Cerca de 220 mil m³ de água com sedimentos vazaram da cava da mina de Fábrica, da mineradora Vale, localizada entre Congonhas e Ouro Preto, na região Central de Minas Gerais, na madrugada deste domingo (25/1). A informação foi confirmada pelo prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), em coletiva realizada nesta tarde, após vistorias das Defesas Civis estadual e municipais no local. Segundo Cabido, a lama já alcançou o córrego Goiabeiras, que abastece o rio Maranhão, que corta a cidade. A água já apresenta turbidez. 

"Esse vazamento trouxe um impacto significativo por conta da água que saiu e foi carregando todo o material que se encontrava pelo caminho. Já observamos um aumento do volume da água no rio e aumento significativo da turbidez do rio. Então, isso mostra que esse material de fato chegou ao córrego", afirmou o prefeito da cidade de quase 53 mil habitantes na região Central de Minas. 

Segundo Anderson Cabido, a região de Pires, entre Congonhas e Ouro Preto, possui áreas minerárias próximas umas das outras. Mesmo assim, a represa e outras estruturas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não conseguiram conter o avanço da lama. "O vazamento chamou atenção das empresas vizinhas, e a CSN foi uma delas, que teve suas estruturas testadas pelo aumento do volume. A estrutura dela não conseguiu conter [a lama] porque não estava totalmente no caminho do córrego Goiabeiras", ponderou Cabido.

Impacto ambiental 

Embora o impacto ambiental do vazamento na mina da Vale ainda precise ser avaliado por diferentes análises, o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, afirmou que a entrada de lama — que acumulou resíduos ao longo do caminho até o córrego Goiabeiras — se soma a um histórico de destruição causado pela atividade minerária na região. 

"O carregamento de material é grande. Uma área de mineração tem muita lama pelos caminhos, resíduos de minério nas estradas e nas margens. Quando a água chegou, levou tudo isso embora, e esse material vai se acumular nos rios ao longo do tempo. É um impacto ambiental muito significativo, que se soma ao histórico de impactos que sempre tivemos em nossos rios", afirmou.

Lama no córrego Goiabeiras deixa comunidade em alerta 

A comunidade de Congonhas fica em alerta devido ao possível transbordamento em cadeia do rio Goiabeiras. “O encontro do Goiabeiras com o rio Maranhão fica ao lado da rodoviária de Congonhas. Ainda não sabemos a magnitude do ocorrido, mas estamos todos em alerta, especialmente porque o rio já estava bastante cheio nos últimos dias, quase transbordando”, alerta um morador da cidade e ex-funcionário da Vale, que falou em anonimato. 

O que diz a Vale? 

Por nota, a mineradora Vale informou que o incidente foi um "extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto". Segundo a empresa, o fluxo atingiu algumas áreas de uma empresa, sendo que pessoas e comunidades não foram afetadas. 

"Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas.  A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana", concluiu. 

Material não atingiu diques ou barragens da CSN

Procurada pela reportagem, a CSN informou por nota que o incidente na mina da Vale causou um "alagamento de áreas na unidade Pires, em Ouro Preto, de propriedade da CSN Mineração". Entre as estruturas da mineradora que foram atingidas estão o almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas, área de embarque, "entre outras áreas e atividades". Entretanto, nenhuma barragem ou dique teria sido atingido.

"Importante ressaltar que  todas as estruturas de contenção de sedimentos da CSN Mineração estão operando normalmente. A CSN Mineração informa que, desde o primeiro momento, acompanha a situação de forma permanente e que as autoridades competentes já foram comunicadas", completou. 

A mineradora negou que tenha sido necessário evacuar seus trabalhadores em decorrência da inundação.