Na quarta-feira (28 de janeiro), a Microsoft anunciou os resultados do trimestre encerrado em 31/12/2025, em comparação com o mesmo período do ano fiscal anterior. Os números mostram que a gigante da tecnologia obteve uma receita de US$ 81,3 bilhões (R$ 421 bi) - um aumento de 17%. O lucro operacional foi de US$ 38,3 bilhões (R$ 197 bi) - crescimento de 21%. Mas mesmo Amy Hood, vice-presidente executiva e diretora financeira da Microsoft, destacando a "forte demanda" pelo portfólio da empresa, a divisão de jogos com o Xbox segue com números em queda.

A receita do segmento de Computação Pessoal, que inclui o console da companhia, foi de US$ 14,3 bilhões (R$ 72 bi), mas representando uma queda de 3%. Já o faturamento de conteúdo e serviços do Xbox em si, que inclui o Game Pass, diminuiu 5%. O lucro com as vendas de hardware, que é o videogame, caiu 32% em relação ao ano anterior. A arrecadação com jogos presentes na plataforma também teve declínio, no total de 9%.

Vale lembrar que, já em 2024, o Xbox registrou queda de 50% nas vendas dos consoles na Europa

Apesar desse cenário, Satya Nadella, presidente e diretor executivo, declarou: "a Microsoft já construiu um negócio de IA maior do que algumas de nossas maiores franquias", dando a entender que a estratégia será a atenção contínua em inteligência artificial.

A receita da Microsoft Cloud foi de US$ 51,5 bilhões (R$ 264 bilhões), um aumento de 26%. Já a divisão de Nuvem Inteligente teve receita de US$ 32,9 bilhões, representando um aumento de 29%.

Ano de 2025 impactou negativamente no Xbox

Conturbardo, o ano de 2025 foi para se esquecer para a Microsoft e para o Xbox. Não parando somente no lançamento de quatro jogos nos videogames concorrentes, Forza Horizon, uma das principais franquias do Xbox, foi anunciado no PlayStation 5. O objetivo era passar a ganhar renda com seus melhores games nos consoles que mais vendem nas varejistas físicas e online ao redor do mundo. A justificativa de Phil Spencer, CEO da Microsoft Gaming, era que a ideia de exclusividade estava cada vez menor na indústria - todo mundo poder jogar jogos de qualquer plataforma.

Durante o ano de 2025, todos aqueles quem um dia foram excusivos, já não eram mais: Halo, Gears of War, Indiana Jones e o Grande Círculo, The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered, Doom e vários outros chegaram no videogame da Sony. A reação do público usuário e fã da marca não foi das melhores.

Onda de demissões e estúdios fechados

No decorrer disso tudo, a chegada de uma crise: no mês de abril, a Microsoft decidiu demitir 4% de seus funcionários em todo o mundo, significando um total de 9 mil pessoas. Decisão essa que afetou diretamente a divisão do Xbox. Fundado em 2018 pela Microsoft, o estúdio The Initiative Inc. sofreu com a onda de demissões e foi fechado pela empresa. Também criada pela companhia e responsável pela série Forza Motorsport, a desenvolvedora Turn 10 teve aproximadamente 50% dos funcionários demitidos na quarta-feira (2/7). ZeniMaxRaven Software e Sledgehammer Games, estúdios subsidiários da Microsoft, também tiveram cortes no quadro de pessoal.

Em sequência

Esse corte de 9 mil pessoas realizado pela Microsoft aconteceu dois meses após a companhia ter demitido 6 mil trabalhadores, em maio daquele ano Também não é a primeira vez que a empresa fecha um estúdio: em 2024, quatro desenvolvedoras foram descontinuadas: Alpha DogArkane AustinRoundhouse Studios e Tango Gameworks; essa última que, em junho, reabriu seu escritório em junho deste ano e revelou que está trabalhando em um novo jogo de ação ainda não anunciado.

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Aumento no preço dos videogames

Em maio de 2025, a Microsoft decidiu por aumentar os preços dos Xbox Series X|S. A decisão valeu também para os controles e jogos. A empresa justificou que o aumento global de seus produtos gamers aconteceu de acordo com as condições atuais do mercado (naquela época). Em comunicado ao site IGN, a Microsoft esclareceu a decisão justificando o "aumento do custo de desenvolvimento". Uma escolha que impactou as vendas do videogame.

Aumento no preço do Game Pass

Não bastasse as condutas incertas, uma que causou revolta em sua base de usuários: o aumento no valor da assinatura do Game Pass. Outrora democrático, acessível e a 'chave do sucesso' do Xbox, mudanças drásticas nos planos e preços causaram cancelamento em massa do serviço.

Os usuários dos antigos planos Core e Standard foram transferidos automaticamente para as novas modalidades Essential (R$ 43,90), Premium (R$ 59,90) e Ultimate. Esse último, opção mais completa do serviço (que inclui o Cloud Gaming), saiu de R$69,90 para R$ 119,90 por mês. Uma novidade é que o pacote incorporou o Clube Fortnite e o Ubisoft+ Classics.

A notícia foi tão mal recebida pelos gamers que a página do site da Microsoft que as pessoas podem cancelar a assinatura chegou a ficar sobrecarregada. Alguns meses antes, Phil Spencer havia dito que o Game Pass 'não era para todo mundo'.

Plano '0800' para tentar agradar o público

Após aumentar os preços de todos os planos do Game Pass, chegando a dobrar o valor da assinatura pela versão Ultimate do serviço no Brasil, a Microsoft pode lançar uma versão gratuita do Xbox Cloud Gaming - mas com anúncios. De acordo com o The Verge, funcionários da empresa já realizam testes internos da nova modalidade, que permitirá aos usuários jogar títulos selecionados sem necessidade de assinatura.

Os testes internos indicam que os usuários devem assistir cerca de dois minutos de anúncios pré-rolagem antes de acessar o streaming gratuito dos jogos.

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