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Salma Hayek relata assédio

Atriz escreveu para o “New York Times” sobre investidas de Harvey Weinstein durante gravação do filme “Frida”

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Encontro. Salma Hayek protagonizou “Frida”, por meio do qual se aproximou de Harvey Weinstein
PUBLICADO EM 14/12/17 - 03h00

Nova York, EUA. A atriz Salma Hayek revelou, em um texto escrito para o jornal “The New York Times”, os assédios e traumas que sofreu com o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, conhecido nas últimas semanas após diversas denúncias a respeito de seu comportamento terem vindo à tona. De acordo com ela, Weinstein teria tentado convencê-la a tomar um banho e até fazer sexo oral nela, e, após as recusas, passado a tratá-la com raiva.

No texto, Salma volta ao ano de 2002, quando foi lançado o filme “Frida”, em que foi protagonista. Ela conta que, à época, o império de Weinstein era considerado um sinônimo de qualidade, e mesmo tendo começado sua jornada para produzir seu filme com uma empresa diferente, lutou para tentar levá-lo às mãos do produtor. Salma conta que conhecia um pouco de Weinstein através de sua amizade com o diretor Robert Rodriguez e sua esposa, a produtora Elizabeth Avellan.

“Tudo o que sabia de Harvey naquele momento era que ele tinha um intelecto marcante, era um amigo leal e um pai de família”. “Sabendo o que sei agora, eu me pergunto se não foi minha amizade com eles e com Quentin Tarantino e George Clooney que me salvou de ser estuprada”, reflete. Ela conta que o acordo inicial com Weinstein previa que ele pagasse os direitos do trabalho já desenvolvido por ela. Como produtora, ela receberia um crédito, mas não teria pagamento, “o que não era raro para uma produtora mulher nos anos 90”.

Ele também havia pedido a assinatura de um contrato em que ela faria diversos outros filmes com a Miramax, produtora de Weinstein – “O que eu pensei que concretizaria meu status como atriz principal”, diz Salma. “Eu não ligava para o dinheiro, estava tão animada em trabalhar com ele e a empresa. Na minha ingenuidade, pensei que fosse meu sonho se tornando realidade. Ele havia validado os últimos 14 anos da minha vida, e dado uma chance para mim – uma ninguém. Ele disse sim. Mal sabia eu que seria minha vez de dizer ‘não’”, contou.

“‘Não’ para abrir-lhe as portas a qualquer hora da noite, hotel atrás de hotel, locação atrás de locação, onde ele aparecia inesperadamente, incluindo um local em que eu estava fazendo um filme que ele não estava envolvido. ‘Não’ para tomar um banho com ele. ‘Não’ para deixá-lo me ver tomando banho. ‘Não’ para deixá-lo me fazer uma massagem. ‘Não’ para deixar um amigo nu dele me fazer a massagem. ‘Não’ para deixá-lo fazer sexo oral em mim. ‘Não’ para me deixar nua com outra mulher. Não, não, não, não, não”, desabafou.

Em seguida, ela conta que começou a despertar a fúria de Weinstein, que prometia se vingar para atrapalhar sua vida. “Em um ataque de fúria, ele disse: ‘Eu vou te matar, não pense que não posso’”, relata. “Em seus olhos, eu não era uma artista. Eu não era sequer uma pessoa. Eu era uma coisa: não uma ninguém, mas um corpo”, prosseguiu.

Em outro momento, ela ressalta a importância das denúncias feitas por outras pessoas que sofreram com assédios do produtor: “Quando tantas mulheres vieram à frente para descrever o que Harvey havia feito a elas, eu tive que confrontar minha covardia e aceitar que minha história, por mais importante que fosse para mim, não era nada senão uma gota em um oceano de tristeza e confusão”.

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