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Artes cênicas

Miguel Falabella sob o espectro da superação

Com texto de Miguel Falabella, 'O Som e a Sílaba' será apresentado no sábado (11) e no domingo (12)

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Autismo. Em “O Som e a Sílaba”, Alessandra Maestrini mostra outra faceta artística
PUBLICADO EM 10/08/18 - 03h00

Miguel Falabella estava sendo preparado por Mirna Rubim – uma das solistas de maior destaque do meio operístico nacional e preparadora vocal das mais requisitadas do país no meio artístico – para algum de seus projetos. Um dia, chegou cedo e pegou a amiga Alessandra Maestrini terminando uma aula e cantando o vocalise à capela que inicia a “Ária dos Sinos”, da ópera “Lakmé”.

Ficou absolutamente inconformado de que o público só a conhecesse “fazendo palhaçada na TV” e disse que iria escrever uma peça para aquela voz e a cantora de ópera que “não pode ficar escondida do público”. Assim nasceu “O Som e a Sílaba”, espetáculo que faz curta temporada no Cine Theatro Brasil Vallourec, sábado (11) e domingo (12), e que traz também Mirna no palco.

A inspiração para o enredo da peça veio das próprias protagonistas. Em 2016, ele viu Alessandra no musical “Yentl em Concerto”, sobre uma menina que no século XIX se traveste de homem para conseguir estudar. E também assistiu a Mirna na peça “Paradinha Cerebral”, que conta a história de um jovem amante de óperas, que vive em uma cadeira de rodas como consequência de uma paralisia cerebral e seu encontro com uma apresentadora de TV.

“Pronto! Ele teve a certeza de qual seria o enredo: escreveu para nós duas um espetáculo justamente da relação professor-aluno (“a arte imita a vida”), por meio de uma trajetória tão cheia de humor quanto de delicadeza e profundidade”, lembra Alessandra.

Em “O Som e a Sílaba” ela interpreta a jovem e talentosa Sarah, que tem síndrome de Asperger, por meio do espectro do autismo. Órfã e vivendo com o irmão casado, sente-se sem lugar na vida e acaba encontrando o alento de que precisava na música e na relação com sua professora, Leonor, interpretada por Mirna.

A questão do autismo também era algo com que o dramaturgo se via envolvido à época da escrita do texto. Para criá-lo, aliás, se aprofundou de forma incansável no tema. Alessandra, por sua vez, quis honrar sua dedicação e também mergulhou nos estudos.

Seu maior aprendizado, no entanto, veio da convivência com Julia Balducci, cineasta que têm síndrome de Asperger, como sua personagem. “Eu sou essencialmente cinestésica. O que significa que meu aprendizado pela empatia é muito superior ao visual, mental, teórico ou mesmo auditivo. Conhecer, conversar e, assim, poder sentir a Julia de perto, me fez finalmente sacar mais do mundo interior de minha personagem: seus anseios, medos, desejos, charmes... e como transparecer tudo isso para o público leigo ou ‘neurotípico’”, relata.

A recompensa tem sido à altura do grau de envolvimento com a questão, e com frequência Alessandra ouve frases como “Eu vi meu filho em você”, “Minha filha se reconheceu em você assim que entrou”, “Quantas vezes eu, como terapeuta (ou parente), me reconheci nas situações pelas quais já passei” e até “Eu agora entendo muito melhor o meu sobrinho”.

Outros projetos. Alessandra conciliou recentemente uma temporada do espetáculo com a participação no quadro “Show dos Famosos”, do “Domingão do Faustão”. Seu maior desafio foi conseguir “virar a chave” do canto lírico para o pop, o heavy metal e o gospel, alguns dos gêneros que interpretou.

O esforço, porém, valeu a pena. “Aprendi muito e descobri muitas facetas minhas que não conhecia por meio dos artistas homenageados. O ‘Show dos Famosos’ fez com que eu finalmente começasse a estudar dança. Por enquanto, só um pouquinho, até pela falta de tempo. Mas sei que, como boa taurina, seguirei estudando e cada vez com mais afinco. Isto vai tornar a abrangência do meu leque como artista performática muito maior”.

Serviço. “O Som e a Sílaba”, sábado (11), às 21h, e domingo (12), às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (av. Amazonas, 315, centro, 3201-5211). R$ 50 (inteira)

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