O “Cemitério das Mulheres” que ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias não existe. O espaço apresentado em vídeos e publicações é parte de uma campanha do Governo de Minas Gerais de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher.

A ação foi construída para simular a existência de um cemitério destinado exclusivamente ao público feminino. Nas imagens, o local aparece decorado com flores e elementos em tons de rosa, enquanto uma conta nas redes sociais divulgava serviços funerários e planos póstumos voltados para mulheres. A estratégia, inicialmente apresentada sem explicar que se tratava de uma campanha, provocou uma enxurrada de críticas.

Siga O TEMPO no Google e receba as principais notícias
Seguir no Google

Entre os nomes que se manifestaram estão Viviane Araújo, Cíntia Chagas, Erika Januza e Rafael Zulu. Nas redes sociais, Erika questionou o foco dado à morte de mulheres em vez de medidas voltadas à garantia de uma vida segura. “Tanta coisa para fazer, para pensar nas mulheres, para ter uma vida melhor. Tá pensando em como uma mulher pode morrer melhor, para morrer em paz”, afirmou a atriz.

Após a repercussão, o governo revelou o propósito da ação. “O cemitério é falso. A violência que mata mulheres é real”, esclareceu em um vídeo que explica a campanha. A publicação orienta as vítimas ou pessoas que identificarem situações de violência a procurar ajuda e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Campanha aborda ciclo da violência

A campanha também chama atenção para a forma como a violência doméstica pode se desenvolver antes de chegar à agressão física. O conteúdo apresentado pelo governo descreve comportamentos como manipulação, ameaças, controle de dinheiro, cartões e celular e humilhações como sinais de uma escalada de violência que pode terminar em feminicídio.

Segundo os dados divulgados na campanha, o número de feminicídios cresceu 14,5% desde 2021. O governo também afirma que oito em cada dez mulheres assassinadas não haviam registrado denúncias anteriores.

Além da ação publicitária, o Governo de Minas criou uma página específica sobre o “Cemitério das Mulheres”, com informações sobre os tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha e orientações para buscar ajuda e denunciar.

O conteúdo aborda o chamado ciclo da violência doméstica, caracterizado por diferentes fases. De acordo com a campanha, a tensão se acumula no relacionamento até chegar a um episódio de agressão. Depois, o autor pode demonstrar arrependimento e prometer mudanças, criando um período de aparente tranquilidade que pode dificultar a ruptura da relação.