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Artes cênicas

Desbravadoras em um cenário ainda preconceituoso

Peça homenageia mulheres que ousaram expressar seus desejos na arte

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Presença. Além da visibilidade lésbica, espetáculo ressalta a representatividade negra no palco
PUBLICADO EM 13/03/18 - 03h00

Elisa Lucinda, que interpreta a autora de novelas Ester Rios, no espetáculo “L, O Musical”, a estrear nesta quinta-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil, identifica um paralelo entre as protagonistas da montagem (Ester e Rute) e as cantoras e compositoras brasileiras cujas canções compõem não só a trilha mas a dramaturgia da peça.

“Elas foram cúmplices no passado e desbravadoras tal qual as cantoras e compositoras que são revisitadas no espetáculo. Todas elas, como Angela Ro Ro, foram muito ousadas”, comenta Elisa. O diretor Sérgio Maggio completa que a homenagem a essas artistas não acontece de maneira aleatória. “Nós chegamos a um universo de 90 canções, e, desse total, nós elegemos apenas aquelas que entrariam no texto se tivesse alguma função dramatúrgica. Em alguns momentos, as músicas apresentam uma personagem, aprofundado os pensamentos dela; em outros, elas enfatizam um tema que está sendo discutido, fazendo a narrativa avançar”, detalha ele.

Maggio sublinha que, por meio da música popular, é possível contar a história do Brasil. E no caso de “L, O Musical”, as canções servem como gatilho para abordar a trajetória das cantoras lésbicas ou bissexuais brasileiras a partir da década de 70 quando despontam Gal Costa, Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Marina Lima e Leci Brandão, entre outras.

“Todas essas mulheres atravessaram a ditadura militar cantando um repertório que também estava relacionado ao fato de elas sentirem desejo por outras mulheres. Isso representou uma revolução na sociedade, que era ainda mais conservadora, e trouxe uma perspectiva feminina. Até então, apenas os homens expressavam mais seu ponto de vista. Se você analisar as canções presentes no espetáculo, é possível até perceber uma evolução na abordagem dos temas”, diz o diretor.

“Nos anos 70, essas cantoras dirigiam-se a um amor que poderia ser tanto ela quanto ele, mas, a partir do dos anos 2000, você tem cantoras, como Ana Carolina e Adriana Calcanhoto, que vão declarar-se diretamente a elas”, completa ele.

Representatividade. Além do interesse em chamar atenção para a visibilidade lésbica, Maggio também destaca a importância de ter em “L, O Musical” um elenco protagonizado por duas atrizes negras. “Acho que essa também é uma atitude política. A nossa proposta é contribuir para combater esse racismo estrutural que faz com que o espetáculos frequentemente sejam protagonizados por atrizes brancas”, reforça o diretor.

A atriz e cantora Ellen Oléria acrescenta que ao apresentar duas profissionais de grande sucesso vividas por mulheres negras, a peça também subverte os formatos convencionais.

“Elas marcam, de maneira muito forte, o nosso próprio tempo porque isso é ser enfático em relação a uma reconstrução de um imaginário. Nós temos, de fato, um projeto de nação baseado em um programa ativo de extermínio da população negra. E esse programa já está acontecendo, basta ver que as mulheres negras continuam sendo maioria em situação de cárcere, e dentro dos aparelhos do Estado ainda são as maiores vítimas. Então, quando nós agimos nisso construindo, a partir do campo ficcional, identidades tão poderosas, como essas duas mulheres, nós estamos interferindo no modo como a sociedade lê essa população. Esse é um passo para quebrar o racismo no cotidiano. Eu acredito que nossa disputa se dá principalmente no imaginário, por isso é importante dar visibilidade aos corpos negros”, conclui Ellen.

Saiba mais

Quarta (14), às 20h, haverá ensaio aberto ao público, com entrada gratuita. No dia 17, o elenco e o diretor Sérgio Maggio vão participar de um bate-papo com o público após a sessão. A partir deste mesmo dia até o dia 18, Maggio vai oferecer o workshop gratuito “Dramaturgia para Musical”. Info.: espetaculol.omusical@gmail.com.

Agenda

o quê. Temporada do espetáculo “L, O Musical”

quando. De 15/3 a 9/4; de 5ª a 6ª, às 20h

onde. Centro Cultural Banco do Brasil (Circuito Liberdade, 450, Funcionários)

quanto. R$ 20 e R$ 10 (meia)

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