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Todo o lirismo de Nádia Figueiredo

Mineira, de Belo Horizonte, se apresenta neste sábado no Palácio das Artes e lança novos ares sobre o território da música erudita

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Condecorada. Cantoria lírica recebeu medalha de Cinquentenário das Forças Internacionais de Paz da ONU
PUBLICADO EM 02/06/17 - 03h00

Nádia Figueiredo, 40, é prova viva de que o canto lírico não precisa ficar preso à opera nem a palacetes. A mineira de Belo Horizonte acabou de voltar da turnê “Europa 2017”, realizada em Portugal, em que fez dueto com o sertanejo Daniel. Ela também emprestou sua voz a “Paride ed Elena”, tema de Linda (Bruna Linzmeyer), na novela “Amor à Vida”. Entre suas gravações estão “Carinhoso”, de Pixinguinha, e “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria.

“A turnê com o Daniel foi algo completamente diferente, as pessoas puderam conhecer algo que não têm costume. Mas, quando elas começam a se aproximar desse universo, elas se apaixonam. As pessoas saem do teatro em êxtase, emocionadas, querem tirar foto”, diz Nádia, que, agora, junta sua voz à do compositor e músico Plácido Domingo Jr., filho do tenor Plácido Domingo, em apresentação neste sábado (3), no Palácio das Artes.

Depois que se conheceram, há três anos, e trabalharam em algumas canções, eles têm percorrido o Brasil com a turnê “Juntos”. A maratona de shows teve início no Rio de Janeiro, onde Nádia mora há 15 anos. De lá, os músicos se apresentaram em Porto Alegre e em São Paulo. Depois do show na capital mineira, os cantores líricos desembarcam em Recife.

“Tenho contato com muitos músicos, comecei a fazer vários projetos e, como canto em vários idiomas, fiz parcerias com maestros britânicos, russos... Numa dessas, conheci o Plácido. A voz dele é muito bonita, gosto de suas composições”, recorda Nádia ao detalhar que o convite para fazer um dueto partiu dela.

“Tinha uma música original na época, mas não tinha encontrado parceiro para ela. Quando vi o Plácido cantando, achei que iria ficar bom, especialmente no Brasil. Como aqui não tem muito desse segmento, e o Plácido não conhecia o país, seria uma boa oportunidade. Todo mundo amou”, conta Nádia. A música escolhida para gravação foi “Lacrime d’Inchiostro”, em estilo pop com vozes líricas.

Além de “Lacrime d’Inchiostro”, a dupla sobe ao palco do Palácio das Artes com “The Way You Look Tonight”, de Dorothy Fields e Jerome Kern, além de “Garota de Ipanema”, de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, “Manhã de Carnaval”, “La Vie en Rose”, de Édith Piaf e Louis Guglielmi, dentre outras. “Canto cinco solos, e ele também. E, juntos, cantamos seis duetos. Tínhamos um repertório com quatro solos, mas as pessoas estavam pedindo bis, então resolvemos aumentar”, diz Nádia.

Projeto. A versatilidade lírica de Nádia fica ainda mais em evidência ao se observar seu maior projeto, o Opera Lounge Music. Nele, a cantora faz homenagens a diversas culturas, países, povos e tradições por meio de sua música.

“Desde que comecei a estudar canto lírico, aprimorei o projeto homenageando povos, comecei a estudar sobre várias culturas e compositores. Um tema que me chamou a atenção foi o aquecimento global, ainda mais porque o governo norte-americano não quer apoiar essa causa. Também gosto de focar o não preconceito da religião. Faço uma homenagem ao flamenco e ao povo judeu, que tem muita ligação com o ritmo espanhol. Canto em hebraico com ritmo flamenco”, diz.

Por isso, a belo-horizontina, que também fala inglês e espanhol, se dedica a aprender idiomas estrangeiros para cantar em línguas que desconhece. Ela já se apresentou com canções em hebraico, russo, italiano e até esperanto – língua artificial criada pelo polonês Ludwig Lazar Zamenhof (1859-1917).

“Acho o italiano mais fácil, é a língua de que mais gosto. Aí, tomo aulas com um professor italiano, passo a música na língua, e ele vai me corrigindo. Também estudo o repertório e a tradução em casa”, afirma.

