Daniel Ottoni
@dottoni
23/07/20
10h59

Confiança

Pendências não fizeram América Vôlei temer ficar de fora da Superliga masculina

Gestor do time de Montes Claros garante que foi ao mercado antes mesmo de ter confirmação da CBV e visa elenco mesclado para voltar aos play-offs do torneio

América se livrou do rebaixamento com desistência do Sesc (RJ) — Foto: Mourão Panda - América
Daniel Ottoni | @dottoni
23/07/20 - 10h59

Depois de algumas incertezas, a presença do América Vôlei foi confirmada na temporada 2020/2021 da Superliga masculina. A definição veio na última segunda-feira, quando a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) aceitou a documentação apresentada pelo clube de quitação dos débitos da última Superliga. 

A confirmação veio depois que o clube comprovou o pagamento de cinco salários do líbero Kachel, correspondendo ao tempo em que o jogador defendeu o time na última temporada. Kachel deixou o elenco com a Superliga em andamento após não receber nenhum dos salários acordados. Pelo fato de ter apresentado a documentação com atraso, o América pagou multa de R$ 2.000, assim como o EMS Taubaté Funvic (SP). 

"Em nenhum momento, tememos ficar de fora da Superliga. Sabíamos das nossas pendências e estávamos conversando para buscar a solução. Entramos no mercado antes mesmo desta confirmação. A transparência e seriedade do projeto ajudaram na continuidade do time para a temporada 2020/2021", comenta o gestor Andrey Souza.

Apesar da CBV exigir a assinatura de todos os atletas da última temporada, foi aceito pela entidade o documento que comprova o pagamento dos cinco primeiros salários de Kachel. O líbero não assinou o fair play financeiro e mantém ação contra o América Vôlei na Justiça. "Ele tomou sua decisão, acho que de forma precipitada. Ele também será acionado para ser responsabilizado pelos seus atos, buscou seu direito e nós vamos buscar os nossos", resume Andrey. 

Apoios

O time já tem a confirmação de alguns parceiros e busca outros para contribuir na formação do elenco. Recurso que havia sido captado na última temporada, via Lei de Incentivo, e que acabou não chegando ao time, agora poderá ser usado pela diretoria para os investimentos. "Queremos formar um time mesclado entre jovens e experientes. Na última temporada, nosso time era muito novo, teve dedicação e envolvimento, mas os jogadores sentiram muito no final dos sets, na hora da decisão. A base deve ser de atletas mais rodados mas sempre dando chance para jovens talentos. Nosso objetivo é estar de volta aos play-offs", destaca Andrey, que está à frente do time desde 2014. 

Nome novo

Agora, o nome da equipe passa a se chamar Montes Claros América Vôlei, dando prioridade para a cidade do Norte de Minas que conta com uma torcida apaixonada pela modalidade. "A ideia de inserir o Montes Claros no nome é pelo fato da sede da equipe e toda a sua  estrutura estar focada na cidade. Dessa forma, procuramos que a torcida se identifique mais e esteja mais próxima do time, criando um sentimento de pertencimento e uma representatividade regional. Isso reforça também a parceria com o América, para tornar o projeto ainda mais forte, principalmente com o torcedor americano”, explica o gestor. 

Histórico recente

As duas últimas temporadas do América Vôlei dentro da Superliga masculina tiveram a companhia de uma situação que certamente não contribuiu para um melhor ambiente. Na temporada 2017/2018, o time de Montes Claros alugou seu CNPJ para o Corinthians Guarulhos (SP), que acabou não pagando todos os salários. A diretoria do América enfrentou a situação de assumir os débitos e encontrou uma brecha no regulamento para participar da Superliga 2018/2019. A alternativa foi processar os atletas e informar à CBV que buscou uma conciliação, sem sucesso. A entidade maior do vôlei brasileiro acabou acatando o argumento.

Na temporada seguinte, novos problemas financeiros, agora sem poder 'terceirizar' a responsabilidade, que culminaram com o rebaixamento da equipe. A queda pra Superliga B só foi evitada graças à desistência do Sesc (RJ), que abriu vaga no torneio.

Boa parte dos salários não foram pagos, o que incomodou o elenco de jogadores. A exceção ficou por conta dos atletas emprestados pelo Sada Cruzeiro, que tinham seus ordenados pagos pelo clube celeste. Os outros, precisaram se virar por conta própria para pagar as contas. 

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