Entubada há cerca de 15 dias após sofrer uma sequência de crises epilépticas, a paciente Bruna Horta Ornelas, de 42 anos, aguarda no Hospital Júlia Kubitschek, no Barreiro, uma transferência determinada pela Justiça para uma unidade particular de saúde, já que o Sistema Único de Saúde não dispõe de vagas. A família afirma que a transferência já foi determinada por meio de decisão liminar, e a determinação prevê que a paciente seja encaminhada para um hospital particular caso não haja leito disponível na rede pública, garantindo o atendimento especializado de que ela necessita. No entanto, mesmo com a decisão judicial, a transferência ainda não teria sido realizada.
Diante da gravidade do quadro, os familiares cobram uma posição do estado e pede que a determinação judicial seja cumprida com urgência. De acordo com a prima de Bruna, Gabriela Horta de Carvalho, a familiar convive com epilepsia desde aproximadamente um ano de idade. Há cerca de duas semanas, ela sofreu uma crise convulsiva considerada grave e foi levada ao Hospital Júlia Kubitschek, onde precisou ser entubada após não responder às medicações anticonvulsivantes.
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Gabriela explica que os médicos suspeitam que a prima esteja apresentando episódios de "convulsão silenciosa", condição que só poderia ser confirmada por meio de um encefalograma contínuo, exame utilizado para monitorar a atividade elétrica do cérebro. "Bruna corre risco de vida pois o hospital Júlia não se dispõe de encefalograma para que seu cérebro seja monitorado. Todas as vezes que os médicos tentam extubar, ela convulsiona novamente. Os médicos acreditam que ela pode estar tendo convulsões silenciosas, mas ela precisa desse equipamento para confirmar", afirmou.
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Diante da ausência de vaga em um hospital público que disponha do exame, a família ingressou com uma ação judicial e obteve uma liminar determinando que o estado de Minas Gerais providencie a transferência da paciente para uma unidade particular. Conforme Gabriela, entretanto, a decisão ainda não foi cumprida.
"A gente conseguiu uma liminar para que o Estado colocasse minha prima em um hospital particular. Só que, mesmo com essa liminar, a transferência ainda não aconteceu. A Bruna está correndo risco de vida porque não consegue o atendimento de que precisa e a decisão da Justiça não está sendo cumprida", relatou.
Uma vida marcada por perdas e limitações desde a infância
A prima de Bruna relata que a paciente passou por uma sequência de perdas familiares e enfrenta dificuldades de saúde desde criança. Segundo ela, Bruna convive com crises convulsivas desde muito nova, o que teria afetado o desenvolvimento e impedido que ela trabalhasse. “Se você conversar com ela hoje, você acha que ela é uma criança. Ela nunca trabalhou, porque as crises desde muito cedo atrapalham a vida dela”, contou.
Gabriela também descreveu o histórico de perdas que marcou a trajetória da irmã. “O irmão dela morreu há um tempo. Seis meses depois, o pai dela morreu. A mãe ficou muito triste, teve câncer e também morreu. Hoje é só ela e a irmã dela”, relatou, emocionada.
Hospital diz que paciente recebe assistência e aguarda vaga em unidade especializada
A direção do Hospital Júlia Kubitschek (HJK), por meio da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), informou que Bruna segue sendo assistida na unidade, conforme as necessidades clínicas apresentadas. Segundo o hospital, como a instituição não é referência para atendimentos de neurologia, o caso foi encaminhado para a Regulação Municipal e aguarda uma vaga em uma unidade da rede pública que ofereça essa especialidade.
A unidade afirmou ainda que acompanha a situação da paciente enquanto aguarda a transferência para um serviço de referência.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) também foi procurada pela reportagem. O posicionamento da pasta ainda é aguardado.
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