 

Agenda

O quê. Nádia Figueiredo e Plácido Domingo apresentam a turnê “Juntos”
Quando. Neste sábado (3), às 21h
Onde. Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)
Quanto. Plateia I: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada) Plateia II: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia-entrada), e Plateia Superior: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)


Referências

Interesse pela música desde a meninice

Cantora lírica revela que aprendeu a tocar violão observando a avó e admite que sente muita saudade de Minas

FOTO: Raphael Medeiros/ Divulgação
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Parceria. No Rio de Janeiro, Nádia Figueiredo cantou ao lado do músico e compositor João Donato

A militância nas causas sociais e ambientais começou ainda na infância, logo que Nádia Figueiredo aprendeu a tocar violão. “Quando tinha 11 anos, ganhei em um concurso de música. A canção que apresentei foi ‘S.O.S. Brasil’, que falava sobre desmatamento e questões ambientais”, comenta Nádia.

A cantora lírica aprendeu a dedilhar o instrumento de corda aos 10 anos e, mesmo sem nunca antes ter tirado uma nota no violão, tocou uma música com três acordes. “Minha vó sempre tocou violão. Pedi o instrumento de presente para minha madrinha e acho que decorei vendo minha avó tocando. Quando minha família me viu tocar, logo falou: ‘Coloca essa menina na aula de música’. Entrei e aprendi a tocar violão clássico, que é até mais difícil que o piano”, afirma.

A artista, porém, deixou a música de lado ao completar 18 anos. Os múltiplos acontecimentos em sua vida fizeram com que ela optasse por outros caminhos. “Engravidei aos 19 e fui trabalhar com publicidade, fazia trabalhos como modelo fotográfica. Depois, fiz pós em artes cênicas. Sempre me interessei em fazer cursos com fonoaudióloga e, depois que fiz a pós, senti que, com a carga de atriz, poderia fazer um teatro musical. Aí fui estudar música, aprender a cantar com afinação. O lírico chegou a minha vida quando teve um boom no Rio de Janeiro, há uns nove anos, então decidi me dedicar a ele”, revela.

Devota. Nádia, que deixa claro ter devoção a Nossa Senhora, diz que a primeira música que cantou foi em homenagem à Virgem. “Chorei muito, foi muito forte”, diz ao contar que gravou um videoclipe em reverência à Mãe de Jesus, cantando “Ave Maria”, de Charles Gounod.

“Gravei na mata, em uma capelinha. Todas as cantoras líricas se apresentam em igrejas ornamentadas de ouro, mas Nossa Senhora não pode ficar enclausurada, ela também está na natureza. Fiz o clipe descalça, acho que ela gostou. Vendi vários DVDs e ajudava pessoas carentes com a renda”, diz.

Próximos projetos. Nádia conta que ainda não está previsto, mas pode ser que a turnê com Plácido Domingo Jr. vire um disco. “Ainda não pensamos nisso, mas, como o retorno do público tem sido bom, muitas pessoas têm ido ao teatro, quem sabe não vira um disco?, imagina.

Quanto a outros planos, Nádia é misteriosa. “Tenho dois projetos que não posso divulgar, porque preciso que se concretizem. Só posso adiantar que é um para o Brasil e outro para fora. Vou terminar aulas com uma professora russa no Rio de Janeiro”, diz.

Sempre mineira. Morando no Rio de Janeiro desde que se casou, há 15 anos, Nádia Figueiredo afirma que ainda tem uma ligação muito forte com as terras mineiras. “Não me sinto carioca, me sinto uma mineira morando no Rio. Não tenho sotaque, acho o Rio lindo, mas minha família é toda mineira, me entendo muito bem com as pessoas daí. Os mineiros são diferentes, sinto muita falta”, revela em tom saudosista.

A saudade de Minas Gerais, aliás, é um dos motivos que a têm deixado ansiosa para se apresentar aqui. “Tenho um grupo no WhatsApp só com amigos do colégio onde estudava. Eles virão me assistir no Palácio das Artes, inclusive os que participaram do concurso junto comigo”, comenta a cantora.

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