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Tesourômetro

Painel mostra perdas da ciência

Letreiro na UFMG que mostra cortes do governo será inaugurado hoje

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Redução. Estudos sobre o zika e o mosquito Aedes aegypti passaram por cortes, que atingem também pesquisas sobre outras doenças
PUBLICADO EM 18/07/17 - 03h00

Onze milhões e meio de reais por dia, meio milhão de reais por hora, R$ 8.000 por minuto. Os números refletem a quantia que tem sido retirada da ciência brasileira desde 2015. Os cortes no Orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e das universidades federais provocaram a criação de “tesourômetros” no país, uma espécie de contador que aponta quanto a ciência e o ensino superior no Brasil estão deixando de receber devido a reduções do governo federal. Hoje, é a vez da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) inaugurar o seu painel com os números – que já passam de R$ 11 bilhões em cortes – no campus da Pampulha.

Fruto de uma campanha de mobilização chamada Conhecimento sem Cortes, o tesourômetro da UFMG ficará de frente para a avenida Antônio Carlos, uma das mais movimentadas da capital. O objetivo é sensibilizar a população sobre o impacto negativo desses cortes para a sociedade.

O projeto é uma iniciativa liderada por entidades sindicais. Também estão envolvidos cientistas, professores universitários, estudantes, pesquisadores e técnicos de universidades e institutos de pesquisas.

Prejuízos. Segundo uma das líderes do projeto, a presidente da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Adufrj), Tatiana Roque, os cortes causam perdas significativas para toda a população. “Em áreas de pesquisa de ciências, tínhamos constituído estudos avançados sobre o zika e a microcefalia, e eles estão sendo desmontados. Também temos pesquisas sobre Alzheimer e Parkinson, além de petróleo e pré-sal, coisas que têm impacto direto na população”, disse.

O professor Carlos Martinez, do Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco (Apubh), afirmou que bolsas de pesquisas já estão sendo reduzidas na UFMG. “Quando se corta uma bolsa de iniciação, de mestrado ou doutorado, se deixa de treinar uma pessoa que, no futuro, vai trazer riqueza ao Brasil. Quanto mais gente pensando, maior a possibilidade de se solucionar os problemas do país”, explicou.

 

Tempo real

Internet. Além de ser exibido no campus da UFMG, os interessados podem acompanhar sua movimentação em tempo real no portal www.conhecimentosemcortes.com.br.


Saiba mais

Pioneiro. A primeira instalação do tesourômetro aconteceu no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Praia Vermelha, na zona Sul do Rio, no último mês de junho. O de BH é o segundo a ser criado.

Sequência. Em agosto, a Universidade de Brasília (UnB) recebe o tesourômetro em seu campus. A expectativa dos organizadores do projeto é que as demais universidades do país passem a aderir ao programa nos próximos meses.

 

Brasil está perdendo cientistas

Segundo a presidente da Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Adufrj), Tatiana Roque, a falta de investimentos na ciência brasileira tem feito com que o Brasil perca “grandes cérebros” para países estrangeiros. Enviados para continentes como a Europa e a América do Norte para estudar, cientistas acabam optando por não retornar para aplicar conhecimentos em sua terra natal.

“As pessoas fazem doutorado nesses países e depois não voltam. Tentamos absorver esses cientistas por meio de bolsas, para que eles regressem e invistam em pesquisas brasileiras. Mas, sem o estímulo, eles não voltam. Já estamos sofrendo com a falta de cérebros porque não conseguimos valorizar os nossos”, afirmou.

O estudante de química Carlos Eduardo Costa e Silva, 24, reside em São Francisco, nos Estados Unidos, onde pretende concluir a graduação. Segundo o jovem, a intenção, de início, era voltar para o Brasil logo quando terminasse a pós-graduação, que deve começar no ano que vem e se estender até 2020, mas os planos devem mudar.

“Da forma como estão as coisas no Brasil, fica difícil ter vontade de voltar. Eu queria ir e aplicar meus estudos no meu país, mas aqui eu tenho segurança”, afirmou. 

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