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Análise. Para Pedro Simon, as alianças do PMDB com o PSDB e, agora, com o PT mostram incoerência

FOTO: Wilson Dias/Abr -13.3. 2008
Análise. Para Pedro Simon, as alianças do PMDB com o PSDB e, agora, com o PT mostram incoerência
Política

Críticas. Um dos fundadores da sigla, senador gaúcho diz que barganha por cargos pauta ações partidárias
"O PMDB está à venda", diz Pedro Simon
Solução sugerida é desfiliação em massa e pressão das bases eleitorais
Amália Goulart

"O PMDB está se oferecendo para ver quem paga mais e quem ganha mais". Com esta frase o senador Pedro Simon, do Rio Grande do Sul, definiu para O TEMPO como acredita que vai ser o processo de escolha do seu partido entre os pré-candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff (PT), ministra da Casa Civil, e José Serra (PSDB), governador de São Paulo. O peemedebista decidiu abrir o jogo e contou sua versão sobre o funcionamento da legenda que ajudou a fundar, em 1966.

Figura histórica do PMDB, Simon mostrou-se revoltado com o que chama de "métodos de condução do atual comando do partido". Não faltaram críticas ao atual presidente da sigla, deputado federal e presidente da Câmara, Michel Temer. "O comando partidário não está à altura do partido", afirmou.

Para Simon, o PMDB se corrompeu e hoje está à mercê dos interesses de alguns caciques da sigla que vivem de negociatas. "Passou a ser a política de quem paga mais. Eles ficam esperando para ver quem paga mais", afirmou referindo-se ao fisiologismo da legenda. De acordo com o senador, todas as relações da sigla são motivadas por interesses. E é justamente pensando "em quem paga mais" que os peemedebistas irão escolher entre PT e PSDB na sucessão do presidencial em 2010, segundo Simon.

O senador contou que no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PMDB busca se manter por meio de cargos. Segundo ele, seus colegas de legenda, com exceção de alguns poucos, têm como moeda de negociação com o governo federal a ocupação de espaço na máquina pública.

Simon diz que a situação também foi sentida no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o que mostra que o PMDB não diferencia as contradições partidárias. O partido apoiou o tucano e agora é da base do presidente Lula. "O PMDB fez de tu[/TEXTO_NORMAL]do para agradar Fernando Henrique e conseguiu ‘carguinhos’. Agora faz a mesma coisa com Lula", disse o senador.

Saída. Simon afirma que seu partido passa por uma situação difícil, principalmente, porque tem como presidente o grupo ligado a Temer. Ele defendeu uma saída em massa da legenda daqueles que hoje têm o poder dentro do meio peemedebista. "O PMDB poderia fazer uma limpa", afirmou o senador.

As declarações de Simon acontecem poucos dias depois de seu colega, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), dizer, em entrevista à revista "Veja", que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção" e que um grupo da legenda só pensava em cargos no governo federal.
Nos bastidores, líderes da sigla querem a saída de Jarbas Vasconcelos por causa de suas declarações contra a legenda.

"Isto que estamos passando é uma vergonha", lamentou o Simon. Ele acredita que ainda é possível reverter o quadro com um movimento de mudança oriundo das bases. "Impossível não é. As bases pensam como nós", disse.

História

Democracia.
O PMDB foi responsável pela luta pela redemocratização do Brasil. Na época do regime militar e do bipartidarismo, foi a legenda que abrigou as forças políticas de oposição à ditadura.



A saída de Itamar Franco da Presidência seria o marco da crise

FOTO: ALEXANDRE GUZANSHE - 25.11.2008
A saída de Itamar Franco da Presidência seria o marco da crise
Declínio
Crise teve início no processo de sucessão de Itamar Franco

A queda do PMDB começou quando partido deu início a uma disputa interna pela sucessão do então presidente da República, Itamar Franco, em 1994. Foi o que disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). Segundo ele, pouco tempo antes, o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, assumiu o comando do PMDB. Foi justamente Quércia um dos protagonistas da disputa interna da sigla. Ele e o atual presidente do Senado, José Sarney, brigaram pela indicação do partido à sucessão de Itamar.

“Começou (a deterioração do PMDB) quando Itamar era presidente e deixou o cargo. Aí o Quércia assumiu”, afirmou.

“A política não era mais como na época do Ulisses (Guimarães, um dos ícones da sigla pela luta pela redemocratização do país). Passou a ser uma política de quem paga mais”, lembrou Simon.



Resposta
A história é usada como argumento de defesa

O PMDB deu início à sua história na oposição, mas a maior parte de sua sobrevivência política deu-se apoiando governos. O partido transita entre os extremos.

A legenda foi fundada em 1966, com o nome de MDB, com o objetivo de combater a ditadura militar. Na época, prevalecia o bipartidarismo. O partido dos militares era a Arena. Como única legenda de oposição, o PMDB, por meio de Ulisses Guimarães, protagonizou a campanha pelas eleições diretas, mas só conseguiu eleger o presidente da República por meio de eleição indireta: Tancredo Neves. É justamente para conservar na memória esta história que alguns peemedebistas, antigos no partido, discordam das ideias dos senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos.

“O PMDB tem uma história neste país. Trouxe o voto livre aos brasileiros”, protestou Mauro Lopes, deputado federal e fundador do partido em Minas. “Eles podem criticar as pessoas, mas o partido não”, afirmou Antonio Júlio, deputado estadual que está no partido desde a época do MDB. Para Lopes, o PMDB sempre ajudou o país, por isso detém seis ministério no governo Lula. “Esta pecha de querer cargos não existe. Queremos é governar.” (AG)

Publicado em: 23/02/2009



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