Sem acordo

Kalil determina que guarda municipal não saia às ruas e fique no quartel

Ordem do prefeito acontece um dia depois da guarda fazer uma manifestação com a intenção de pleitear 20% de reajuste salarial

Por Pedro Ferreira, Franco Malheiro e Raquel Penaforte
Publicado em 12 de dezembro de 2019 | 18:02
 
 
 

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), determinou nesta quinta-feira (12) o aquartelamento do efetivo da Guarda Municipal da cidade por “motivo de segurança”.

Viaturas foram recolhidas, e os agentes estão proibidos de sair do quartel. A determinação do prefeito foi tomada um dia depois da categoria fazer uma manifestação na avenida Afonso Pena, em frente à prefeitura, para pleitear 20% de reajuste salarial.
 
Segundo o chefe do Executivo municipal, os mais de 2.000 guardas ficarão fora das ruas até que a situação se resolva. “A Guarda armada na rua é uma ameaça. Eu não posso admitir que homens armados marchem para uma secretaria ou para a porta da prefeitura. Farda e armas é uma coisa muito perigosa”, disse Kalil, durante coletiva.
 
Kalil explicou que os agentes estão “recolhidos e aquartelados armados, por enquanto”. Ele suspendeu ainda a compra de 780 pistolas que seriam destinadas à corporação.
 
Segurança. A situação, entretanto, pode comprometer a segurança pública caso se estenda por tempo prolongado, segundo especialistas. A Guarda Municipal é responsável por patrulhamento comunitário preventivos nas ruas e em edifícios públicos, postos de saúde, parques, ônibus e grandes eventos. Enquanto os agentes são mantidos dentro do quartel, as áreas que são de responsabilidade deles serão vigiadas pela Polícia Militar (PM), a pedido da prefeitura.
 
A corporação se comprometeu em reforçar a segurança municipal. “Vamos continuar com nosso patrulhamento ostensivo e estender (esse trabalho) aos prédios públicos, aos parques, postos de saúde, escolas etc, que são da Guarda”, afirmou o coronel da PM, Anderson de Oliveira. 
 
Segundo o militar, no período de Natal e de férias escolares, em janeiro, a cidade já conta com um reforço na segurança, e isso ajudará na missão. “A população não ficará sem segurança. Estamos com todo nosso efetivo nas ruas”, garantiu Oliveira.
 
Apesar da promessa de reforço, a ausência da Guarda Municipal deixa a população em alerta. Na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Leste, no bairro Vera Cruz, na região Leste, pacientes temiam a falta do agente, na tarde de ontem. “Sempre tem confusão de quem reclama dos atendimentos”, salienta a auxiliar de serviços gerais, Margarida Maria Ferreira.

Durante cerca de meia hora em que a reportagem de O TEMPO esteve na unidade de saúde, na tarde de ontem, não foi percebida a presença da Polícia Militar no local.
 

Para o especialista em segurança pública Jorge Tassi, a PM pode até suprir a ausência da Guarda por alguns dias, mas, a longo prazo, a medida pode sobrecarregar os militares e prejudicar o policiamento na capital. “A ausência da Guarda Municipal pode também provocar o descontrole de furtos e roubos”, concluiu o especialista.

 

Agentes reivindicam 20% , mas prefeitura faz proposta de 7,2%

Os guardas municipais reivindicam 20% de reajuste salarial, mas a prefeitura fez uma proposta de 7,2%, dividido em duas parcelas – a primeira em janeiro e a segunda em dezembro de 2020.
 
“Nós continuamos abertos à conversa, mas, mais uma vez, não é assim que se trata as questões de quem usa farda e arma na cintura. Vamos ter que rever todo o procedimento da guarda, a responsabilidade, a parte comportamental”, ressaltou o prefeito Alexandre Kalil. 
 
Em resposta à ordem de aquartelamento, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) afirmou que é fundamental manter a serenidade e o espaço de diálogo e que, na próxima segunda-feira, a entidade e um representante da Guarda vão se reunir com o prefeito. 
 

Mini Entrevista com Jorge Tassi, Especialista em segurança Pública.

Qual importância da Guarda Municipal e quais suas atividades em Belo Horizonte?
 
A Guarda Municipal é uma inovação na segurança no Brasil nos últimos 20 anos. É a segurança comunitária da cidade, pois ela é capaz de trabalhar dentro de ambientes em que a Polícia Militar e a Polícia Civil não conseguem estar. Ela trabalha diretamente ao lado do cidadão e com as questões do cotidiano, como o cuidado e a prevenção do patrimônio público.
 
Onde a Guarda Municipal atua? Especialmente em regiões centrais, como nas praça Sete e da Estação. Por ser uma segurança comunitária, ela tem como foco conhecer o cotidiano da cidade.
 
Como a falta da Guarda Municipal nas ruas pode impactar a segurança da cidade? Se a ausência da guarda durar quatro ou cinco dias, não perceberemos muitos efeitos. Entretanto, se perdurar por muito dias, podemos sentir impactos no desenvolvimento de comércio ilegal, na fiscalização de irregularidades, entre outros casos. 
 
A PM vai assumir as funções da GM neste período. Será suficiente? Sim. Porém, a longo prazo, pode gerar, por exemplo, sobrecarga de atribuições nos militares.

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