Há mais de 30 dias, pedestres e motocicletas têm disputado o mesmo espaço na calçada da avenida Cristiano Machado, na altura do bairro Dona Clara, entre as regiões Norte e Pampulha de Belo Horizonte. Desde o início das obras da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), em 1º de julho, o assoalho urbano próximo à via se transformou em uma espécie de "faixa extra" ilegal para motociclistas que buscam desviar do congestionamento causado pela intervenção no local. Enquanto isso, lojistas denunciam a falta de segurança e fiscalização.

O TEMPO esteve na Cristiano Machado no início da tarde desta sexta-feira (7/8). Em cerca de 15 minutos, foram flagrados mais de 10 motocicletas utilizando a calçado como "desvio" do trânsito pesado. Comerciantes ouvidos pela reportagem afirmaram que motociclistas já usavam o espaço urbano destinado a pedestres antes das obras da Gasmig, mas ressaltaram que a situação piorou desde o início da intervenção.

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“Eu ando igual calango agarrado no muro, porque os motoqueiros querem passar em cima de mim”, conta Vera Lúcia Barbosa, funcionária de uma loja de locação de máquinas. Segundo ela, na semana passada, um outro colaborador da empresa quase foi atingido por um veículo que trafegava pelo passeio. "Se você der bobeira, vem uma moto e te pega", diz.

Infrações gravíssimas

Também colaborador da empresa de locação, Wenderson Luiz de Carvalho diz que a fiscalização na Cristiano Machado até existe, mas, nas palavras dele, "não adianta nada" e "só fica um pouco", entre 7h e 8h30. Ele explica que agentes da Guarda Civil Municipal costumam aparecer na região pela manhã, mas que, fora dos horários de pico, não há supervisão.  

“Enquanto não houver um atropelamento aqui, vai continuar assim”, denuncia o trabalhador.

O funcionário diz que presenciou até mesmo uma "fuga" pela calçada da avenida na última semana. Segundo ele, dois guardas municipais estavam em frente à empresa quando um motociclista, ao perceber a presença dos guardas, fez uma manobra sobre o passeio. Conforme o relato, o condutor fugiu pela contramão.

Impactos para o comércio

O problema também é percebido por Igor Sena Lima, sócio de uma empresa de pré-moldados a poucos metros da loja de locação. O empresário afirma que a circulação irregular já ocorria antes da obra, mas apenas quando o trânsito ficava congestionado.

“Só o trânsito parar que eles começam a passar pela calçada. Com a obra a situação tem piorado, porque o trânsito está ficando parado o dia todo”, diz.

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Além do risco para pedestres, ele avalia que a situação tem afetado diretamente os lojistas da região. “Até cliente evita de vir aqui por causa do trânsito. ‘Ah, não vou pegar esse pedaço ali não’”, aponta.

Obra começou em julho

De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o projeto está relacionado ao remanejamento da rede de gás na região da interseção das avenidas Cristiano Machado e Sebastião de Brito. A intervenção teve início em 1º de julho, com previsão de durar 40 dias — ou seja, término programado para a próxima segunda-feira (10/8). No fim de julho, porém, o prazo do convênio foi prorrogado por 120 dias.

A Gasmig afirma que já concluiu a etapa principal dos serviços e liberou integralmente as frentes de trabalho para que a PBH dê continuidade às atividades previstas. Ainda segundo a empresa, os serviços sob sua responsabilidade agora se limitam a "ajustes finais", com conclusão "prevista para a próxima semana".

Segundo a administração municipal, toda a gestão dos serviços é de responsabilidade da Gasmig.

Lojistas esperam melhora, mas têm dúvidas

Com a conclusão das obras à vista, comerciantes esperam que o trânsito na Cristiano Machado volte a fluir. Por outro lado, a expectativa diante das infrações registradas na calçada não é tão positiva. 

Para Igor, o fim das obras pode não ser suficiente para acabar com o problema das motocicletas. Segundo ele, a prática de usar a calçada já está incorporada ao comportamento de alguns motociclistas. “Do jeito que os motoqueiros ficaram mal-acostumados, eu acho que para eles não vai resolver muita coisa não. Eles vão continuar passando em cima do passeio”, aposta.

Procurada, a Guarda Civil Municipal informou que intensificou a fiscalização na Cristiano Machado, nas últimas semanas, para combater essas irregularidades. "É dever de todos os condutores respeitar a sinalização e as normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), incluindo a proibição de circulação de motocicletas sobre calçadas, destinadas exclusivamente à circulação de pedestres", complementou.

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Conforme o CTB, trafegar com motocicleta sobre o passeio constitui infração gravíssima, sujeita à aplicação de multa no valor de R$ 880,23 e à perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

"Denúncias podem ser feitas pelos seguintes canais: 153 (Guarda Municipal), portal de serviços da Prefeitura, aplicativo BH SIM, 156 (Prefeitura de BH) ou ainda 190 (Polícia Militar)", orientou a Guarda.