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ARTES CÊNICAS

Em revista, 50 anos do Brasil 

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PUBLICADO EM 12/08/17 - 03h00

 

São várias, as vezes que, ao final do espetáculo, o ator Otávio Augusto escuta frases do tipo: “Você é igual ao meu pai” ou “impressionante como você lembra meu tio”. E ele adora. “É muito prazeroso”. Mas cumpre dizer que, no caso, a plateia não está se referindo à pessoa Otávio Augusto, mas ao personagem que ele interpreta em “A Tropa”, peça teatral que chega agora à capital mineira – sábado e domingo (19 e 20), no Sesiminas – com a proposta de passar a limpo os últimos 50 anos do país da ditadura à operação Lava Jato. 
 
“Interpreto um pai (viúvo), militar aposentado, que recebe os quatro filhos no hospital. Mas cada um está em um momento de vida delicado. Um, metido na Lava Jato, o outro pediu demissão do emprego, o terceiro, envolvido com drogas. O encontro desses homens é, na verdade, a síntese do Brasil dos dias atuais”, diz o ator paulista, que, com a encenação, e aos 72 anos, festeja cinco décadas de trajetória artística. O “pai” interpretado por Augusto é um homem autoritário que, no entanto, é flagrado em um momento de vulnerabilidade.
 
“Na minha opinião, a peça tem uma provocação brilhante, que é não rotular nenhum dos personagens. Não há ‘herói’ e ‘vilão’, pois todos temos um pouquinho de cada um deles. Aqueles homens são seres humanos, com seus acertos e erros”, contemporiza.
 
Outro trunfo que ele aponta é o uso do elemento humor. “A melhor maneira de fazer uma crítica é pelo humor. E no Brasil de hoje, só rindo”, argumenta – aos risos. 
 
Retorno
 
O texto chegou ao veterano ator pelas mãos do próprio dramaturgo, o jovem carioca Gustavo Pinheiro – que, com ele, venceu a seleção “Brasil em Cena”, promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no qual se sobressaiu entre mais de 250 candidatos de todo o país. “O Gustavo me ligou, deixou o texto na minha casa e, ao ler, entendi que se tratava de um texto que precisa ser dito. É uma peça extremamente atual, sobre o Brasil de hoje. E só o teatro possibilita esse tipo de troca com o que está acontecendo no país no momento. Se durante o dia está nos jornais, à noite é possível colocar na peça. Isso é muito rico. A forma como a peça está construída, que vai surpreendendo a plateia aos poucos, é muito interessante”.
 
Na verdade, a empreitada marca o fim de um longo hiato – a peça anterior por ele encenada (“Rock’n Roll, de Tom Stoppard) foi em 2009. “Acabei emendando muitos trabalhos na TV e no cinema nos últimos anos. Mas o teatro é a minha casa, onde gosto de estar, onde sempre estive. É no palco que me reciclo”, diz ele, que atuou em montagem basilares dos palcos nacionais, como “A Ópera do Malandro”, “Galileu Galilei” e “O Rei da Vela”.
 
 
Relação
 
No caso de “A Tropa”, a proposta de Gustavo Pinheiro, frisa Otávio Augusto, é colocar todas as diferenças da nossa sociedade “trancadas” em um quarto de hospital. “Limitadas ao círculo mais estreito de afeto que existe, que é a família. Mas todos nós sabemos como pode acabar uma noite de Natal às duas da manhã, né? (risos). É sobre isso que a nossa peça fala”, sintetiza.
 
A importância do exercício da tolerância é um dos subtextos que dá calço à montagem. Mas o próprio Augusto ressalva. “Nossa democracia é recente. Não estamos acostumados ainda a conviver, com tranquilidade, com ideias opostas à nossa”. 
 
Criado por Bia Junqueira, o cenário apresenta um quarto de hospital com alguns poucos objetos que foram levados pelos filhos – de pertences do pai a presentes. Os figurinos de Ticiana Passos tentam ressaltar as particularidades de cada um. Humberto (Alexandre Menezes) é um dentista militar aposentado que mora com o genitor. João Batista (Daniel Marano), o caçula, é usuário de drogas, com passagens por reabilitações; Artur (Eduardo Fernandes) é um empresário casado, pai de duas filhas, e atua numa empreiteira investigada por corrupção. Por último, Ernesto (Rafael Morpanini) é um jornalista que acaba de se demitir de um jornal e está em crise com a profissão.
 
Retrospecto
 
Sobre os 50 anos de carreira, Otávio Augusto lembra que o início foi turbulento – por conta dos anos de chumbo vigentes. “Às vezes, estávamos ensaiando há dois meses e a censura proibia o espetáculo na véspera”. Apesar dos percalços, sua trajetória é pontuada por momentos marcantes. Além dos já citados no teatro, fez, no cinema, personagens inesquecíveis, como o Edgard, de “Bendito Fruto” (2005). Na telinha, onde estreou em 1965, incontáveis papéis em seriados, minisséries e, claro, novelas – como “Vamp” e “Avenida Brasil”. Ano passado, foi o senador César Venturini, que viveu cenas hilárias ao lado de Luciane (Grazzi Massafera) em “A Lei do Amor”. Desde 1986, é casado com Cristina Mullins, a eterna Santinha, de “Paraíso”</CW><CW-30>.
</CW><CL10.6><EM><QA0>
</CL>[PE_SHOW]<MC>A Tropa
<MC>Teatro Sesiminas (rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Dias 19 (sábado), às 21h, e 20 (domingo) às 18h. R$ 60 (inteira). Ingressos à venda na bilheteria ou pelo site tudus.com.br
 

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