Ana Cláudia da Silva Souza, de 41 anos, passou cerca de um dia em uma encosta no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, na altura do bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, antes de ser resgatada por uma ação integrada das forças de segurança na manhã desta terça-feira (26/5). Segundo o Corpo de Bombeiros, ela sofreu uma queda de cerca de 10 metros e, em seguida, escorregou por outros 40 metros na encosta. Para sobreviver, a mulher tentou escalar o terreno de volta e conseguiu se agarrar a uma raiz.
As horas de tensão foram relatadas por Ana Cláudia ao sargento da Polícia Militar Fernando Saraiva Rodrigues, responsável por descer de rapel até a encosta para alcançá-la, conforme mostram imagens impressionantes do resgate. Os dois permaneceram juntos por quase uma hora, aguardando melhores condições para o retorno à aeronave. Foi nesse momento que Ana Cláudia conseguiu, enfim, soltar a raiz à qual estava agarrada havia horas para evitar continuar deslizando pela encosta.
“Era possível que encontrássemos um cadáver, mas avistamos Ana Cláudia viva. Quando desembarquei da aeronave e cheguei até ela, vi que o terreno era muito íngreme. Ela estava desidratada, machucada e com escoriações no nariz. Já não aguentava mais se segurar na raiz, então consegui colocá-la sentada para que descansasse ao menos um pouco”, contou o sargento Saraiva Rodrigues.
No período em que permaneceram juntos na serra, Ana Cláudia desabafou sobre o sofrimento vivido ao lado do ex-companheiro, um homem de 52 anos preso em flagrante suspeito de sequestrá-la e empurrá-la do penhasco. Segundo o sargento, a mulher relatou que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento, mesmo diante de uma medida protetiva.
“Ela ficou quase 26 horas na serra. Passou o dia inteiro naquele local, em uma época de frio. Poderia ter sofrido hipotermia e, graças a Deus, isso não aconteceu. Ela contou que ficou escondida, com muito medo de o agressor ainda estar por perto. Disse que viu algumas lanternas, e eu expliquei que provavelmente eram os bombeiros”, relatou o sargento Fernando Saraiva Rodrigues.
Ana Cláudia conseguiu escalar cerca de 10 metros antes de parar, exausta, agarrada a raiz de uma árvore. “Ela ficou bastante tempo ali. Muitas horas sem beber água. Estava com ferimentos no nariz e várias escoriações nos braços, mas sem lesões graves”, afirmou.
A mulher foi encaminhada ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, para avaliação médica e realização de exames, sem apresentar ferimentos graves.
'Gratificante', diz PM que socorreu vítima
O sargento da Polícia Militar Fernando Saraiva Rodrigues tem experiência em missões de salvamento e atuou, por exemplo, nas operações após o rompimento da barragem em Brumadinho, uma das maiores tragédias de Minas Gerais, em 2019. Ele também costuma atuar em resgates de praticantes de parapente vítimas de quedas, ocorrências frequentes na região do Rio Doce.
“As ocorrências com as quais mais me identifico são essas missões de salvamento e transporte de órgãos. É sempre muito gratificante. Tive contato com a vítima no Rola-Moça por quase uma hora e pudemos conversar. Tudo foi muito sofrido para ela, então foi muito reconfortante poder atuar neste resgate”, relata o PM.
Suspeito teria ameaçado empurrar mulher de penhasco
O principal suspeito por trás do desaparecimento de Ana Cláudia é o ex-companheiro da vítima, de 52 anos, que foi preso nesta manhã em Várzea de Palma, no Norte de Minas.
Nessa segunda-feira (25), dia do desaparecimento da mulher, um ex-genro do suspeito informou aos militares que conseguiu contato telefônico com ele. Segundo o relato, o homem teria afirmado que havia sequestrado Ana Cláudia e que estaria com ela na região do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, ameaçando empurrá-la de um penhasco. Por causa da denúncia, as buscas foram concentradas na área do parque.
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Desaparecimento
De acordo com o boletim de ocorrência, o último contato com Ana Cláudia ocorreu na manhã de segunda (25), por meio de mensagens trocadas com a filha mais velha, de 24 anos. Na ocasião, a vítima informou que levava a filha mais nova, de 9 anos, à escola antes de seguir para o trabalho.
Ainda conforme o relato, a jovem contou que a mãe teria visto o ex-companheiro — com quem manteve um relacionamento conturbado por cerca de 10 anos e teve a filha caçula — nas proximidades. O homem foi descrito como vestindo blusa preta e bermuda marrom e teria passado correndo do outro lado da rua.
A última mensagem enviada pela vítima à filha ocorreu por volta das 8h56. Já por volta das 15h30, familiares passaram a questionar o paradeiro da mulher, e a empregadora informou que ela não havia comparecido ao trabalho e não atendia às ligações. Diante da situação, foi acionado o Disque 190.
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