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Colégio de BH adverte estudantes com tranças e gera protesto

Jovens dizem ter sido vítimas de preconceito, e foto de uma delas se manifestando em rede social viraliza

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Reação. Em apoio às alunas, estudantes realizaram ontem protesto no pátio do Colégio Tiradentes
PUBLICADO EM 11/10/18 - 03h00

A determinação da direção do Colégio Tiradentes, no bairro Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte, para que duas estudantes, de 17 e 16 anos, retirassem as tranças modelo “box braid” e alterassem o penteado, gerou revolta entre alunos da unidade de ensino, na última terça-feira. Enquanto a escola alega que a medida foi solicitada para atender o regulamento de vestimenta do colégio, as jovens dizem ter sido alvo de racismo.

Nesta quarta-feira (10), um grupo de alunos do nono ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio do Tiradentes realizou um protesto no pátio do colégio contra a medida. Um vídeo divulgado em redes sociais mostra os estudantes reunidos. Eles gritam “somos todos tranças” e batem palmas.

Uma das estudantes também divulgou fotos em que estava chorando e se diz vítima de preconceito. “Foram anos de aceitação. Anos que demorei para aceitar minha cor, meu cabelo, minha ancestralidade. Dói em mim, em pleno 2018, em época que todo dia vejo uma história de preconceito, em qualquer lugar que seja, um lugar onde deveria propagar o respeito às diferenças entres raças me manda ocultar quem sou de verdade?”, questiona a adolescente.

Até o fechamento desta edição, a postagem já havia sido compartilhada 500 vezes e sido vista por cerca de 1.300 pessoas no Facebook.

Outra aluna, que também diz ter sofrido discriminação em função do penteado, deixou um desabafo na internet. “Querer obrigar as meninas a tirar suas tranças, qual o problema ter tranças? Pode parecer besteira, asneira, mas não é. Algumas pessoas não sabem o que isso significa pra nós, meninas negras!”, afirmou a jovem.

Outro lado

A comandante das unidades do Colégio Tiradentes de Belo Horizonte e região metropolitana, tenente-coronel Livia Azevedo, explicou que a situação ocorrida na terça-feira foi durante uma reunião entre a direção da escola e os estudantes. No encontro, segundo ela, os alunos foram advertidos das exigências de vestimenta do colégio, mas as duas jovens teriam se recusado a se adequar.

“Foram chamados diversos estudantes que apresentavam penteados e coloração em desacordo com o regimento interno da instituição”, disse a militar. Ainda conforme a comandante, a orientação não foi a retirada das tranças, mas sim a adequação ao penteado permitido pelo regulamento.

“Elas precisam usar rabo de cavalo na altura das orelhas ou coque. Mas as tranças são grossas e não modelam esses penteados. Recomendamos, então, que afinassem as tranças, não retirassem”, explicou. Segundo a comandante, as alunas têm até o próximo dia 22 para se adequar.

 

Jovens são atacadas em rede social

Embora grande parte das mensagens nos perfis das adolescentes, após a divulgação do caso, sejam de apoio, em áudios e prints as estudantes são chamadas de “macacas”, “negrinhas” e “mimizentas” em redes sociais. “Sai fora, suas macacas. Vocês não querem aceitar as regras, sai fora do colégio”, diz uma voz masculina em áudio.

Sobre os ataques virtuais sofridos pelas adolescentes, a comandante do Colégio Tiradentes, tenente-coronel Livia Azevedo, afirma que a corporação está tentando identificar se os agressores são alunos ou ex-estudantes, para que possam ser adotadas medidas disciplinares cabíveis. As vítimas foram orientadas a denunciar isso em uma delegacia.

Mudança

Regulamento. De acordo com a direção do colégio, existe uma proposta de revisão do regulamento interno da escola, mas a possibilidade do uso do cabelo solto está descartada.

 

Minientrevista

Livia Azevedo

Comandante do Colégio Tiradentes

Por que foi pedido para que as alunas retirassem as tranças?

Na verdade, as alunas em questão já usavam as tranças havia mais de um ano. É importante ressaltar que as tranças, por serem grossas, da espessura de um dedo, não permitiam que as alunas prendessem o cabelo em forma de coque ou rabo de cavalo na altura das orelhas, conforme o regulamento escolar.

Quais as sanções para o aluno que não cumpre o regulamento?

O estudante é, primeiramente, notificado na escola. Se recorrer, ele leva notificação para conhecimento dos pais. Se ainda assim ele não se adequar, poderá responder às medidas disciplinares e chegar, em último caso, a um colegiado, que poderá decidir pela expulsão ou não daquele aluno.

Por que o sistema é tão rígido?

Existe um padrão, e um dos valores é a representatividade estética militar que o colégio adota, portanto o regimento se faz necessário.

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