O Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango, comunidade quilombola de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi contemplado nessa quinta-feira (6/8) com a entrega das obras de recuperação que envolveram a contenção de uma encosta com risco de deslizamento, reconstrução de edificações e melhorias na infraestrutura. As intervenções receberam R$ 1,18 milhão em recursos provenientes de uma multa aplicada à mineradora Vale.
As obras foram realizadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por meio do Programa Minas para Sempre. Além da contenção emergencial da encosta, os trabalhos incluíram serviços de drenagem do terreno e melhorias nas redes elétrica e hidrossanitária.
Conforme o MPMG, o projeto incluiu a reconstrução do salão utilizado para rituais, da cozinha, de anexos e de banheiros acessíveis. As edificações antigas precisaram ser demolidas, já que não havia a possibilidade de aproveitamento.
Para conter a encosta, foi construído um muro de arrimo de seis metros de altura e seis metros de profundidade, além de estruturas para auxiliar na drenagem da água da chuva.
Mãe Efigênia, líder da comunidade, se emocionou ao falar sobre a recuperação do espaço. Ela contou que viveu durante anos em uma casa de madeira construída por ela própria. “Isso hoje para mim é uma glória. Eu nunca pensei na minha vida chegar e passar a mão numa casa rebocada, porque a minha casa era de madeira”, afirmou.
'Símbolo de resistência', diz MPMG
Segundo o promotor de Justiça Marcelo Maffra, responsável pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural (CPPC) do MPMG, o projeto faz parte da atuação do órgão na preservação do patrimônio histórico e cultural de Minas Gerais. “O quilombo Manzo é símbolo de resistência, é um projeto que representa a história de Minas Gerais de uma forma muito significativa”, afirmou.
Maffra destacou ainda que, nos últimos anos, o Programa Minas para Sempre destinou cerca de R$ 70 milhões a mais de 60 projetos relacionados ao patrimônio cultural em diferentes regiões do Estado.
Patrimônio cultural
O Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango foi reconhecido como patrimônio imaterial pelo município de Belo Horizonte em 2017. No ano seguinte, o reconhecimento também foi concedido pelo Estado de Minas Gerais.
A história da comunidade está ligada à trajetória de sua fundadora, Efigênia Maria da Conceição, conhecida como Mãe Efigênia. Descendente de indígenas e de africanos escravizados que viveram na região do Morro da Queimada, em Ouro Preto, ela se mudou com a família para Belo Horizonte em 1955.
Na década de 1970, Mãe Efigênia adquiriu o terreno que se tornou o núcleo da comunidade. Em razão da perseguição religiosa e do racismo enfrentados pelos integrantes, parte da comunidade se estabeleceu, em 2007, no bairro Bonanza, em Santa Luzia.
Atualmente, o Kilombo Manzo mantém atividades tanto em Santa Luzia quanto em Belo Horizonte.
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