Daniel Ottoni
@superfc
15/04/18
19h00

Brigando na frente

Brasil colado na elite do mountain bike internacional

Presença de dupla no top 10 no ranking masculino e feminino comprova evolução e deixa para trás distância incômodo dos últimos anos

henrique avancini MTB
Avancini tem conquistado, em sequência, resultados inéditos para o mountain bike brasileiro — Foto: Maximiliano Blanco - CBC
raiza goulao MTB brasil
Raiza está perto de superar marca de Jaqueline Mourão, responsável pela sua formação — Foto: Matthew DeLorme
Daniel Ottoni | @superfc
15/04/18 - 19h00

Estar alinhado ao lado de referências do mountain bike internacional, antes do sinal de largada, já foi mais impactante para os brasileiros Henrique Avancini e Raiza Goulão. Há alguns anos, a realidade e as perspectivas para os principais nomes da modalidade eram destoantes. Em 2018, a diferença para os favoritos caiu e uma situação de igualidade já aparece, tendendo a se manter a curto, médio e longo prazo. Pra mostrar que não foi por acaso, o mountain bike brasileiro coloca, ao mesmo tempo, dois atletas entre os top 10 no ranking da União Ciclística Internacional (UCI). 

Antes vendo dezenas de concorrentes na sua frente nas competições internacionais, o Brasil vê o cenário sofrer mudança considerável com os resultados de destaque do atleta de Petrópolis (RJ) e da goiana, maiores nomes nacionais na atualidade. O trabalho árduo em busca de incomodar os grandes atletas internacionais não vem de hoje. Foi nos últimos anos que as recompensas começaram a aparecer de forma seguida. 

No último dia 9, eles marcaram presença entre os 10 melhores ciclistas do mundo (Henrique em oitavo, Raiza em nono), situação inédita na história do mountain bike brasileiro. Para o futuro próximo, a tendência é que esta presença entre os melhores do planeja seja algo constante. "O respeito no pelotão é o maior prêmio. Isso aAjuda muito nas competições. Em grandes provas, é preciso conquistar seu espaço, se não os grandes nomes não perdoam. Creio que coloquei meu nome na história do mountain bike brasileiro. Mas prefiro continuar trabalhando e tentar outras marcas inéditas pro ciclismo nacional", pondera Avancini. 

Nível acima

A contratação da dupla por parte de algumas das maiores equipes do mundo, lhes fornecendo equipe qualificada, planejamento e estrutura como as principais referências do circuito foi preponderante para que eles atingissem um novo patamar. "A consistência contou muito. É necessário trabalhar para fazer uma boa temporada e não boas corridas individuais. A maneira de encarar a temporada e fazer a preparação é algo relevante. Fazer boas provas não garante um bom ranking.

 É necessário construir uma temporada como um todo. 
Alguns atletas e treinadores ainda não assimilaram a diferença", comenta Avancini, da equipe Cannondale, uma das maiores do planeta. O fluminense chegou a fechar o ano de 2017 no top 5, algo inédito para o país.

Entre as mulheres, é bem possível que Raiza supere a melhor marca de uma atleta do país. Em 2003, Jaqueline Mourão, maior responsável pela formação da goiana, chegou ao 7º lugar no ranking, feito que está próximo de ser batido. "Minha realidade virou outra nos dois últimos anos, principalmente depois da Olimpíada. Comecei a fazer trabalhos específicos, troquei de treinador e comecei a me adaptar ao nível europeu. Percebi que era possível ir longe, as margens que eu atingia eram sempre perto de top 10. Muito do que conquistei veio da parte mental, o trabalho que fiz com meu treinador e meu coach tem sido perfeito", comemora Raiza. "Com o passar do anos, fomos tendo mais respeito lá fora, sendo mais conhecidos. Isso é muito legal, batalhamos muito pra isso, algo que nos dá mais confiança e motivação pra alinhar ao lado dos melhores", revela a ciclista. 

Cria que deu certo

Foi por meio de uma clínica de Mourão, em Rio Acima (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, que Raiza foi descoberta para comprovar um potencial que conseguiu ser bem explorado desde então. Ter sido contratada pela equipe espanhola Primaflor-Mondraker-Rotor colocou a goiana em novo patamar, que promete atingir níveis mais altos. 

Ter chegado tão longe na carreira só motiva a dupla para ir além. "Quero me manter no grupo das 10 primeiras colocadas durante o ano, é preciso muito foco pra isso. Depende muito da dedicação de cada um, vai muito mais do atleta do que de onde ele nasceu ou coisa parecida. Quando se está em um nível alto, já aparece uma condição de começar a pensar nos detalhes que podem fazer uma diferença ainda maior", analisa a goiana. "Muitas vezes eu não acreditava que poderia chegar onde cheguei. Ao mesmo tempo, sei que sirvo de inspiração para muitos meninas, dando a elas esperança de ir atrás dos seus sonhos. Quando uma porta se fecha, outras se abrem. Se você agir de boa fé e tiver humildade, pode-se chegar onde nunca imaginou", reforça 

 

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