A sequência de rompimentos de adutoras registrados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, entre agosto e setembro deste ano, pode ter sido provocada por sabotagem. A suspeita foi apresentada pela presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nessa segunda-feira (14/9). A empresa também relatou danos ao sistema antiodor da Lagoa da Pampulha e informou que vai repassar ao órgão os dados já levantados para subsidiar uma possível investigação criminal.

A reunião entre a presidente da Copasa e o MPMG ocorreu na sede da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC), em Belo Horizonte, e contou com a participação de integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Coordenadoria Estadual de Investigação Criminal e Articulação Policial (Coeic). A partir da análise das informações que serão entregues pela companhia, o Ministério Público poderá abrir uma investigação para apurar se houve ação criminosa nos episódios.

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A suspeita de sabotagem surge após a sequência de problemas que provocou impactos no abastecimento da população. Os rompimentos ocorreram em diferentes pontos da Grande BH. O primeiro foi registrado em 19 de agosto, na rua Xapuri, no bairro Nova Granada, na região Oeste da capital, onde a água alagou ruas e invadiu imóveis. O problema chegou a afetar cerca de 120 mil imóveis em Belo Horizonte, que ficaram dias sem água. 

No início de setembro, ainda havia aproximadamente 44 mil casas sem água nas regiões Oeste e Barreiro. Na ocasião, a Copasa informou que o rompimento havia ocorrido em uma área complexa, com ocupação irregular sobre a adutora, e que precisou construir uma nova tubulação devido à dificuldade de acesso à estrutura.

O segundo problema aconteceu em 5 de setembro, na Praça Guimarães Rosa, no bairro Cidade Nova, na região Nordeste. Em 7 de setembro, uma adutora se rompeu no bairro Milionários, no Barreiro, provocando uma enxurrada de água e lama e afetando 65 bairros.

No caso do Milionários, inicialmente a Copasa apontou que o rompimento havia sido provocado por uma alta pressão na rede após uma interrupção no fornecimento de energia elétrica. A companhia afirmou que a ocorrência não tinha relação com o problema da rua Xapuri. O abastecimento nas áreas afetadas pelos diferentes rompimentos foi normalizado gradativamente até a manhã de 9 de setembro.

O último caso ocorreu às margens da BR-040, no bairro Kennedy, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e afetou 2.632 ligações. Segundo a Copasa, o problema também não teve relação com os casos de Belo Horizonte e não provocou desabastecimento abrangente no município. Durante a retomada da adutora, algumas peças apresentaram vazamento e precisaram ser substituídas antes da normalização do sistema.

Danos na Lagoa da Pampulha

Além dos rompimentos, a Copasa informou ao MPMG que o sistema antiodor da Lagoa da Pampulha também foi danificado. Cabos foram furtados e outras peças do equipamento foram avariadas. A situação foi identificada durante uma vistoria técnica realizada em 8 de setembro, em uma estrutura localizada próxima ao Aeroporto da Pampulha.