesar de 92% dos pequenos atletas estarem matriculados na ginástica artística, o CT é referência também em judô adulto e infantil a partir dos 3 anos. São quase 500 alunos.

"Começamos com 20 em 2016. Nossa expectativa é chegar a 700 até o final do ano, além de uma nova casa nno bairro Cidade Nova", ressalta o professor de educação física e praticante amador de ginástica, Tiago Gusmão, fundador do projeto.

O Amigos do Esporte atende a um público diverso, de moradores de aglomerados a crianças de famílias com maior poder aquisitivo. O projeto também tem um caráter inclusivo, recebendo autistas, pessoas com síndrome de Down, meninos e meninas com sobrepeso e outras crianças que costumam ser excluídos em modalidades coletivas.

A história do pequeno Otávio Augusto Ricarte, 9 anos, contada pela mãe, Bárbara Ricarte, de 29, ilustra a capacidade de inclusão do projeto. Depois de uma tentativa frustrada de matricular o filho, com síndrome do espectro autista, em uma escolinha de futebol, o garoto encontrou no judô um oásis.

“No futebol ele não foi bem recebido, tanto pelos colegas quanto pelo treinador. Percebi que procuravam atletas prontos e na verdade ninguém nasce pronto. Foi aí que descobri o Amigos do Esporte. Ao chegar aqui expus minha situação, falei que não queria um lugar onde meu filho fosse só mais um. O Otávio foi prontamente acolhido e os resultados positivos com as aulas (de judô) logo começaram a aparecer”, pondera a mãe.

Quem também enxergou nos esportes não convencionais uma oportunidade de desenvolvimento para a filha foi a administradora Thais Araújo, de 44 anos. Ela, que praticou ginástica artística na infância, resolveu matricular a filha Isabela, de 9 ano, no CT, mas não com o intuito de profissionalizar a garota e sim, proporcionar diversão à menina.

Por ser intolerante a glúten, quando começou a fazer as aulas, em 2017, a pequena atleta estava bem debilitada. Hoje, passados quase cinco anos, a mãe conta que a garota ganhou equilíbrio, força e atualmente encara os exercícios de forma mais séria. “Ela vem se destacando de forma continua. Quer passar de nível, melhorar a cada dia mais. Acho que isso é fruto do acolhimento que recebeu por todos desde que aqui chegou”, ressalta.

Recursos

Apesar da grande demanda de interessados na ginástica artística, o CT esbarra na falta de patrocínios para o projeto de formação de atletas. Ele é mantido financeiramente por doações de organizações privadas ou de apoiadores, além do pagamento mensal dos associados, pais dos alunos (R$ 190 pagos pela família).

“Quando buscamos financiamento, muitas empresas alegam que já estão investindo em grandes clubes de futebol ou nos projetos sociais desses clubes. Com isso sempre ficamos em uma situação desfavorável”, conta Tiago.

“Infelizmente ainda somos mais observados apenas em períodos de olimpíadas. Costumamos, inclusive, brincar que o espírito olímpico para nós é melhor que o natalino”, reforça o professor. A falta de mão de obra é outro entrave do projeto, pela carência de professores formados em educação física interessados em esportes que não são tradicionais.

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