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Lohanna Lima
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10/05/18 - 03h00

Dor. Choro. Angústia. Sofrimento. Por muitos anos, crianças e adolescentes do Clube Mesc, em São Bernardo do Campo, provaram dos piores sentimentos a cada treino, viagem e competição disputada. O assunto é dolorido e delicado e foi trazido à tona pela repórter Joana de Assis no “Fantástico”: dezenas de casos de abusos sexuais foram denunciados por atletas e ex-atletas que tiveram passagem pelo clube e até mesmo pela seleção. Todos eles direcionados a Fernando de Carvalho Lopes, ex-técnico do Mesc e da seleção brasileira de ginástica olímpica, neste que acaba de se tornar o maior escândalo da modalidade no país.

Fernando Lopes de Carvalho trabalhou por mais de 20 anos no clube. Durante esse tempo, teve contato com um número incontável de crianças e adolescentes. Vários deles afirmam ter tido suas partes íntimas tocadas pelo treinador em várias ocasiões. Segundo os relatos, Carvalho os observava na hora do banho e pedia para que eles se masturbassem na sua frente. Muitos deixaram o clube e, consequentemente, a modalidade após contato com o técnico. Essas crianças e adolescentes tiveram seus direitos violados de forma cruel e o sonho de se tornarem atletas da modalidade interrompido por um bloqueio emocional completamente justificável. Vários garotos tiveram sonhos destruídos e a inocência corrompida por um comportamento abusivo. Difícil não se revoltar, não se colocar no lugar. 

Pais se culpam. Garotos se culpam. Atletas se culpam. “Por que não percebemos logo o que acontecia com nossos filhos?”. “Por que eu não tive coragem de denunciar?”. “Será que eu estou fazendo algo errado?”. Esses questionamentos pairavam sobre a mente de quem se viu envolvido em uma situação tão grave. Mais uma vez, vítimas se sentiram culpadas. E é justamente nesse território de culpa e de medo que abusadores promovem seus incansáveis jogos de terror psicológico. E é por isso que temos que gritar. É por isso que devemos dar um basta. Porque abusadores não podem nunca vencer. 

Acredito que o esporte seja capaz de mudar vidas. A prática esportiva contribui diretamente com a formação social do ser humano, amadurece as pessoas e dá oportunidades a muitas delas de sonharem e de terem um futuro melhor. Ouvir cada depoimento desses jovens que sofreram abusos sexuais na infância é como receber um soco no estômago. É repugnante, nojento e revoltante. Mas, por outro lado, é um valioso alerta sobre a importância de não ter medo de denunciar abusos a fim de evitar que mais pessoas sofram do mesmo mal – seja qual for o tipo e independentemente do ambiente em que tenha sido praticado.

Estamos próximos do dia 18 de maio, em que se celebra o Dia Nacional Contra Abuso Sexual de Jovens. Nunca é fácil denunciar abusos. A vítima se sente culpada, com vergonha, impotente. No entanto, a única maneira de combater esse tipo de prática é expondo os responsáveis por ela.

Parece muito fácil falar para quem está de fora, eu sei. As pessoas têm medo de represálias e do julgamento. A decisão de denunciar é difícil, porém libertadora. 

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Abuso no esporte: por favor, não se cale
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