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Com milhões e milhões de reais em recursos públicos, Minas Gerais ganhou nesta década dois grandes estádios: o Mineirão, com capacidade para 62 mil torcedores, e o Independência, de 23 mil lugares. Mas, alimentados por uma rivalidade – não saudável, como tem que ser, mas tola, como assim se desenhou – e sem pulso firme das autoridades, Cruzeiro, Atlético, América, as concessionárias Minas Arena e Luarenas, a Federação Mineira de Futebol (FMF), o Ministério Público e o governo do Estado NUNCA se sentaram numa mesma mesa para discutir o melhor aproveitamento dos novos equipamentos, de uma forma igualitária, em que todos os agentes ganhassem e ninguém perdesse, seja ele esportivo ou financeiramente. A troca de um diálogo mais sensato por sentimentos passionais de dirigentes resulta – e continuará resultando – em ridículas discussões como a de ontem, contribuindo para a violência e o clima de hostilidade entre os rivais. Não é a primeira briga, não será a última. Todos os lados têm suas razões, mas é inadmissível que não haja espaço para um acordo.

Origens

Quando tudo isso começou? Após inauguração do Independência, o Atlético firmou uma parceria comercial com a gestora do estádio. Para cada pipoca vendida, o Galo ganharia a metade. O acordo afastou o Cruzeiro de mandar jogos por lá – a Raposa, claro, não queria dar um centavo para o Galo –, preferindo fechar contrato com o Mineirão, fazendo dele a sua casa. Maior, o estádio da Pampulha pode gerar mais receita, de fato, mas as despesas são bem maiores do que no Horto.

Engenharia

Assim ficou: o Independência, de propriedade do América, virou a casa do Galo, e, o Mineirão, do Cruzeiro. Os estádios, porém, são diferentes estruturalmente. A moderna arena do Horto, para começar, nasceu com um absurdo erro de engenharia, criando pontos cegos em todo o anel superior. Além disso, o setor Cadeira Ismênia, onde ficam as torcidas visitantes, não tem a capacidade para receber 10% do público, percentual de direito à torcida visitante.

Vetos

Por uma questão de segurança, a Polícia Militar não permite a entrada de faixas, bandeiras e instrumentos musicais no setor de visitantes do Independência – assim como nos demais portões da torcida mandante no anel superior. Daí vem o questionamento do Cruzeiro: se eu não posso levar os materiais para o Horto quando sou visita, por que o Atlético pode levar para o Mineirão quando joga lá na condição de visitante. No Mineirão, porém, não há restrições da PM.

Hostilidade

Se no Independência a capacidade é menor, houve vezes também em que o Cruzeiro quis ceder ao Atlético também uma porcentagem de ingressos inferior a 10% no Mineirão. Outro problema é que, no Horto, em clássicos, os cruzeirenses ficam acima dos atleticanos (setor Especial Ismênia), o que permite a torcedores em atitudes hostis atirarem objetos, cervejas e até bombas lá do alto. Para tentar evitar, a PM precisa isolar fileiras, o que resulta na diminuição da capacidade.

Lucros

O Atlético nunca lucrou com essa parceria comercial com o Independência (fatura só com bilheteria). No Mineirão, o Cruzeiro consegue arrecadar mais, mas também tem mais despesas. Entre tapas e beijos, concessionária e clube ainda discutem uma dívida na Justiça gerada depois que a Raposa deixou de pagar a conta pelo fato de o Atlético ter jogado a final da Libertadores de 2013 “com regalias”. Essa, aliás, é a “picuinha-mor” desse imbróglio.

Solução

Não precisa ser economista para sugerir fazer jogos de menor capacidade no Independência e de maior no Mineirão, sejam eles de Atlético, Cruzeiro ou América. Mas os dirigentes preferem brigar por camarotes e crendenciais do que pensar numa solução plausível. É por essas e outras que dificilmente voltaremos a ver um clássico meio a meio. Enquanto isso, o Estado, que pagou a conta e deu estádios de bandeja para os clubes, não está nem aí.

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Por que não há diálogo no futebol mineiro
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