A menos de 15 dias para o prazo prometido para o fim da reforma da praça Vaz de Melo, no bairro Lagoinha, na região Noroeste de Belo Horizonte, o local ainda é um grande canteiro de obras. Os trabalhos, que começaram em julho de 2025, não serão entregues dentro do previsto. A conclusão, prometida para o dia 2 de julho deste ano, está adiada por seis meses. Questionada por O TEMPO, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que o fim das atividades está previsto para acontecer em dezembro de 2026.
Fatores técnicos identificados durante os serviços impactaram na paralisação temporária de parte dos compromissos. À reportagem, o executivo municipal justificou a readequação no calendário da obra que custou, inicialmente, R$ 4.544.289,89 aos cofres públicos.
“O cronograma foi afetado em razão de fatores técnicos identificados durante a execução dos serviços. No decorrer da obra, foram constatadas interferências que demandaram análises e manifestações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), ocasionando a paralisação temporária de parte das atividades”, informou em nota a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).
Ainda, a pasta informou que o elevado volume de chuvas registrado entre o final de 2025 e o início de 2026 impactou diretamente os serviços de terraplenagem e infraestrutura, exigindo ajustes no planejamento da execução das obras de revitalização da praça Coronel Guilherme Vaz de Melo.
O que está sendo feito na praça?
Atualmente utilizada como passagem de acesso à passarela da Lagoinha, a Praça Vaz de Melo, localizada entre a avenida presidente Antônio Carlos, rua Adalberto Ferraz e rua Itapecerica surgiu nos anos 90 com a intenção de receber eventos, o que nunca aconteceu. O projeto de reestruturação da praça incorpora novos elementos de paisagismo e estrutura.
O design ambiental da praça receberá o plantio de 193 novas árvores, junto de 33 arbustos. Outras 10 serão transplantadas e 32 continuarão no local original. Também serão implantados novos bancos, quiosques, área segura de recreação com sombreamento para crianças e espaços de permanência e lazer ao ar livre, “que podem também abrigar eventos culturais”, disse a PBH.
Projeto prevê reestruturação da praça e incorpora uma variedade de novos usos e mobiliários urbanos l Fred Magno/O TEMPO
Revitalização do Complexo da Lagoinha
O Plano de Ocupação Centro-Lagoinha é resultado de discussão pública iniciado na Conferência Municipal de Política Urbana de 2014.
Dez anos depois, em 2024, O TEMPO teve acesso com exclusividade ao projeto finalizado pela PBH, com a previsão de um prédio com cerca de 80 apartamentos sociais e 13 pontos de comércio. O empreendimento ficará em frente ao novo “Parque de Integração da Lagoinha”, a ser construído na praça. Na época, foi prometido que a finalização das obras aconteceriam em até um ano e meio.
Praça ‘berço de BH’ e entorno terão R$ 12 milhões em investimento
O projeto prevê a integração e qualificação dos espaços públicos do complexo viário da região, foca na melhoria das condições de mobilidade e acessibilidade ‘especialmente para pedestres’ e busca valorizar, preservar e proteger o patrimônio local. Estão no papel das obras da praça Vaz de Melo: espaço com brinquedos para crianças, área de lazer e a oferta de habitação. Este último é um tópico preocupante na capital mineira: mais de 700 pessoas vão parar nas ruas de BH a cada mês; mulheres são as mais vulneráveis.
Famílias de baixa renda – de um a dois salários mínimos –, que não tenham outro imóvel e atendam aos critérios da Política de Habitação de Belo Horizonte terão o benefício de morar nos apartamentos.
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