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Alimentação

Dietas restritivas levam ao ‘terrorismo nutricional’

Restrições a glúten, lactose e outros deixam as pessoas com medo de comer

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Helena Gomes
Vício. Autora do blog Garotas Rosa Choque, Helena Gomes percebeu que a fixação em dietas fazia mal
PUBLICADO EM 15/02/17 - 03h00

Para muita gente, comer está entre os melhores prazeres da vida. Mas essa deliciosa experiência tem-se tornado uma árdua tarefa para quem, a cada nova dieta, tem que se preocupar em evitar ora o glúten, ora a lactose, mesmo sem ter nenhuma restrição alimentar. A esse comportamento a nutricionista franco-brasileira Sophie Deram deu o nome de “terrorismo nutricional”.

“Estamos cada vez mais em guerra com nosso corpo”, diz a também doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O assunto virou tema de um dos capítulos de seu livro “O Peso das Dietas” pois, segundo Sophie, o maior acesso à ciência da nutrição trouxe tantas informações específicas que todos se sentem perdidos, até mesmo os nutricionistas.

Esse excesso de restrições alimentares se tornou ainda mais preocupante à medida que o ato de se alimentar adequadamente ficou extremamente difícil, deixando o público cada vez mais inseguro e com medo de comer. “Dietas restritivas com o intuito apenas de emagrecer estressam o corpo e fazem o cérebro alterar o metabolismo e o apetite, fazendo você engordar ainda mais no longo prazo”, defende.

Transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, são indícios – e consequências – do problema, segundo Sophie. A orientação é que, para diminuir o risco de obesidade ou de desenvolver esse desequilíbrio, o melhor caminho é “fazer as pazes com a comida”. “Não restrinja a quantidade quando estiver com fome, coma bem e perca peso modificando como você enxerga a alimentação”, diz.

Em caso de muita ansiedade, estresse à mesa e medo de engordar, a nutricionista orienta buscar ajuda profissional.

Efeito sanfona. Depois de muita dieta feita de forma errada e sem necessidade, a blogueira Helena Gomes de Sá, 31, aprendeu que eliminar ingredientes no caso de uma pessoa saudável que quer só perder alguns quilos afeta muito sua relação com os alimentos. “Minha experiência com as dietas começou na adolescência. Eu era muito influenciada pela minha mãe e pela minha família. Tinha um terrorismo com os carboidratos”, lembra.

Sua relação com a comida só começou a mudar quando Helena criou o blog Garotas Rosa Choque e passou a receber mensagens de várias outras meninas e mulheres que estavam cometendo os mesmos erros e passando pelo mesmo sofrimento. “Percebi que aquilo não estava nos levando a lugar nenhum. Várias mulheres tendo o efeito sanfona (engordar e emagrecer) que, se elas não tivessem começado a fazer dietas nem estivessem pressionadas a atingir um padrão de beleza, muitas vezes inatingível, talvez não estariam passando por isso”, diz.

Hoje em dia, Helena conta que tenta praticar a “alimentação intuitiva” – come quando está com fome. “Busco mais prazer na alimentação. Essa coisa de associar salada à comida de dieta dá a entender que são ruins, e não são. Comer bem não é castigo, e as dietas acabam se associando a isso. A partir do momento que eu entendi isso, comecei a gostar de comer sem culpa”, afirma a blogueira.

Minientrevista

Sophie Deram
Nutricionista e autora de “O peso das dietas”

Quando esse terror nutricional começou?

Há cerca de 40 anos começaram a ‘demonizar’ a gordura. Depois vieram os ovos, o leite, e hoje estão ‘demonizando’ até os nutrientes, como aminoácidos ou a proteína. Isso gera cada vez mais confusão.

A necessidade de comer a cada três horas também é mito?

Obrigar uma pessoa a comer sem fome é o melhor gatilho para ela engordar. É preciso respeitar a sensação de fome e saciedade. Isso acaba estragando a relação com a fome e desregulando o apetite.

Você também critica essa condenação da sociedade a quem tem excesso de peso. Explique melhor.

Isso é uma grande tristeza para mim. O nosso corpo pode engordar por várias razões que não só necessariamente por uma pessoa comer mal ou não fazer atividade física. Além disso, têm pessoas obesas mais saudáveis do que uma pessoa magra. Existe muito preconceito com a gordura.

É preciso criar uma preocupação maior com as crianças?

Sim. Elas estão vivendo à base de dieta desde cedo, porque escutam a mãe e o pai falando disso o tempo todo. O terrorismo está dentro de casa. Há toda uma fiscalização da sociedade.

Se você pudesse dar algumas dicas, quais seriam?

Não faça dieta, coma alimentos ‘verdadeiros’, menos industrializados e cozinhe.

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